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21 de março de 2023

Rabicu, o filósofo

 Rabicu, o filósofo

Como no Brasil atual qualquer semiletrado se auto-intitula "filósofo", e propõe, do alto da sua sapiência dialética da estupidez avançada, o "cancelamento" de obras de gênios de nossa literatura e MPB, Rabicu, o guru vândalo, também resolveu filosofar-se. Será o primeiro pensador de uma vasta linhagem da inexplorada vertente da 'filosofia avançada da oralidade anal'.
A primeira obra de Rabicu, 'Dialética epistemológica do ânus', vai entrar anais adentro de nossa filosofia pós-moderna.
Rabicu sabe, Rabicu diz.
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10 de fevereiro de 2022

O paradoxo da tolerância- Karl Popper

 O paradoxo da tolerância

Karl Popper
Tolerância ilimitada levará ao desaparecimento da tolerância. Se estendemos tolerância ilimitada até àqueles que são intolerantes, se não estamos preparados para defender a sociedade tolerante contra o ataque dos intolerantes, então os tolerantes serão destruídos, juntamente com a tolerância. Nesta formulação não pretendo dizer que devamos sempre suprimir a verbalização de filosofias intolerantes; conquanto que possamos contradizê-las através de discurso racional e combatê-las na opinião pública, censurá-las seria extremamente insensato. Mas devemos reservar o direito de suprimi-las, mesmo através de força; porque poderá facilmente acontecer que os intolerantes se recusem a ter uma discussão racional, ou pior, renunciarem a racionalidade, proibindo os seus seguidores de ouvir argumentos racionais, porque são traiçoeiros, e responder a argumentos com punhos e pistolas. Devemos pois reservar o direito, em nome da tolerância, de não tolerar os intolerantes. Devemos afirmar que qualquer movimento que prega a intolerância está fora da lei, e considerar criminoso o incitamento à intolerância e perseguição, da mesma forma que é criminoso o incitamento ao homicídio, ao rapto ou ao reavivar da escravatura.”
Karl Raimund Popper (1902-1994) filósofo, filósofo da ciência, escritor, professor universitário, sociólogo.
Fico com o Popper.
Zatonio Lahud

20 de agosto de 2021

A intolerância bolsonarista e "O Paradoxo da Tolerância" de Karl Popper

 A intolerância bolsonarista e o "paradoxo da tolerância"

Vivemos um momento de grande insanidade no Brasil. Com gente autoritária, que prega em favor da violência, do fechamento de nossas instituições democráticas e o estabelecimento uma ditadura de extrema-direita no país. Essa gente, quando as instituições reagem para defender o Estado de Direito, fazem-se de vítimas e acusam quem os enfrenta de serem exatamente o que eles são: antidemocratas e totalitários. Nada disso, no entanto, é novidade. O filósofo Karl Popper já estudou esse fenômeno criando o conceito do "Paradoxo da Tolerância".
“Menos bem conhecido é o paradoxo da tolerância: tolerância ilimitada levará ao desaparecimento da tolerância. Se estendemos tolerância ilimitada até àqueles que são intolerantes, se não estamos preparados para defender a sociedade tolerante contra o ataque dos intolerantes, então os tolerantes serão destruídos, juntamente com a tolerância. Nesta formulação não pretendo dizer que devamos sempre suprimir a verbalização de filosofias intolerantes; conquanto que possamos contradizê-las através de discurso racional e combatê-las na opinião pública, censurá-las seria extremamente insensato. Mas devemos reservar o direito de suprimi-las, mesmo através de força; porque poderá facilmente acontecer que os intolerantes se recusem a ter uma discussão racional, ou pior, renunciarem a racionalidade, proibindo os seus seguidores de ouvir argumentos racionais, porque são traiçoeiros, e responder a argumentos com punhos e pistolas. Devemos pois reservar o direito, em nome da tolerância, de não tolerar os intolerantes. Devemos afirmar que qualquer movimento que prega a intolerância está fora da lei, e considerar criminoso o incitamento à intolerância e perseguição, da mesma forma que é criminoso o incitamento ao homicídio, ao rapto ou ao reavivar da escravatura.”
Karl Raimund Popper (1902-1994) foi um filósofo e professor austro-britânico. Amplamente considerado um dos maiores filósofos da ciência do século XX, Popper é conhecido por sua rejeição das visões indutivistas clássicas sobre o método científico em favor do falsificacionismo.
Quem quiser saber mais sobre o assunto leia esse artigo, muito bom, publicado no jornal português Observador: O Paradoxo da Tolerância

