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3 de abril de 2017

Cena botafoguense: um jovem com síndrome de Down e a paixão pelo Botafogo

Todo santo ou ateu dia, antes e depois de caminhar, faço uns exercícios numa pracinha aqui de Brasília.
Nessas praças, denominadas PEC (Ponto de Encontro Comunitário, o governo do DF instala vários aparelhos de ginástica.
Hoje, na volta da caminhada, haviam cinco jovens portadores da síndrome de Down se exercitando na pracinha acompanhadas de um professor.
Um deles, o William, ao me ver com a camisa do Botafogo abriu um largo sorriso e disse: "Ganhamos ontem, mas foi sofrido, eu também sou Botafogo e vi o jogo com meu pai!”
Parei, o cumprimentei, e fiquei conversando um pouco com ele.
Depois fui fazer meus exercícios. Passados uns 10 minutos o professor os chama para irem para a APAE, que fica próxima.
Antes de ir, o William atravessou a praça, sempre com seu largo sorriso no rosto, veio até mim, me deu um afetuoso abraço de despedida, e me disse: "Tchau, Botafogo!"
E foi embora, feliz da vida, mas me deixando com lágrimas nos olhos
Em nenhum momento se preocupou em sujar suas roupas com meu suor.
Vou providenciar uma camisa do Botafogo para o meu novo e doce amigo.

Santino, o lindo filho do craque alvinegro Montillo

7 de maio de 2016

Uma mãe, todas as mães


Uma mãe, todas as mães- Interrogações

Mãe

Há algum tempo venho acompanhando uma mãe e seu filho. Todos os dias lá vem ela, mãos dadas ao rapaz, talvez 20 anos, que é portador de síndrome de Down. Acordo cedo e desço para ver os jornais e conversar fiado na porta do boteco da esquina. Não demora muito e a cena se repete: lá vem a mãe, uma mulher esguia, uns 45 anos, cabelos lisos e negros, com seu filho, em sua rotina diária. O rapaz estuda numa escola para portadores de necessidades especiais na rua em que moro.

Na esquina eles param e ficam, todos os dias, conversando por cerca de 10 minutos. Não há, nesse tempo, um momento sequer que ela deixe de fazer um carinho no filho. Alisa suavemente seu rosto, abraça-o, riem, continuam a conversa, agora de mãos dadas. Fico ali, olhando os dois e todos os dias me emociono com aquela mãe. 

Hoje, ao despedir-se do filho, estava eu de pé e ela, ao virar-se para sair, notou que eu olhava a cena. Fitou-me com seus grandes olhos negros e se foi. Fiquei ali, estático, pensando no olhar daquela mulher.

Não havia no olhar daquela mãe nenhum resquício de amargura, ódio, ressentimento, tristeza; ao contrário: havia altivez, ali; não a altivez do orgulho e da prepotência, não; havia a altivez do amor, da ternura, do afeto; enfim do dever cumprido, não por obrigação, mas por grandeza. Sim, havia cansaço naqueles olhos, mas daquele cansaço que castiga o corpo e alivia a alma. O cansaço do prazer de amar por inteiro aquele filho; cansaço que não cansa, pois se torna nada diante do seu amor infinito.

Estou aqui escrevendo, mas a vontade que tenho é de dar um forte abraço naquele mãe e dizer: obrigado, mãe, nós, pobres homens, te invejamos por tanto amor...


Obs: A crônica foi feita em fevereiro de 2010 e a estou reproduzindo em homenagem ao Dia das Mães.


                                                       

7 de fevereiro de 2015

Mulher abandona marido que não quis abandonar filho com síndrome de Down

Mulher abandona marido que não quis abandonar filho com síndrome de Down

Um homem chamado Samuel Forrest foi abandonado por sua mulher após o nascimento de seu filho com Síndrome de Down. Na Armênia, se uma criança nasce com Síndrome de Down, a família pode decidir ficar com o bebê ou enviá-lo para adoção.
Embora o pai não tenha cogitado a ideia de abandonar Leo, sua mulher apresentou reação contrária e intimou o marido a abandonar o bebê, caso contrário, pediria divórcio.
A história é muito triste porque o abandono é muito triste. Neste caso, a história se inverteu um pouco. Geralmente são os homens que se divorciam após o nascimento de filhos com alguma deficiência. Com certeza esta mãe tomou a decisão movida pela ignorância sobre o assunto e, até mesmo, o preconceito que cerca a síndrome de Down. Desejo forças ao Samuel nessa nova fase. E a todos os pais e mães de crianças com deficiência.

Um homem, sua mulher e o filho recém-nascido com síndrome de Down. Neste pequeno núcleo familiar temos um exemplo perfeito de tudo o que é capaz o ser-humano, para o bem e para o mal.
Ao menos o pai resolveu assumir o bebê. Que sejam felizes.