Na tragédia que se abateu sobre Niterói, soube hoje pela manhã, da morte do Pará, que há mais de vinte anos vendia coco no final da praia de Icaraí,e ponto de encontro dos amigos que andam comigo na praia.
Trabalhava das seis da manhã até dez, onze da noite. De domingo a domingo.
Morava no morro do Estado, e saiu com a mulher para ajudar vizinhos cujas casas haviam desabado. Ao retornar para sua casa ela desabou soterrando ele e sua esposa. É mais um herói anônimo dentre os milhões que lutam bravamente para sobreviver nessas terras que, dizem os ufanistas, ser abençoada por Deus. Assim seja...
Ninguém discordava do Pará: falava rápido e enrolado, a gente não entendia e concordava, deixando-o todo satisfeito. Trabalhador ele era, mas a barraca era um tanto quanto zoneada e não raro o coco estava quente. Nada que afastasse sua freguesia, composta por muitas crianças, que ele adorava. Crianças e os vira-latas da área: pela manhã reuniam-se, cinco, seis, deitados na areia esperando os petiscos que o Pará guardava para eles.
Já deve estar enterrado, o Pará. É apenas mais um número perdido num cemitério qualquer da cidade.
Descanse em paz, bom Pará...você que tanto trabalhou nessa vida e morreu estendendo as mãos aos seus semelhantes.
8 de abril de 2010
7 de abril de 2010
Vergonha e Canalhice
Mais uma tragédia causada pelas chuvas, agravada, e muito!, pela desfaçatez, canalhice e falta de um mínino de espírito público de nosso homens ditos públicos. A grande maioria deles, em verdade, usa o que deveria ser público em proveito próprio. Enquanto nós não aprendermos, no Brasil, que o que é público é nosso: de todos nós, tragédias como a de ontem serão recorrentes. Percam um tempinho, entrem no Google e leiam as declarações dos políticos após as enchentes de 1966: as mesmas desculpas, o mesmo cinismo, a mesma desfaçatez dos de hoje.
Historicamente fomos ensinados por nossas elites que o que é público não tem dono; com este discurso se apropriam do que deveria ser de todos nós. A ladainha é sempre a mesma: falta de verbas, construções irregulares(cadê os orgãos de fiscalização!), população mal-educada, etc, etc, etc..
Falta de verbas: Lógico que faltam, mas somente onde são mais necessárias: educação, saúde, transporte e saneamento. Não faltam para dar empregos a milhares de vagabundos, apaniguados de políticos mais vagabundos, que criaram os chamados cargos de confiança para, às custas de nosso dinheiro, dar emprego público a uma súcia de parentes, cabos eleitorais, amantes, namorado de neta- é, estou falando do Sarney- e quem mais lhes aprouver. E fica tudo por isso mesmo. E tome impostos bolso-adentro para sustentar à malta de vagabundos!
Brasília, meus amigos, onde não se produz nada- a não ser ladrões de dinheiro público aos borbotões, é a cidade com maior poder aquisitivo do país...é, é verdade, vejam os dados do IBGE.
Reclamamos todos, o tempo todo, e nada fazemos, aceitamos passivamente a bandalheira deles como se fosse direito-divino. O Estado não é de ninguém, é sim, digo eu, é dessa aristocracia cínica e inconsequente, que só olha o próprio umbigo. Quando deveria ser nosso, nos servir, não com as migalhas que nos dão de favor, não!, mas como direitos que temos e estão na constituição. Não quero favor, quero o que é meu, nosso, e nos é negado diuturnamente. Sonho? Sim, talvez, mas é melhor sonhar do que ter pesadelos ao ver os rostos falsamente compungidos do governador e do prefeito a justificar as centenas de mortos de mais uma tragédia anunciada...até que venha a próxima. São eles, nossa classe(falta de) política, com as exceções de sempre, os maiores assassinos destes " tristes trópicos".
Só para lembrar, mais uma vez: o inefável Paulo Salim Maluf, está com prisão decretada pela Interpol em todo o mundo. E aqui, exatamente onde sua roubalheira foi praticada, está livre, leve, solto e é, pasmem!, deputado federal. E vocês ainda têm coragem de contar piada de português. Me poupem!
Historicamente fomos ensinados por nossas elites que o que é público não tem dono; com este discurso se apropriam do que deveria ser de todos nós. A ladainha é sempre a mesma: falta de verbas, construções irregulares(cadê os orgãos de fiscalização!), população mal-educada, etc, etc, etc..
Falta de verbas: Lógico que faltam, mas somente onde são mais necessárias: educação, saúde, transporte e saneamento. Não faltam para dar empregos a milhares de vagabundos, apaniguados de políticos mais vagabundos, que criaram os chamados cargos de confiança para, às custas de nosso dinheiro, dar emprego público a uma súcia de parentes, cabos eleitorais, amantes, namorado de neta- é, estou falando do Sarney- e quem mais lhes aprouver. E fica tudo por isso mesmo. E tome impostos bolso-adentro para sustentar à malta de vagabundos!
Brasília, meus amigos, onde não se produz nada- a não ser ladrões de dinheiro público aos borbotões, é a cidade com maior poder aquisitivo do país...é, é verdade, vejam os dados do IBGE.
Reclamamos todos, o tempo todo, e nada fazemos, aceitamos passivamente a bandalheira deles como se fosse direito-divino. O Estado não é de ninguém, é sim, digo eu, é dessa aristocracia cínica e inconsequente, que só olha o próprio umbigo. Quando deveria ser nosso, nos servir, não com as migalhas que nos dão de favor, não!, mas como direitos que temos e estão na constituição. Não quero favor, quero o que é meu, nosso, e nos é negado diuturnamente. Sonho? Sim, talvez, mas é melhor sonhar do que ter pesadelos ao ver os rostos falsamente compungidos do governador e do prefeito a justificar as centenas de mortos de mais uma tragédia anunciada...até que venha a próxima. São eles, nossa classe(falta de) política, com as exceções de sempre, os maiores assassinos destes " tristes trópicos".
Só para lembrar, mais uma vez: o inefável Paulo Salim Maluf, está com prisão decretada pela Interpol em todo o mundo. E aqui, exatamente onde sua roubalheira foi praticada, está livre, leve, solto e é, pasmem!, deputado federal. E vocês ainda têm coragem de contar piada de português. Me poupem!
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