6 de junho de 2021

A criação da metafísica

 A criação da metafísica

Foram homens insones que criaram os deuses. É na solidão da madrugada, quando o sono se vai, que nos defrontamos com nossa frágil pequenez. As culpas, arrependimentos e tristezas mais profundas afloram da lixeira da consciência. Dor. Alma lancetada. Desespero. Precisamos de alguém mais forte para nos punir, consolar e perdoar. Um ser infinito, eterno, narcísico, poderoso, imune às culpas, onisciente diante de nossa inconsequência. Eterno e todo poderoso, como gostaríamos de poder ser. Ditadores do destino. Não dores e desatino.
É na solidão da madrugada que nos defrontamos com nós mesmos. E por insuportável culpa, numa madrugada qualquer, surgiu a metafísica. E com ela o primeiro Deus. E o homem, rosto banhado em lágrimas, se ajoelhou e rogou ao senhor eterno que criou: Me perdoe! Me salve!
E o sono voltou...
Zatonio Lahud

18 de fevereiro de 2021

 O paradoxo da intolerância

Karl Popper

“Menos bem conhecido é o paradoxo da tolerância: tolerância ilimitada levará ao desaparecimento da tolerância. Se estendemos tolerância ilimitada até àqueles que são intolerantes, se não estamos preparados para defender a sociedade tolerante contra o ataque dos intolerantes, então os tolerantes serão destruídos, juntamente com a tolerância. Nesta formulação não pretendo dizer que devamos sempre suprimir a verbalização de filosofias intolerantes; conquanto que possamos contradizê-las através de discurso racional e combatê-las na opinião pública, censurá-las seria extremamente insensato. Mas devemos reservar o direito de suprimi-las, mesmo através de força; porque poderá facilmente acontecer que os intolerantes se recusem a ter uma discussão racional, ou pior, renunciarem a racionalidade, proibindo os seus seguidores de ouvir argumentos racionais, porque são traiçoeiros, e responder a argumentos com punhos e pistolas. Devemos pois reservar o direito, em nome da tolerância, de não tolerar os intolerantes. Devemos afirmar que qualquer movimento que prega a intolerância está fora da lei, e considerar criminoso o incitamento à intolerância e perseguição, da mesma forma que é criminoso o incitamento ao homicídio, ao rapto ou ao reavivar da escravatura.
Karl Raimund Popper ( 1902 —1994) foi um filósofo e professor austro-britânico.

