26 de fevereiro de 2010

"Acho que a luz divina dele queimou"


As três mães conversam na bela praça de Calçado, após falarem sobres vários assuntos, falam dos filhos:
- Estou tão feliz o Ronaldo(Oreiudo) está há quase um mês sem beber; estudando, ajudando o pai o sítio, uma beleza, estou tão feliz!- diz dona Vani.
- O Zé Antonio(Saragaia) também, mudou da água pro vinho(creio que o correto aqui seria do vinho para a água), está até indo na igreja, uma benção, acho que foi uma luz divina que o iluminou, só pode ter sido- diz Dona Mariinha.
- Pois a peste lá de casa tá cada dia pior! Não sei mais o que faço com o Ricardo( Jiló), só pensa em farra, piranha e jogo do Botafogo. Um inferno, chegou as oito da manhã hoje- bêbado, com aquele cheiro de perfume barato, todo amarrotado, passou a noite na zona lá em Bom Jesus. Mas hoje ele vai ouvir, ah!.. se vai !- diz d.Cacilda.
Despediram-se e foram para suas casas. D. Cacilda entra em casa e encontra Jilozinho esparramado no sofá da sala, numa ressaca de dar dó. Foi logo esculhambando: Olha o estado que você está meu filho, quando vai criar vergonha nessa cara larga; estive com a Vani e a Mariinha e elas disseram que o Zé Antonio e o Ronaldo pararam de beber. A Mariinha falou que o Zé Antonio está até indo na missa, disse que foi uma luz divina que o iluminou. Hoje é sábado você bem que poderia ir na missa das seis e pedir uma luz a Deus. Aliás, no seu caso luz é pouco, pede logo um holofote , uma luzinha qualquer não vai resolver não! Esculhambação dada, foi cuidar de seus afazeres.
O pobre Jilozinho ficou mal, agora, além da ressaca física- a moral, que é pior.
Por volta das cinco da tarde um cabisbaixo Jilozinho sai de casa com o firme propósito de ir à missa. Quase conseguiu! Só não alcançou seu nobre intento pelo simples motivo de na última esquina antes de chegar à igreja se localizar o Bar do Faisca. E a turma já estava toda lá. Nosso desmoralizado herói ainda tentou passar direto, mas o vimos e o convencemos( Fácil! Fácil! ) a beber uma antes de ir à igreja.
Nem é preciso dizer que a missa foi para as cucuias...
Depois de nos contar o ocorrido, Jilozinho, após nossos "bons conselhos" e umas quatro doses de Fazenda Velha, regada a uns copos de Antáctica bem gelada, já estava refeito do trauma. A farra corria solta quando, por volta da meia-noite, quem adentra o estabelecimento? O Saragaia... Num porre, mas num porre, de fazer corar até a estátua do Dr. Cristiano, localizada quase em frente ao Bar do João Ponço. Jilozinho, quando viu o estado do amigo abriu um largo e vitorioso sorriso, levantou-se deu-lhe um afetuoso abraço e foi logo servindo uma dose caprichada de cana, que Saragaia sorveu num átimo de segundo. No átimo seguinte estava esborrachado no chão, desmaiado. Depois de muito abana pra cá, abana pra lá e umas duas Cocas, Saragaia deu uma melhorada e resolvemos levá-lo em casa.
Jilozinho logo assumiu o comando da operação, levantando o Saragaia com a ajuda do Oreiudo. Tudo pronto, saímos rumo à casa do desfalecido Saragaia. Quando chegamos, abrimos o portão, Jilozinho e Oreiudo entraram na varanda, bem defronte à porta da sala e tocaram a campainha. Algum tempo depois a porta se abre, era d. Mariinha, que ao ver o estado de seu amado rebento exclamou, assustada: - Meu Deus, o que houve?!
- "Dá licença dona Marriinha deixa a gente botar seu traste ali no sofá"- disse Jilozinho.
Depois de acomodar o Saragaia no sofá, Jilozinho virou-se para a esbaforida mãe e disse:
- É, d. Mariinha, acho que a luz divina dele queimou! E saiu rindo pelos cotovelos de sua vingança.
Vocês podem não acreditar, mas quando passamos pela estátua do Dr. Cristiano, na volta, ouvimos a seguinte frase: "Esse Jilozinho!".. . Olhei e vi um leve e irônico sorriso no rosto do Dr. Cristiano.

25 de fevereiro de 2010

É Lei Federal, sua besta

Noé Vargas, prefeito de Bom Jesus do Itabapoana no início dos anos setenta do século passado, estava eufórico: havia conseguido a verba necessária para construir a caixa d'água da cidade, promessa maior de sua administração. Dinâmico que era, entrou logo em contato com uma construtora de Campos para dar início às obras.

Dias depois a construtora envia um engenheiro à cidade para vistoriar o local escolhido e fazer o projeto. Ao chegar o engenheiro vai direto à prefeitura , sendo recebido efusivamente por Noé, que, após os samameleques de praxe, segue para o local da obra com o profissional e o presidente da Câmara de Vereadores da cidade. Estava exultante,o Noé.

Depois de vistoriado o terreno o engenheiro diz: "Olha, prefeito, não vejo problema algum no local, o único senão deve-se ao fato de ser no alto do morro( local escolhido a dedo por Noé, a caixa d'água seria vista por todos ), o que vai encarecer o projeto, pois teremos de colocar uma bomba d'água muito forte para jogar a água aqui para cima. A lei da gravidade impede que ela suba sozinha."

O presidente da Câmara, até então calado, diz para Noé: "Preocupa não Noé, temos ampla maioria na Câmara, se precisar revogamos essa lei lá."

Noé, indignado com a estultice dita por seu líder retruca incontinente: " Não diga asneira, pelo amor de Deus, essa lei não é de nossa competência , é lei federal, ouviu sua besta: LEI FEDERAL!!! E vamos almoçar que depois dessa me deu fome...

A caixa d'água? Está lá, imponente, "desafiando" a lei da gravidade. Lei federal, como vimos.