Não tenho pátria; muito menos pátria amada; sou pátria nada; não-pátria, a minha, onde não desfilam homens armados; não há nem generais nem coronéis; minha pátria é solitária, desfilo sozinho na amplitude da avenida vazia. Um bêbado me saúda em continência; da outra calçada uma prostituta, desgrenhada da noite de trabalho me manda um beijo. Mais à frente, um homem de muletas se une às minhas fileiras, os três vira-latas que o acompanham formam a comissão de frente. Seguimos desfilando, quando um grupo de mendigos, com uma bandeira do Brasil, rasgada e suja, tremulando presa a um cabo de vassoura se une a nós. No quarteirão seguinte um bando de bêbados, acompanhados de algumas prostitutas e travestis, bebem em um trailer decadente, ao verem a tropa que desfila, aplaudem com entusiasmo e se unem a nós. Continuamos marchando, pouco mais um grupo de músicos saindo de uma boate vê a trupe que marcha imponente, pegam seus instrumentos e se postam atrás de nós, tocam Aquarela do Brasil, nos prédios algumas janelas se abrem e gritos de vivas começam a surgir, alguns jogam papel picado; na esquina seguinte um grupo de estudantes, carregando um poster do Che, nos aplaude com entusiasmo e cerram fileiras conosco. O céu começa a ficar branco de papéis esvoaçantes, o sol brilha fulgurante; seguimos, um grupo de soldados em sua fardas engalanadas, estão reunidos à espera do desfile oficial. Ao fundo a música muda, todos cantam O Bêbado e o Equilibrista, alguns soldados cantam junto conosco, aos poucos colocam suas armas no chão, vão saindo de suas fileiras e se unindo a nós. O povo desce das arquibancadas e passa a nos seguir, somos milhares. O som aumenta, os músicos militares agora reforçam nosso desfile. Chegamos em frente ao palanque das autoridades, alguém no meio de nossa multidão sobe no palanque, pega o microfone e começa a cantar o Hino Nacional. Todos cantam em comunhão, as autoridades descem do palanque e se vão, todos se confraternizam. Ao longe ouço o tropel de cavalos... Nos dispersamos. A pátria minha, morreu.
6 de setembro de 2010
5 de setembro de 2010
De saco cheio
Estou feliz por um motivo muito singelo, porque ontem à noite estava triste, e não precisei tomar Prozac; não precisei me embriagar, nem me drogar; não precisei ligar desesperado pro
meu psicológo( que não tenho!); apenas deixei que a a tristeza entrasse e fui ouvir música, aquelas que marcam o coração da gente. E foi bom ficar triste, é apenas um sentimento dos muitos que temos. Não tenho, não quero e não vou me submeter à busca da felicidade que nos vendem todos os dias. Não tenho obrigação de ser feliz, tenho obrigação de viver meus sentimentos, quaisquer que sejam eles. Vivemos tempos de mudanças, de fascismo social, ou segue- se os canônes que nos são impostos ou somos preconceituosos. Vão à merda!, meus caminhos escolho eu. Não sou o homem mais bonito do mundo( quase! quase!), nem o mais rico, nem o mais inteligente( por pouco!), nem mais nada; sou apenas mais " um ser vivente", como diz o Totó.
E de saco cheio com babaquices politicamente corretas. Outro dia li artigo de um cientista dizendo que as flatulências( peido, porra!) das vacas eram responsáveis pelo Efeito Estufa, ora vão peidar n'água pra ver se faz borbolha- faz!-; temos uma Constituição que diz que todos são iguais perante à lei. É cláusula pétrea, e criamos um monte de estatutos, decretos, portarias e sei lá mais o quê, para defender o óbvio. Se os gays querem se casar é direito deles, ao menos no civil, o Estado não pode interferir em uma decisão individual, de foro íntimo de cada um ; se as igrejas católicas e evangélicas não aceitam, também é direito delas; fundem uma igreja: Gays do Senhor, por exemplo, e se casem à vontade e não fiquem enchendo o saco. Têm milhões de pessoas passando fome no mundo e esses deserdados são vítimas de toda sorte de preconceito, humilhações , falta de direitos e pouca gente se lembra deles. Outro dia estava passeando com o Toy, o york mais folgado da face da Terra e duas senhorinhas, muito das gostosinhas, por sinal, pararam e ficaram alisando o safado, que se deitou de barriga pra cima e se entregou aos cafunés das madames; ao lado havia dois garotos- menores de rua viciados em cola e crack-, as duas passam por eles, viram a cara e uma diz: " Uma vergonha, como a prefeitura deixa esses lixos na rua!"