17 de novembro de 2020

Tentando entender Bolsonaro- por Antônio Serra

 TENTANDO ENTENDER BOLSONARO

... e alguns outros
Por ANTÔNIO SERRA, Professor de Filosofia da UFF e ex-Diretor do Instituto de Artes e Comunicação Social (IACS)
O discurso aparentemente errático, o apelo a preconceitos, fabulações, fatos inverídicos, deturpações manifestas, argumentos tortuosos, mentiras deslavadas, etc., etc., comporiam um esquema de “negação sistemática da realidade” e, por meio disto, de se consolidar como fonte hegemônica e talvez única de estabelecer o que é a “realidade”.
Não se trata apenas de peculiaridade pessoal desses e de outras figuras, mas de uma forma complexa de lidar com a realidade que tem sua história estreitamente ligada à da mídia no século 20.
Creio que um personagem decisivo para compreender o que se passa é um alemão que desempenhou papel importantíssimo durante a república de Weimar e que foi determinante e indispensável para a ascensão de Hitler e sua conquista do poder, mas que em seguida foi eclipsado.
Trata-se de Alfred Hugenberg (1865 – 1951), na foto, empresário, político, com formação universitária rigorosa e do qual, para resumir, podemos dizer o seguinte:
1º) Foi ele que formulou com precisão o projeto de colonização alemã de países do leste europeu como sendo a única maneira de oferecer terra e prosperidade aos agricultores alemães e desse modo criar uma Alemanha poderosa, além de anular a influência embrionária dos socialistas no campesinato;
2º) Foi ele que expôs claramente a extinção do povo polonês como ingrediente indispensável deste projeto;
3º) Foi ele que, na administração das indústrias Krupp e em direta aliança com o Kaiser, estabeleceu a doutrina do papel estratégica da alta indústria alemã para formar a infraestrutura militar necessária à disputa fatal que a Alemanha teria de travar com a Inglaterra, os EUA e a Rússia em sua busca de “espaço vital”;
4º) Foi ele que enfaticamente atribuiu ao sistema democrático o caráter de obstáculo ao progresso e afirmação da Alemanha, defendendo sua extinção e franca substituição por um regime autoritário;
5º) Foi ele que “inovou” a forma de condução partidária suprimindo os mecanismos democráticos no partido nacionalista do qual se apossou e estabelecendo uma forma de direção superior e incontestável sob um “führer”;
6º) Foi ele que percebeu a limitação de seu grupo político de direita nacionalista para ganhar eleições e que seria preciso encontrar uma liderança capaz de falar com as massas, tendo enfim identificado em Hitler e em seu partido nazista este personagem;
7º) Tanto o partido nacionalista quanto o nazista haviam murchado muito em eleitorado e se encaminhavam ou para extinção ou para se tornarem insignificantes. Este esvaziamento se deu sobretudo graças à franca recuperação econômica da Alemanha. Com a crise de 1929, entretanto, a economia alemã, como quase todas do mundo, trepidou, e Hugenberg viu nisso a chance de reabilitar o discurso nacionalista, a acusação de que a situação da Alemanha era resultado do cerco e opressão das democracias liberais que a haviam derrotado em 1918, que esta derrota fora causada em última instância por alemães traidores (principalmente socialistas e comunistas, mas também liberais – no que já se podia incluir os judeus), e assim por diante;
8º) Ora, Hugenberg se tornara também o magnata da mídia na Alemanha, dono do maior número e mais populares revistas e jornais, além de proprietário da principal empresa cinematográfica não só alemã mas mundial, a UFA (a “Universal” alemã), responsável por sucessos como Metropolis, O Gabinete do Doutor Caligari, Anjo Azul e muitos outros;
9º) Assim, Hugenberg convence seus aliados a “adotarem” Hitler e seu partido para o “usarem” (ele antes se opunha a Hitler), para o que a providência decisiva foi justamente expor Hitler na mídia de forma intensa;
