Hoje estou naqueles dias de mente vazia. Vazia não é bem o termo; esvoaçante, irrequieta, incapaz de se concentrar em assunto qualquer. O dia está lindo, pela manhã a visão do Rio estava mais soberba que o normal. Esfuziante beleza. O bondinho a subir vagarosamente até o Pão de Açucar; o Cristo, braços abertos como que querendo abraçar tanta beleza. A Pedra da Gávea, em sua imponente soberba;a Enseada de Botafogo em suas curvas delicadas, salpicada de barcos, pontos cintilantes a esparramar uma beleza indescritível; o Aterro do...bem, daquele time lá da Gávea. Pronto, foi só lembrar que perdi a inspiração, que já não é muita. Ô, coisa!
Inspiração perdida, resta-me rir de um amigo, que com sua vida toda organizada, se meteu em um relacionamento complicado e saiu da santa paz do senhor, pro inferno das paixões mal resolvidas. E não adianta, homem é bicho besta e quando começa a pensar com a cabeça errada,a "outra", só faz "hara"( merda em árabe, que minha vó Bela adorava falar. Acho que se escreve assim mesmo, se não for procurem um dicionário e me corrijam.) Bom, depois de muitos conselhos dados por mim e outro amigo nosso, e, claro, não ter seguido nenhum, a coisa desandou, como todo mundo havia previsto-menos o desgraçado- e hoje, após nos contar as suas desventuras, virou-se para mim, "braços abertos sobre a Guanabara", e perguntou: - E agora, o que faço?
Parei, pensei, pensei... e disse a ele, bem sério: - Bom, cansamos de falar com você e não adiantou nada, agora meu querido e doce amigo, só vejo uma saída para você, mas prefiro não dizer.
- Diz...pode dizer, já tô fudido mesmo!
- Suicídio!!!
- O quê?!?!
-Suicídio!!! E vê se não me enche o saco pedindo conselhos que não vai seguir. Ah, e antes de suicidar, dá uma ligada pra se despedir.
Como não seguiu nenhum até agora, não vai seguir esse também. Espero...
22 de julho de 2010
21 de julho de 2010
Dentadura
Acabo de receber um telefonema de Jilózinho, preocupadíssimo com Totó. A confusão lá pelas montanhas de Calçado tá grande. Totó está em pé de guerra com a namorada e a situação está fora de controle. Segundo Jilózinho o furdúncio começou após a ilustre donzela(?), do alto se seus 69 anos, resolver botar dentadura. Após a repaginada bucal, a primeira noite de amor entre o ilustre casal quase terminou em tragédia. Estou aqui tentando encontrar uma maneira suave de narrar os fatos. Afinal o blog é familiar e pudico. Mas vamos lá, tentemos.
Quando o fogoso casal se encontrava " brincando na cama"(mais familiar impossível!), Totó deu seu "picolé"(pudico demais) para sua digníssima namorada lamber( ufa, como é difícil ser casto), acontece que ainda não devidamente adaptada à nova dentição, a distinta companheira de nosso querido Totó, mordeu!!! É...mordeu a vuvuzela do pobre. Jilózinho acha que até melhorou, pois inchada como está, a vuvuzela parece maior do que realmente é. Deve ser molecagem do Jilózinho.
Totó está exigindo da consorte- segundo Jilózinho, " conazar"- que retire a dentadura quando forem fazer amor, ela diz que não tira de jeito algum. Totó diz que senão tirar ele vai se separar dela. Ela, vingança feminina, avisou a ele que se acabar o namoro, vai espalhar pra Calçado inteiro que a vuvuzela dele é pequena. Eis aí, amigos,a guerra deflagrada. Totó, desesperado foi até Jilózinho em busca de uma solução, pois está prestes a cometer uma loucura.
- Jiló, se aquela desgraçada sair me difamando por aí eu mato ela, você vai ver. Faço igual ao Bruno e sua turma. Mato e dou a carne pra cahorrrada comer.
- Mata nada-diz Jilózinho- você não mata nem barata, e tem mais, cachorro nenhum vai querer comer aquilo, só tem pelanca e varizes. E eu não te ajudo, sou legume.Quem ajuda assassino é massa. Macarrão. E tem mais, todo mundo aqui em Calçado sabe que sua vuvuzela é pequena e que pra tocar é a maior dificuldade. Melhor você se acostumar com a dentadura dela. Com o tempo ela pega prática e não morde mais, às vezes, arranha. Se quiser que ela vá treinando enquanto você está fora de combate, pode mandar ela aqui pra casa, mas vou logo avisando, é só treino oral. Bucho não como não!
