12 de março de 2010

Delicadeza

Simãozinho é um querido amigo aqui de Niterói; campista de origem, advogado e boêmio de boa estirpe, companheiro de anos e anos de tertúlias  nada literárias no Chalé, templo dos boêmios niteroienses. Durante anos bebemos juntos, até que, após longa e produtiva carreira nas esbórnias da vida, abandonei o campo de batalha. No auge, como é de bom tom aos grandes profissionais. Mas vamos ao Simãozinho.



Sexta-feira por volta de meia-noite estávamos bebendo no Chalé- éramos uns oito na mesa- quando adentra o gramado uma morena de parar o comércio,como diziam os antigos. Devia morar nas redondezas, pois sempre passava por ali, despertando os olhares cobiçosos dos pinguços de plantão. Entrou,  fisionomia triste, sentou-se na mesa ao lado da nossa( sentou-se na cadeira ao lado da mesa, como dizem os lusos em sua lógica retilínea), pediu um chopp e ficou lá... só e bela!

A pinguçada toda alvoraçada esperando para ver quem daria o bote primeiro . Simãozinho levanta-se vai ao banheiro e , quando retorna, traz uma dose de martíni todo paramentado- com cereja e tudo, dirige-se à mesa da morena e dispara em alto e bom som:


- Posso saber o que faz perdida nesse valhacouto de pinguços tão belo exemplar da espécime jambeira( morena-jambo)?! E sem esperar resposta, contínua:

- Permita-me oferecer-te um modesto drink, em nome de todos aqui presentes, por adornar este ambiente, deverás taciturno, com sua iluminante beleza- encerra o Simão, sob aplausos entusiásticos de todos.

Surpresa a morena esboça um sorriso; que foi o bastante para o galante Simão sentar-se e iniciar as tratativas preliminares de uma noite que prometia ser gloriosa para ele.


Voltamos às nossas conversas mas de olho no papo de Simãozinho com a morena. Tudo corria nos conformes, quando lá pelas tantas a moça diz:


- Eu moro aqui perto!

Simão responde:

- Eu imaginei, te vejo passar sempre por aqui.

- Ah, então você me olha quando passo aqui, né- diz, ela.

- Se olho...já me masturbei mais de trinta vezes pensando em você minha filha!!!- diz ele, empolgado

Silêncio aterrador no, até então, alegre  ambiente. Todos os olhares se voltam para a morena, que ficou rubra; após se recuperar do impacto causado pela inusitada declaração, levanta-se, pega o copo de chopp, joga o líquido no rosto do Simão e diz:

-Grosso!!! Canalha!!!

E vai embora. Simão, sem entender direito o ocorrido, vira-se para nós e diz:

- Mas eu só estava elogiando!!!

Gargalhada geral e, logo após,o coro:

Eu...eu...eu o Simão se fudeu...eu...eu...eu... o Simão se fudeu...



Foi da glória ao infortúnio em poucos minutos nosso Simão; mas entrou para a História como autor da cantada mais sutil, gentil e delicada de todos os tempos
















(
























-

11 de março de 2010

Infelizmente Não Era

Como estou sem assunto e me comprometi comigo mesmo a fazer duas postagens diárias para melhorar a cultura de vocês e afastá-los daquele ignaro BBB, vou contar-lhes mais uma do Jilózinho. Antes um apelo; apelo não adianta, uma ordem: Votem na enquete!  Vamos atingir os 300 milhões de votos e acabar de botar aquela paredão no chão. Ordem dada, vamos ao trabalho:

Três horas da manhã em Calçado, um frio de  congelar pinguim, uma névoa aterrodora encobre a cidade. No Bar do Conrrado estamos eu, Ronaldo Oreiudo e Jilózinho sem ter o que fazer. Jilózinho propõe irmos na casa dele comer uma carne de sol que havia feito- ele é chegado às artes culinárias, única das artes em que é especialista que serve para alguma coisa. Proposta feita e aceita, resolvemos levar dois litros de pinga para acompanhar o petisco. Jilózinho se adianta, pega as duas garrafas, abraça-as por sobre a barriga(pança é mais fiel), e diz:

- Eu levo, vocês estão mais bêbados que eu e vão deixar as bichinhas quebrarem, comigo não tem perigo. Vamos embora, diz com autoridade. Aliás, vocês já perceberam que todo bêbado vira autoridade no Brasil?! Bêbado e ladrão. A diferença é que o bêbado deixa de ser após o efeito do goró passar; os ladrões viram autoridades mesmo...vão para Brasília roubam  à vontade e ainda botam a polícia para bater naqueles que os chamam pelo que são: Ladrões!!! Da pior qualidade deles, pois roubam de nosso povo mais miserável. Quando alguns de vocês exigirem pena de morte para bandidos, não se esqueçam deles não, tá! Matar preto e pobre é fácil...
Voltemos ao Jilózinho que é mais agradável: partimos rumo ao lar do jilózinho; eu abraçado nele de um lado, o Oreiudo do outro. Cambaleantes e felizes íamos cantando o hino do Botafogo( a música mais bela da história), quando  a tragédia se abateu sobre nós: tropeçamos e caimos uns sobre os outros, numa cena patética. Ainda no chão, Jilózinho diz, desesperado:

- Aí meu Deus...estou todo molhado... espero que seja sangue!

Infelizmente não  era...

Os "santos" naquela trágica noite se fartaram com nossa pinga.