10º) Hitler passa então a estar presente nas primeiras páginas dos jornais e em seu miolo e, sobretudo, no cinejornal mais importante da época, a Alemanha em Revista, com isso catapultando a popularidade de Hitler a um nível sem concorrência por outros líderes e partidos, o que lhe garantirá crescimento eleitoral significativo e lugar na mesa de protagonistas da distribuição de postos de governo em uma república já em fase de crise aguda e acelerada, quando é a figura do marechal Hindenburgo, veterano herói de guerra, homem de direita e monarquista que, como Presidente, passa a governar por decretos e finalmente entrega a chancelaria a Hitler;
11º) O sistema midiático de Hugenberg ataca frontalmente os socialistas, comunistas, liberais e a própria Constituição republicana, e faz o reiterado atestado de óbito da democracia como sistema de governo;
12º) Como parte da aliança, Joseph Goebbels é integrado neste esquema e particularmente na função midiática e de propaganda.
Desse modo, implementou-se a forma particular de construção de realidade que não só permitiu a disputa de narrativas com vitória nazista, como desqualificar oponentes, condenar à extinção povos e etnias, e também assim manipular os “fatos” durante a segunda guerra, pretendendo metamorfosear avanços em vitórias irreversíveis e derrotas em tática inteligente.
Durante o período de consolidação do regime nazista e depois ao longo da guerra, foi este sistema de produção discursiva e representação factual, imaginária e axiológica da realidade que dominou a Alemanha (e mesmo países aliados e quintas-colunas), a ponto de até contaminar seus gerentes, que começaram também a perder o senso de realidade, como se viu no final da guerra.
É um sistema que ganha projeção descomunal com os novos formatos de comunicação e que adquire capacidade dupla de se auto alimentar e, com isso, depender menos da “autoria” identificada, parecendo, portanto, seja mais “espontâneo”, seja como emergente mesmo da própria realidade.
Eis aí algo que precisa ser bem estudado e não meramente posto de lado ou combatido como mera aberração. A atitude de se impor à realidade por meio do discurso e da imagem, que George Orwell ilustrou de modo brilhante e emocionante, já não depende sempre de uma enclausuramento do público por mecanismos censórios e policiais (o que não quer dizer que estes não sejam também usados), mas pode buscar uma espécie de “naturalização” ou “normalidade” em que parte ou maioria do próprio público sejam os operadores e criadores dessa “realidade”.
É um fenômeno que tem raízes no psiquismo e na experiência cultural da espécie humana, mas que alcançou, com a tecnologia inédita destes tempos, um efeito gravíssimo: o do ocultamento da realidade e de sua apreciação crítica, pois isto certamente pode conduzir pessoas, sociedades e até a espécie a becos sem saída e a enfrentar desafios súbitos sem dispor de repertório para enfrenta-los.
PS. 1) No filme De Volta para o Futuro, o Dr. Brown (Doc) não está acreditando que Marty McFly seja do futuro e então o submete a breve teste, chegando à pergunta sobre quem será o presidente dos EUA no ano de onde o rapaz se diz oriundo; Ronald Reagan, responde o jovem. Como? Impossível! Um ator de meia-tigela como esse, presidente? Mas logo Doc entende, pois já havia sido apresentado a uma câmera de vídeo e se dá conta de que no futuro era na TV que se construiriam as lideranças. 2) No caso da URSS e outros países semelhantes, a história tem paralelos importantes, começando pela percepção de Lenin da importância estratégica do cinema para universalizar, pela propaganda, a devida mentalidade indispensável ao novo regime. Mas é história que merece abordagem própria, como exige, por exemplo, o domínio da teoria genética de Trofim Lyssenko na URSS, inclusive influenciando resultados catastróficos na agricultura.
Oscar José Corrêa e Leo Baresi