- Jarrão, eu tô de olho inchado, mas nunca ri tanto. O homem saiu daqui uma arara. Disse que ia se aconselhar com o Edson, que é o mestre dele. Coitado, você já imaginou essa história na boca do Edson?!
- Nem fala, Jilózinho...nem fala!
Quando o fogoso casal se encontrava " brincando na cama"(mais familiar impossível!), Totó deu seu "picolé"(pudico demais) para sua digníssima namorada lamber( ufa, como é difícil ser casto), acontece que ainda não devidamente adaptada à nova dentição, a distinta companheira de nosso querido Totó, mordeu!!! É...mordeu a vuvuzela do pobre. Jilózinho acha que até melhorou, pois inchada como está, a vuvuzela parece maior do que realmente é. Deve ser molecagem do Jilózinho.
Totó está exigindo da consorte- segundo Jilózinho, " conazar"- que retire a dentadura quando forem fazer amor, ela diz que não tira de jeito algum. Totó diz que senão tirar ele vai se separar dela. Ela, vingança feminina, avisou a ele que se acabar o namoro, vai espalhar pra Calçado inteiro que a vuvuzela dele é pequena. Eis aí, amigos,a guerra deflagrada. Totó, desesperado foi até Jilózinho em busca de uma solução, pois está prestes a cometer uma loucura.
- Jiló, se aquela desgraçada sair me difamando por aí eu mato ela, você vai ver. Faço igual ao Bruno e sua turma. Mato e dou a carne pra cahorrrada comer.
- Mata nada-diz Jilózinho- você não mata nem barata, e tem mais, cachorro nenhum vai querer comer aquilo, só tem pelanca e varizes. E eu não te ajudo, sou legume.Quem ajuda assassino é massa. Macarrão. E tem mais, todo mundo aqui em Calçado sabe que sua vuvuzela é pequena e que pra tocar é a maior dificuldade. Melhor você se acostumar com a dentadura dela. Com o tempo ela pega prática e não morde mais, às vezes, arranha. Se quiser que ela vá treinando enquanto você está fora de combate, pode mandar ela aqui pra casa, mas vou logo avisando, é só treino oral. Bucho não como não!
- Jarrão, eu tô de olho inchado, mas nunca ri tanto. O homem saiu daqui uma arara. Disse que ia se aconselhar com o Edson, que é o mestre dele. Coitado, você já imaginou essa história na boca do Edson?!
- Nem fala, Jilózinho...nem fala!
Menina
Eu amei
uma linda menina,
de lindos cabelos louros,
de olhos profundos,
ah,como era linda,
minha doce menina
de nome Nina
Um dia ela se foi,
doce desilusão,
minha!
Ana Maria
Ana Paixão
Ana Flor
Ana Dor
Ana Perdida
Ana Saudade
Ana menina
Ana me nina
Ana não volta
E eu, só me resta
o que sobra de amores perdidos,
lembrança, saudade, e
um sorriso de vida vivida, em excesso,
de amor, de paixão, de alegria, de dor
De Nina, minha doce menina,
que não mais me nina.
Não importa,
escancaro a porta
e deixo o sol entrar,
minha alma se ilumina,
como o mais belo sorriso,
de minha doce menina,
que não mais me nina.
uma linda menina,
de lindos cabelos louros,
de olhos profundos,
ah,como era linda,
minha doce menina
de nome Nina
Um dia ela se foi,
doce desilusão,
minha!
Ana Maria
Ana Paixão
Ana Flor
Ana Dor
Ana Perdida
Ana Saudade
Ana menina
Ana me nina
Ana não volta
E eu, só me resta
o que sobra de amores perdidos,
lembrança, saudade, e
um sorriso de vida vivida, em excesso,
de amor, de paixão, de alegria, de dor
De Nina, minha doce menina,
que não mais me nina.
Não importa,
escancaro a porta
e deixo o sol entrar,
minha alma se ilumina,
como o mais belo sorriso,
de minha doce menina,
que não mais me nina.
20 de julho de 2010
Amigo, Tiziu
Amigos, se há algo sagrado no mundo, são os amigos. É onde somos livres. Nós os escolhemos. Há alguns anos atrás, estava eu sozinho, sentado numa praça, triste, muito triste, quando chega o Tiziu, velho amigo de ébrias jornadas e companheiro de sofrimento na infeliz saga botafoguense de 21 anos sem título. Chegou, sentou-se ao meu lado e disse: - Está triste, né?
- Sim, estou.
Acendeu um cigarro e ficou sentado ao meu lado, quieto, fumando seu cigarro. Passado alguns minutos, disse a ele: - Como é, não vai falar nada, vai ficar aí sentado com essa cara de palhaço?!
- Ué você não está triste? Também tô, e gente triste não fala. E calou-se.