Muito provalvemente defendem o direito dos gays, são ecologicamente corretas, detestam fumantes( pobre de mim!), são " espiritualizadas" e estão " conectadas" ao Universo. Hahaha!
Adoramos chamar os políticos de corruptos, e nós?, que nos corrompemos todos os dias em busca de uma intangível felicidade, eivada de superficialidades e discursozinhos politicamente corretos que nos impõem e saimos repetindo sem questionar, modermos que somos. Ridiculamente modernos!
meu psicológo( que não tenho!); apenas deixei que a a tristeza entrasse e fui ouvir música, aquelas que marcam o coração da gente. E foi bom ficar triste, é apenas um sentimento dos muitos que temos. Não tenho, não quero e não vou me submeter à busca da felicidade que nos vendem todos os dias. Não tenho obrigação de ser feliz, tenho obrigação de viver meus sentimentos, quaisquer que sejam eles. Vivemos tempos de mudanças, de fascismo social, ou segue- se os canônes que nos são impostos ou somos preconceituosos. Vão à merda!, meus caminhos escolho eu. Não sou o homem mais bonito do mundo( quase! quase!), nem o mais rico, nem o mais inteligente( por pouco!), nem mais nada; sou apenas mais " um ser vivente", como diz o Totó.
E de saco cheio com babaquices politicamente corretas. Outro dia li artigo de um cientista dizendo que as flatulências( peido, porra!) das vacas eram responsáveis pelo Efeito Estufa, ora vão peidar n'água pra ver se faz borbolha- faz!-; temos uma Constituição que diz que todos são iguais perante à lei. É cláusula pétrea, e criamos um monte de estatutos, decretos, portarias e sei lá mais o quê, para defender o óbvio. Se os gays querem se casar é direito deles, ao menos no civil, o Estado não pode interferir em uma decisão individual, de foro íntimo de cada um ; se as igrejas católicas e evangélicas não aceitam, também é direito delas; fundem uma igreja: Gays do Senhor, por exemplo, e se casem à vontade e não fiquem enchendo o saco. Têm milhões de pessoas passando fome no mundo e esses deserdados são vítimas de toda sorte de preconceito, humilhações , falta de direitos e pouca gente se lembra deles. Outro dia estava passeando com o Toy, o york mais folgado da face da Terra e duas senhorinhas, muito das gostosinhas, por sinal, pararam e ficaram alisando o safado, que se deitou de barriga pra cima e se entregou aos cafunés das madames; ao lado havia dois garotos- menores de rua viciados em cola e crack-, as duas passam por eles, viram a cara e uma diz: " Uma vergonha, como a prefeitura deixa esses lixos na rua!"
Muito provalvemente defendem o direito dos gays, são ecologicamente corretas, detestam fumantes( pobre de mim!), são " espiritualizadas" e estão " conectadas" ao Universo. Hahaha!
Adoramos chamar os políticos de corruptos, e nós?, que nos corrompemos todos os dias em busca de uma intangível felicidade, eivada de superficialidades e discursozinhos politicamente corretos que nos impõem e saimos repetindo sem questionar, modermos que somos. Ridiculamente modernos!
4 de setembro de 2010
Zé Mané (I)
José Manoel, de batismo, Zé Mané, na vida, é um questionador revoltado com o mundo e suas incongruências. Detesta o nome: " Somos milhões de zé manés no Brasil e eu tenho de carregar o fardo deste nome maldito, não é justo...não mesmo!"- protesta ele. Já cheio de umas e outras- já está nas outras- seu esporte predileto é falar mal do governo. Final de tarde, boteco cheio, a turma exige de Zé Mané um discurso. Dirige-se ao centro do salão, entorna mais uma dose de conhaque e inícia sua peroração, rodeado de pinguços de todas às estirpes. A voz potente, um tanto quanto pastosa( por motivos óbvios) retumba pelo boteco.