2 de dezembro de 2017

Deus segundo Espinoza

O Deus de Espinoza“
Para de ficar rezando e batendo no peito. O que eu quero que faças é que saias pelo mundo, desfrutes de tua vida. Eu quero que gozes, cantes, te divirtas e que desfrutes de tudo o que Eu fiz para ti.
Para de ir a estes templos lúgubres, obscuros e frios que tu mesmo construíste e que acreditas ser a minha casa. Minha casa está nas montanhas, nos bosques, nos rios, nas praias. Aí é onde eu vivo e expresso o meu amor por ti.
Para de me culpar pela tua vida miserável; eu nunca te disse que eras um pecador.
Para de ficar lendo supostas escrituras sagradas que nada têm a ver comigo. Se não podes me ler num amanhecer, numa paisagem, no olhar dos teus amigos, nos olhos de teu filhinho… não me encontrarás em nenhum livro…
Para de tanto ter medo de mim. Eu não te julgo, nem te critico, nem me irrito, nem me incomodo, nem te castigo. Eu sou puro amor.
Para de me pedir perdão. Não há nada a perdoar. Se Eu te fiz… Eu te enchi de paixões, de limitações, de prazeres, de sentimentos, de necessidades, de incoerências, de livre-arbítrio. Como posso te castigar por seres como és, se sou Eu quem te fez?
Crês que eu poderia criar um lugar para queimar a todos os meus filhos que não se comportam bem pelo resto da eternidade? Que tipo de Deus pode fazer isso?
Esquece qualquer tipo de mandamento, são artimanhas para te manipular, para te controlar, que só geram culpa em ti. Respeita o teu próximo e não faças aos outros o que não queiras para ti. A única coisa que te peço é que prestes atenção à tua vida; que teu estado de alerta seja o teu guia. Tu és absolutamente livre para fazer da tua vida um céu ou um inferno.
Para de crer em mim . . . crer é supor, imaginar. Eu não quero que acredites em mim. Quero que me sintas em ti quando beijas tua amada, quando agasalhas tua filhinha, quando acaricias teu cachorro, quando tomas banho de mar.
Para de louvar-me! Que tipo de Deus ególatra tu acreditas que Eu seja?
Tu te sentes grato? Demonstra-o cuidando de ti, da tua saúde, das tuas relações, do mundo. Expressa tua alegria! Esse é o jeito de me louvar.
Para de complicar as coisas e de repetir como papagaio o que te ensinaram sobre mim. Não me procures fora! Não me acharás.
Procura-me dentro…
Aí é que estou, dentro de ti.”
Paz e Bem.
Baruch de Espinoza (24 de novembro de 1632, Amsterdã — 21 de fevereiro de 1677, Haia) foi um dos grandes racionalistas e filósofos do século XVII dentro da chamada Filosofia Moderna, juntamente com René Descartes e Gottfried Leibniz. Nasceu em Amsterdã, nos Países Baixos, no seio de uma família judaica portuguesa e é considerado o fundador do criticismo bíblico moderno.

27 de março de 2017

Quem não Ama a Solidão, não Ama a Liberdade- Arthur Schopenhauer

Quem não Ama a Solidão, não Ama a Liberdade

Nenhum caminho é mais errado para a felicidade do que a vida no grande mundo, às fartas e em festanças (high life), pois, quando tentamos transformar a nossa miserável existência numa sucessão de alegrias, gozos e prazeres, não conseguimos evitar a desilusão; muito menos o seu acompanhamento obrigatório, que são as mentiras recíprocas. 
Assim como o nosso corpo está envolto em vestes, o nosso espírito está revestido de mentiras. Os nossos dizeres, as nossas acções, todo o nosso ser é mentiroso, e só por meio desse invólucro pode-se, por vezes, adivinhar a nossa verdadeira mentalidade, assim como pelas vestes se adivinha a figura do corpo. 

Antes de mais nada, toda a sociedade exige necessariamente uma acomodação mútua e uma temperatura; por conseguinte, quanto mais numerosa, tanto mais enfadonha será. Cada um só pode ser ele mesmo, inteiramente, apenas pelo tempo em que estiver sozinho. Quem, portanto, não ama a solidão, também não ama a liberdade: apenas quando se está só é que se está livre. 
A coerção é a companheira inseparável de toda a sociedade, que ainda exige sacrifícios tão mais difíceis quanto mais significativa for a própria individualidade. Dessa forma, cada um fugirá, suportará ou amará a solidão na proporção exacta do valor da sua personalidade. Pois, na solidão, o indivíduo mesquinho sente toda a sua mesquinhez, o grande espírito, toda a sua grandeza; numa palavra: cada um sente o que é. 

Ademais, quanto mais elevada for a posição de uma pessoa na escala hierárquica da natureza, tanto mais solitária será, essencial e inevitavelmente. Assim, é um benefício para ela se à solidão física corresponder a intelectual. Caso contrário, a vizinhança frequente de seres heterogéneos causa um efeito incómodo e até mesmo adverso sobre ela, ao roubar-lhe seu «eu» sem nada lhe oferecer em troca. Além disso, enquanto a natureza estabeleceu entre os homens a mais ampla diversidade nos domínios moral e intelectual, a sociedade, não tomando conhecimento disso, iguala todos os seres ou, antes, coloca no lugar da diversidade as diferenças e degraus artificiais de classe e posição, com frequência diametralmente opostos à escala hierárquica da natureza. 
Nesse arranjo, aqueles que a natureza situou em baixo encontram-se em óptima situação; os poucos, entretanto, que ela colocou em cima, saem em desvantagem. Como consequência, estes costumam esquivar-se da sociedade, na qual, ao tornar-se numerosa, a vulgaridade domina. 