Passam-se mais uns minutos e ele diz: - Bem, agora chega de ficar triste, vamos lá no papai Serafim beber um Nadir Figueiredo cheio de alegria! Traduzindo: Nadir Figueiredo é a marca do copo, alegria a purinha, que ele tanto adorava. E fomos, eu triste, ele em sua tristeza solidária, beber alegria.
Hoje,no meu aniversário; sete de setembro,no dele, o porre era certo. Até que ele se foi, vítima de uma bala perdida que, infelizmente, achou meu amigo em seu caminho insano. Saudades, amigo. Hoje ficarei um pouco triste por você, Mas feliz de poder lembrar quantos copos cheios de alegria bebemos juntos. E o Fogão foi campeão este ano, quando o jogo acabou, você estava lá no Maracanã, sentado ao meu lado, alegre e feliz, como só você sabia ser.
- Sim, estou.
Acendeu um cigarro e ficou sentado ao meu lado, quieto, fumando seu cigarro. Passado alguns minutos, disse a ele: - Como é, não vai falar nada, vai ficar aí sentado com essa cara de palhaço?!
- Ué você não está triste? Também tô, e gente triste não fala. E calou-se.
Passam-se mais uns minutos e ele diz: - Bem, agora chega de ficar triste, vamos lá no papai Serafim beber um Nadir Figueiredo cheio de alegria! Traduzindo: Nadir Figueiredo é a marca do copo, alegria a purinha, que ele tanto adorava. E fomos, eu triste, ele em sua tristeza solidária, beber alegria.
Hoje,no meu aniversário; sete de setembro,no dele, o porre era certo. Até que ele se foi, vítima de uma bala perdida que, infelizmente, achou meu amigo em seu caminho insano. Saudades, amigo. Hoje ficarei um pouco triste por você, Mas feliz de poder lembrar quantos copos cheios de alegria bebemos juntos. E o Fogão foi campeão este ano, quando o jogo acabou, você estava lá no Maracanã, sentado ao meu lado, alegre e feliz, como só você sabia ser.
19 de julho de 2010
Aniversário
Hoje, amigo, é seu aniversário, exatamente hoje, 20 de julho. Dia do amigo. Eu sei que você não gosta de comemorar aniversário, mas não posso de deixar de lhe dar os parabéns, eu que o acompanho durante toda sua jornada por este mundão. Sei mais de sua vida que você mesmo. Lembro-me claramente de você, criança ainda, pedindo à sua mãe para ler As aventuras de Gulliver, você ficava ali, sentado, quietinho no colo dela, ouvindo. E depois o acidente, quando um amiguinho seu caiu sobre sua mão esquerda e você teve um problema sério em um dos dedos. Foram três operações e você, que é canhoto, foi obrigado a reaprender a escrever. Agora com a mão direita. Foi sofrido, mas você superou. Lembro que você aprendeu a ler antes dos sete anos e sempre gostou muito; gostava de jogar botão, jogar futebol, pegar passarinho, bola de gude( baleba, lá na sua querida São José do Calçado) e do Botafogo; que luta, seu pai era o maior flamenguista da cidade e você Botafogo. Aliás, em verdade, você nasceu canhoto não foi à toa, me permita dizê-lo, sempre gostou de contestar, questionar, querer saber o por quê, o como, enfim, uma mente indisciplinada e contestadora. E eu ali, te alertando, não faz isso , você vai se dar mal...e você seguia em frente, até se arrebentar todo. Ah, os limites, os seus eram ilimitados, só parava através da dor. Limites extremos, os seus. Tanto que avisei, até que percebi que não adiantava e me calei. Mas continuei ali, aquietada, mas sempre junto de você. Às vezes ria de suas trapalhadas e das saídas estaparfúdias que arrumava. Quando bebia, nossa!, você aprontava cada uma. Não, pode deixar, não vou dizer nada aqui, afinal é seu aniversário, mas que dá vontade, ah!, isso dá. Com o tempo você vai contando, agora que você está fazendo o que sempre gostou e largou de mão. Ler seus livros, escrever...ter seu cantinho pra ficar sossegado com seu filho( dê meus parabéns a ele pela formatura), tá, sei que não ganha dinheiro, mas ganha a alegria de fazer o que gosta. Dê um grande abraço em seus amigos blogueiros; o Ricardo Novais, que faz aniversário hoje, 19; e no Paulo Laurindo, alagoano arretado, no dia 21. No mais estarei aqui, onde sempre estive, sempre a sua disposição para nossos longos papos, que travamos por toda sua vida. Um grande abraço da Consuelo! Pode dizer quem sou eu, o pessoal já sabe que você não regula muito e não vai estranhar que você chame sua consciência por um nome próprio. Ah, antes que esqueça, seu Botafogo já voltou ao normal...calma...
