28 de setembro de 2009

Botafogo

Botafogo

E lá se vão quarenta anos. Veio-me à memória, a cada dia mais saudosa e nostálgica (idade...), o time do Botafogo dos anos sessenta.

Sou de uma geração que cresceu nos anos dourados do futebol brasileiro. O auge, de 1958 a 1970.
Botafogo e Santos. Garrincha e Pelé. Símbolos maiores da glória de nosso futebol.

Tornei-me Botafogo "vendo" pelo rádio, os dribles de Mané, a categoria de Nílton Santos e Didi,os gols de Quarentinha. Doces anos...os amargos viriam a seguir.

Somos esquisitos, nós botafoguenses! Trágicos, pessimitas, orgulhosos. Sim, extremamente orgulhosos. Afinal, qual clube no Brasil foi fundado três vezes ?!  O Botafogo,ora!  O de Regatas, 1894; o de Futebol, 1904; e o atual, (con)fusão dos dois, em 1943.
Vocês não sabem, mas os deuses do futebol não gostam do Botafogo, nem nós deles.
Como vingança somos ateus, ao menos no futebol. Fazemos nossos deuses- Heleno, Garrincha, Nílton Santos, Didi, Gérson, João Saldanha- humanos, nossos deuses.

Complicado, o Botafogo. Mais ainda seus torcedores. Acreditamos piamente, nós alvinegros, em destino. E temos a mais plena convicção que o injusto destino está contra nós. Sagrada verdade botafoguense.

E quer saber, melhor assim, somos um poço de superstições. Usamos todas, com a certeza dos céticos, de que , no final, dependemos de nós mesmos. Nada, nem deuses, nem macumba, despacho, novena, figa, nada funciona a nosso favor. Inda sim, cremos, ou fingimos crer. Niilistas, que somos.

Tivemos Garrincha, a alegria do povo. Morreu triste e bêbado, caído num subúrbio qualquer. Bem ali, no meio do povo que mais o adorou. Triste, Mané !

E Heleno, o mais belo e elegante jogador a desfilar por nossos gramados. Morreu louco, corroído pela sifílis, num Hospício de Barbacena. Triste, Heleno !

E nosso símbolo ?! Uma estrela. Há bilhões delas no céu; a nossa é solitária. E triste. Como nós.




( Resolvi republicar a crônica em homenagem a um amigo botafoguense recém-falecido. Acho que não vai ler...mas, como diz o outro: fiz a minha parte, homenageando aquele que parte...)




25 de setembro de 2009

O homem !

O homem caminha com rapidez. Sem mais, para. Chora, o homem.

Entra no Bar. Lágrimas escorrem por seu rosto. Pede um café, o homem.

Choras, por que!- pergunta o outro, a seu lado.

Vou morrer !

Ora, todos vamos!

Vira-se, impassível, o outro. E, calmamente, sorve um gole de cerveja.