Arthur Schopenhauer, in 'Aforismos para a Sabedoria de Vida'

Schopenhauer viveu de 1788 a 1860. Nascido em Danzig, Prússia, lecionou de 1820 a 1831, ano em que abandonou as salas de aula. Escreveu sua obra prima aos 30 anos, “O Mundo como Vontade e Representação”, mas não obteve sucesso na maior parte de sua vida. Mudou para Frankfurt, onde ficou até sua morte. Só obteve reconhecimento em seus últimos dias, o livro “Parerga e Paralipomena”, uma compilação de aforismos escritos de maneira cativante e popular, foi publicado. 

Arthur Schopenhauer. Pintura de Jules Lunteschütz, 1855.


13 de agosto de 2016

A ilusão do tempo

No futuro não existe passado,
mas no passado está o futuro.
E na junção de ambos temos
o presente- que no tempo
não existe- é sempre um pé no
passado outro no futuro.
O presente é uma impossibilidade
atemporal, mas é nele que vivemos.

A ilusão do tempo

17 de setembro de 2015

O Presente não Existe

O Presente não Existe

Não é extraordinário pensar que dos três tempos em que dividimos o tempo - o passado, o presente e o futuro -, o mais difícil, o mais inapreensível, seja o presente? O presente é tão incompreensível como o ponto, pois, se o imaginarmos em extensão, não existe; temos que imaginar que o presente aparente viria a ser um pouco o passado e um pouco o futuro. Ou seja, sentimos a passagem do tempo. Quando me refiro à passagem do tempo, falo de uma coisa que todos nós sentimos. Se falo do presente, pelo contrário, estarei falando de uma entidade abstracta. O presente não é um dado imediato da consciência. 
Sentimo-nos deslizar pelo tempo, isto é, podemos pensar que passamos do futuro para o passado, ou do passado para o futuro, mas não há um momento em que possamos dizer ao tempo: «Detém-te! És tão belo...!», como dizia Goethe. O presente não se detém. Não poderíamos imaginar um presente puro; seria nulo. O presente contém sempre uma partícula de passado e uma partícula de futuro, e parece que isso é necessário ao tempo. 

Jorge Luís Borges, in 'Ensaio: O Tempo'
Argentina 
24 Ago 1899 // 14 Jul 1986 
Escritor/Poeta/Ensaísta 

26 de junho de 2015

Pensamentos do Barão: Não há grandeza no poder

Pensamentos do Barão: Não há grandeza no poder

A grandeza do espírito humano o encontraremos na música, na poesia, na filosofia, em uma obra de arte, na amizade, na tolerância, na compaixão, no amor...

Jamais na política, não há grandeza no poder!

16 de junho de 2015

Filosofia é a explicação da existência humana que ninguém consegue entender

Filosofia: razão da existência humana; conjunto das reflexões particulares que buscam entender a realidade, a partir da razão.
A frase acima é uma das definições do que é filosofia que encontrei em um dicionário.
Filosofar, então,  é procurar entender a realidade a partir da razão. Em geral, através de longos tratados herméticos escritos por filósofos que ninguém consegue entender, muito menos os próprios autores das exegeses, que são tão incompreensíveis quanto as entrevistas de Tia  Dilma Sapiens ou Gilberto Gil. Daí eles escrevem outro tratado metafísico ( li em algum lugar, que metafísica é como procurar uma agulha em um palheiro, mas sem que ela ao menos encontre-se no local) para explicar o primeiro que ninguém entendeu... E, quase sempre, são barbudos os filósofos- os que não usam barbas não são confiáveis. Motivo: não têm tempo de fazer a barba, pois gastam todo o seu tempo tentando encontrar uma explicação para a explicação anterior do que afirmaram, e a qual ninguém conseguiu decifrar.
Não, Tia Dilma, não é filosofa, por isso não tem barba, já a dona Marilena Chauí... Esqueçam.
Resumindo: filosofia é a explicação da existência humana que ninguém consegue entender. Entenderam?