Tragédia
No post, Morto por nós, escrevi que deveríamos discutir a situação do ensino público no país. Hoje me deparo com o resultado do Enem- 2009- e a tragédia, o descaso, a incúria, a cafajestice é maior que imaginava. Entre as mil melhores escolas, 887 são particulares; 85 federais; 26, estaduais; e 2, é...2, são municipais. Entre as dez melhores, rigorosamente todas, são particulares e entre as dez piores, rigorosa e solenemente, nove são estaduais e uma municipal; todas, portanto, públicas. Eis aí retratado o futuro da maior parcela de nossa população: a ignorância; a submissão a salários miseráveis; a exploração de sua miséria por políticos e religiosos inescrupolosos; a vergonha de se submeter em viver de favores de governos populistas e corruptos; a violência policial; a toda sorte de humilhações, tanto físicas, quanto sociais. Enquanto isso um governo de esquerda, o primeiro da história do país, está preocupado em fazer Copa do Mundo e Olimpíadas. Bilhões serão gastos, boa parte roubados- desvio é o cacete, quem tem desvio é ramal ferroviário- e sabem o que sobrará: dividas e elefantes brancos, como os do Pan no Rio. As ratazanas vão se fartar!
Não é admissível, que um governo que quer mudar o país- e algumas coisas mudaram, para melhor- não enfrente, com coragem e denodo, a tragédia educacional brasileira, o descalabro em que se encontra, privilegiando o ensino privado e privando a maior parte de nosso povo de um futuro minimamente digno. Votei no PT, fui petista nos primórdios do partido, e lamento profundamente o descaso do partido com a questão educacional.
Por onde andam os movimentos socias, tão empenhados em instituir cotas para estudantes carentes nas universidades, que não se mobilizam para exigir o essencial: Ensino público de qualidade para todos; negros, índios, brancos, amarelos, vermelhos, azuis, etc. A igualdade começa na base da pirâmide e não no cume. No cimo chegam os melhores, os mais inteligentes, os mais esforçados. São minoria e não precisam do Estado. O PT tem obrigação de enfrentar a situação de frente. Não queremos cotas para uns, queremos cotas para todos. É direito de nosso povo, e obrigação do governo. Principalmente de um governo de esquerda.
Não é admissível, que um governo que quer mudar o país- e algumas coisas mudaram, para melhor- não enfrente, com coragem e denodo, a tragédia educacional brasileira, o descalabro em que se encontra, privilegiando o ensino privado e privando a maior parte de nosso povo de um futuro minimamente digno. Votei no PT, fui petista nos primórdios do partido, e lamento profundamente o descaso do partido com a questão educacional.
Por onde andam os movimentos socias, tão empenhados em instituir cotas para estudantes carentes nas universidades, que não se mobilizam para exigir o essencial: Ensino público de qualidade para todos; negros, índios, brancos, amarelos, vermelhos, azuis, etc. A igualdade começa na base da pirâmide e não no cume. No cimo chegam os melhores, os mais inteligentes, os mais esforçados. São minoria e não precisam do Estado. O PT tem obrigação de enfrentar a situação de frente. Não queremos cotas para uns, queremos cotas para todos. É direito de nosso povo, e obrigação do governo. Principalmente de um governo de esquerda.
18 de julho de 2010
Sonhos
E os sonhos
de um mundo
mais igual
de justiça social,
o que sobrou deles?
pouco, quase nada
talvez umas fotos
perdidas numa gaveta qualquer
talvez um discurso
sem eira
sem beira
sem futuro
num boteco qualquer
bebendo um conhaque barato
no chão fétido
do boteco, qualquer,
a barata desfila
sua imensa feiúra,
mulheres gritam
num gole
sorve o conhaque e
esmigalha a barata
com seus sapatos rotos
o cadáver daquela barata
foi o que sobrou de seus sonhos,
uma morte barata
bebendo conhaque barato
num boteco barato
eivado de mulheres baratas.
de um mundo
mais igual
de justiça social,
o que sobrou deles?
pouco, quase nada
talvez umas fotos
perdidas numa gaveta qualquer
talvez um discurso
sem eira
sem beira
sem futuro
num boteco qualquer
bebendo um conhaque barato
no chão fétido
do boteco, qualquer,
a barata desfila
sua imensa feiúra,
mulheres gritam
num gole
sorve o conhaque e
esmigalha a barata
com seus sapatos rotos
o cadáver daquela barata
foi o que sobrou de seus sonhos,
uma morte barata
bebendo conhaque barato
num boteco barato
eivado de mulheres baratas.
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