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22 de agosto de 2020

Que boca!

- Estás apaixonado?

- Sim!

- Por quem?

- Por uma impossibilidade! De olhar ao mesmo tempo carente e provocante, boca grande e sensual, lábios carnudos, corpo esguio...

-Tens medo dela?

- Todo o medo do mundo...

- Ela sabe?

- Não, nem me conhece pessoalmente.

- Como pode isso?

- Se tivesse explicação não era paixão!

- Você é louco!

- Sim, sou... Que boca!

- Estás apaixonado?    - Sim!    - Por quem?    - Por uma impossibilidade! De olhar ao mesmo tempo carente e provocante, boca grande e sensual, lábios carnudos, corpo esguio...    -Tens medo dela?    - Todo o medo do mundo...    - Ela sabe?    - Não, nem me conhece pessoalmente.    - Como pode isso?    - Se tivesse explicação não era paixão!    - Você é louco!    - Sim, sou... Que boca!



7 de outubro de 2017

Em Paraty, a dor da saudade

Estou percorrendo a Estrada Real com um amigo. Hoje chegamos a Paraty.
Enquanto Reinaldo tirava fotos, fiquei em um canto (eu amo os cantos, é deles que vejo o mundo) relembrando... amores.  Os maiores que tive na vida. Duas mulheres maravilhosas com as quais passei momentos inesquecíveis em Paraty.
Viajei no tempo. No tempo do coração, que é eterno. E doeu... Doeu muito. 
Saudade, muita saudade... Da primeira uma saudade mais suave, pois, apesar de intenso, o fogo da paixão durou até se exaurir. Da segunda, uma saudade dolorida de dois corpos que a paixão tornava um só, mas as almas não. Como no belo poema de Manoel Bandeira A Arte de Amar:

Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus - ou fora do mundo.

As almas são incomunicáveis.

Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.

Porque os corpos se entendem, mas as almas não.

Com este amor que, ainda, nunca teve fim só me resta vivê-lo como o alcoólatra que não bebe mais: Só por hoje não vou te amar, só por hoje, sempre... 

Em Paraty, a dor da saudade


3 de outubro de 2012

Infinito nós

o sono...veio...
e foi...te velar
mandei-o tomar conta
de teu adormecer
levando-me até ti
sem que percebas
mas quando acordar
sentirás minha presença
e vais perceber que somos uno
que o longe não existe
que estou entranhado em tua alma
enraizado em seu coração
e estás em mim
vício incandescente
que me faz ferver
do anoitecer ao alvorecer
você...você...você
eu...eu...eu...
você...eu...nós...
nós...desatado...nós
infinito nós...eu...você
eternamente...