15 de junho de 2015

Como surgiu a filosofia

Dizem, e tem fundamento, que a filosofia surgiu na Grécia antiga através de um sujeito que era um péssimo amante. Como mulher nenhuma o queria, restou-lhe a opção de recolher-se em seu canto e ficar pensando uma maneira de vingar-se do mundo e das mulheres.
Deu no que deu...

14 de abril de 2015

Do Iluminismo de Voltaire às trevas da era do ódio à inteligência e ao saber

Do Iluminismo de Voltaire às trevas da era do ódio à inteligência e ao saber

Não concordo com o que dizes, mas defendo até a morte o direito de o dizeres” Voltaire


Hoje em dia, na era do ódio à inteligência e ao saber (que é antes de tudo o direito, e o dever, de  questionar), deflagrado principalmente por milícias ignaras supostamente politicamente corretas, a frase do Voltaire, o grande iluminista francês, seria mais ou menos assim: 
“Não concordo com o que dizes, mas defendo até a morte o direito de matá-lo se continuar exercendo seu direito de o dizeres.”

Sobre Voltaire: pseudônimo de François-Marie Arouet (Paris, 21 de Novembro de 1694 - 30 de Maio de 1778), foi um poeta, ensaísta, dramaturgo, filósofo e historiador iluminista francês. Ele defendia a liberdade de ser e pensar diferente

20 de setembro de 2014

“Prefiro o céu pelo clima e o inferno pela companhia”



“Prefiro o céu pelo clima  o inferno pela companhia”
Não faço o bem
Sem olhar a quem
Olho muito e bem
Mas faço o bem
Apenas por me sentir bem
Não para dar satisfação a alguém
Fazer o bem só para cavar
Uma futura vaguinha no Paraíso
É covardia permeada de hipocrisia

Sou seguidor da filosofia de Mark Twain:
“Prefiro o céu pelo clima e o inferno pela companhia”
Clima ameno no céu, gente inteligente e muita orgia no inferno...

28 de julho de 2014

Deus segundo Spinoza

Deus segundo Spinoza
Baruch Spinoza (1632 - 1677)
Pára de crer em mim – crer é supor, adivinhar, imaginar.
Eu não quero que acredites em mim. Quero que me sintas em ti.
Quero que me sintas em ti quando beijas tua amada, quando agasalhas tua filhinha, quando acaricias teu cachorro, quando tomas banho no mar.
Pára de louvar-me!
Que tipo de Deus ególatra tu acreditas que Eu seja? Me aborrece que me louvem. Me cansa que agradeçam.
Tu te sentes grato? Demonstra-o cuidando de ti, de tua saúde, de tuas relações, do mundo.
Te sentes olhado, surpreendido?… Expressa tua alegria! Esse é o jeito de me louvar.
Pára de complicar as coisas e de repetir como papagaio o que te ensinaram sobre mim.
A única certeza é que tu estás aqui, que estás vivo, e que este mundo está cheio de maravilhas.
Para que precisas de mais milagres?
Para que tantas explicações?
Não me procures fora!
Não me acharás.
Procura-me dentro… aí é que estou, batendo em ti.
Baruch Spinoza.

16 de julho de 2012

#Dia Mundial da Luta Contra o Sexo Anal

Vamos aderir a esta campanha promovida por nossa Deputada Estadual do Rio de Janeiro, Míriam Rios, que, já tendo legislado pela melhoria de tantos setores do Estado (especialmente Saúde, Educação e Transportes, suas maiores frentes de batalha), além de fiscalização do Executivo (conduzido pelo Sr. Sérgio Cabral, o líder da gangue do guardanapo), entrega-se de corpo e alma a este movimento de resguardo das retaguardas! ( Ricardo Pontes )

Eu apoio, mas só no meu anal, no do outros sou contra a campanha, afinal pimenta no ânus ( ânus é cu, mas não adianta insistirem, não uso termos chulos aqui neste espaço politicamente correto e estritamente familiar ) dos outros é refresco, e além do mais isto é preconceito, cada um é dono de seu rabo e faz dele o que bem quiser.
A Míriam Rios criou uma grande questão metafísica que vai entrar para os anais da filosofia: "Dar ou não dar, eis a questão?"
A semana promete...

19 de maio de 2012

Filósofo quer criar pornografia politicamente correta

Eu vos confesso que não entendi porra nenhuma da proposta do filósofo suíço Alain de Botton:"Idealmente, a pornografia excitaria nossa libido em contextos que também trouxessem lados mais elevados da natureza humana --nos quais as pessoas seriam espirituosas, por exemplo, ou demonstrassem ternura ou trabalhariam duro ou estariam sendo brilhantes--, de modo que nossa excitação sexual pudesse misturar e melhorar nosso respeito por esses outros elementos de uma vida boa."
Mas, como sabem, sou burrinho e nesta condição não tenho perspicácia suficiente para traduzir asneiras escritas por mentes superiores, ainda mais uma mente suíça, do primeiríssimo mundo. A minha foi forjada entre putaria terceiro-mundista analfabeta e retrógrada e o "único lado mais elevado" que vejo em pornografia são peitos, bundas e  pênis eretos. Será que alguém aí versado em Filosofia Pornográfica ou Epistemologia da Pornografia pode me explicar como ficar excitado ( eu fico é com tesão, ficar excitado é coisa de primeiro mundo ) pode nos ajudar a melhorar o planeta?
Esta "pornografia espiritual" vai gerar ramificações, já posso até antever: o Leonardo Boff vai escrever um libelo em favor da ecologia pornográfica e vai se intitular o criador da "ecopornografia"; alguns marxistas pátrios vão criar uma nova vertente do marxismo: o marxismo-pornoproletário  e vão propor uma revolução proletário-pornográfica;  Paulo Coelho vai lançar um livro sobre a magia pornográfica que vai vender milhões de exemplares e assim sucessivamente.

As declarações  do criador da pornografia politicamente correta estão na Folha.com

2 de janeiro de 2011

Preconceito, má-fé, canalhice e diarréia

E o Lulinha se foi, vamos sentir falta dele, não estou falando do político, mas do homem, um sujeito boa praça, bom de copo, contador de causos, um brasileiro comum, duvido que algum de vocês não conheça um " lula". E, como grande comunicador que é- talvez o maior que o Brasil tenha conhecido-, soube explorar muito bem seu lado de homem do povo. E a chamada Grande Mídia é quem mais vai sentir a ausência dele, afinal todo dia o homem era notícia e eles podiam destilar seus venenos preconceituosos à vontade. Ainda não nos demos conta mas, talvez, a mais importante contribuição de Lula ao país tenha sido a de desnudar todo o preconceito e autoritarismo de nossas elites. O que era dito à boca pequena veio à tona com toda sua força quando um nordestino de origem humilde, sem diploma de " dotô", com um dedo a menos e tropeçando no português, assume o mais alto cargo da nação e- indo contra todas às expectativas-, consegue governar, é reeleito e faz sua sucessora. Foi demais para eles...
Ainda ontem tive mais uma prova do que disse acima: o "filósofo" Merval Pereira na Globo News, quando Lula chegou em São Bernardo do Campo,  onde foi homenageado por seu retorno à cidade, disse a seguinte asnopérola: " Ele nem bem deixou o cargo e já está em campanha para 2014, se continuar vai criar um problema institucional sério para a Dilma." É muita canalhice e má-fé, uma homenagem da cidade onde viveu e iniciou sua vida política, vira início de campanha presidencial contra a Presidenta que acaba de assumir e só foi eleita graças ao próprio Lula, que não mediu esforços para elegê-la. Mervalzinho você, como "filosófo", é uma piada. Daquelas bem grotescas, tão grotesca quanto sua ridícula eleição para a Academia Brasileira de Filosofia. Suas ideias filosóficas devem ser parecidas com o que expeli ontem. Eu estava de diarréia....mervalzinho...

Hahaha...patético!