" Zés, como eu, manés como " vozes", é preciso dar um basta na canalhada que tomou conta de nosso Brasil, outrora varonil, agora feminil, reajamos irmãos em fé e cana, vejam vocês hirsutos contribuintes, o governo federal, sustentado com o suor e o sangue de nossa labuta incessante, dispõe de quarenta e sete mil cargos de confiança para distribuir entre seus apaniguados e asseclas...um descalabro! Ora meus nobres colegas de altercações álcool- filosóficas, funcionário do Estado, qualquer um- do presidente ao mais humilde faxineiro é empregado nosso...do povo, que unido ou desunido sempre é vencido. E vejam meus nobres ouvintes, os dados que vos passo nessa sagrada hora de comunhão álcool- afetiva, se referem somente ao governo federal, imaginem vocês o que não ocorre nos estados, mormente os mais carentes, quase sempre dominados por oligarquias vorazes, como um cardume de piranhas, em abocanhar os suados reais que tiram de nossos esturricados bolsos. E " vozes", meus inauditos e ignaros companheiros de doces aventuras botiquinescas, me chamam de Zé Mané, o sou por imposição batismal e cartorial, pior sois "vozes", que o são por serem pobres anacolutos desta pátria, que antes de mãe gentil, é madrasta...a mais vil! Agora vosso vigintivirato orador vai sorver um nobre Jorginho( conhaque Georges Albert) no intuito de alimentar os neurônios de vigor energético advindo das nobres vinhas que produzem tão extasiante néctar. E tenho dito!
" Zés, como eu, manés como " vozes", é preciso dar um basta na canalhada que tomou conta de nosso Brasil, outrora varonil, agora feminil, reajamos irmãos em fé e cana, vejam vocês hirsutos contribuintes, o governo federal, sustentado com o suor e o sangue de nossa labuta incessante, dispõe de quarenta e sete mil cargos de confiança para distribuir entre seus apaniguados e asseclas...um descalabro! Ora meus nobres colegas de altercações álcool- filosóficas, funcionário do Estado, qualquer um- do presidente ao mais humilde faxineiro é empregado nosso...do povo, que unido ou desunido sempre é vencido. E vejam meus nobres ouvintes, os dados que vos passo nessa sagrada hora de comunhão álcool- afetiva, se referem somente ao governo federal, imaginem vocês o que não ocorre nos estados, mormente os mais carentes, quase sempre dominados por oligarquias vorazes, como um cardume de piranhas, em abocanhar os suados reais que tiram de nossos esturricados bolsos. E " vozes", meus inauditos e ignaros companheiros de doces aventuras botiquinescas, me chamam de Zé Mané, o sou por imposição batismal e cartorial, pior sois "vozes", que o são por serem pobres anacolutos desta pátria, que antes de mãe gentil, é madrasta...a mais vil! Agora vosso vigintivirato orador vai sorver um nobre Jorginho( conhaque Georges Albert) no intuito de alimentar os neurônios de vigor energético advindo das nobres vinhas que produzem tão extasiante néctar. E tenho dito!
Adeus
Está na hora de ir
Acabou-se o tempo
Meu Deus!
Ó Deus!
Adeus!
É tempo do nada:
Com Deus?
Sem Deus?
Que me importa?
Levanto-me, sereno,
E vou abrir a porta
Não há Deus
Na soleira da porta
Só...Adeus!
Acabou-se o tempo
Meu Deus!
Ó Deus!
Adeus!
É tempo do nada:
Com Deus?
Sem Deus?
Que me importa?
Levanto-me, sereno,
E vou abrir a porta
Não há Deus
Na soleira da porta
Só...Adeus!
2 de setembro de 2010
Excesso
Eu
Nasci
Excesso
Vivi
Demasiado
Excesso
De álcool
De cigarro
De paixão
Excedi-me
De mim
De vida
De tudo
Sobrei-me
Em solidão
E assim
Vou seguindo
À procissão
Dos fantamas
Que me sobraram
Ao menos
Não estou
Só
Nasci
Excesso
Vivi
Demasiado
Excesso
De álcool
De cigarro
De paixão
Excedi-me
De mim
De vida
De tudo
Sobrei-me
Em solidão
E assim
Vou seguindo
À procissão
Dos fantamas
Que me sobraram
Ao menos
Não estou
Só
Quando fores
quando fores
morte, será tarde
de ti ficará
quase nada
um pouco de pó
uma leve saudade
um lap-top avariado
uma vida mal vivida
um vestido amarrotado
uma- talvez!- lágrima derramada
e só! o que é muito-ainda.
morte, será tarde
de ti ficará
quase nada
um pouco de pó
uma leve saudade
um lap-top avariado
uma vida mal vivida
um vestido amarrotado
uma- talvez!- lágrima derramada
e só! o que é muito-ainda.
E eu pago
Acabo de falar com Totó, que anda sumido, e estou aqui rachando de rir. Depois das lamúrias sobre o seu time, que anda apanhando mais que as mulheres do Bruno, perguntei pelo Jilózinho, eis a resposta: - Aquele safado tá de caganeira, nem foi no velório da mulher do vizinho lá no Montanha Clube, quer dizer, mulher do vizinho não, quem morreu foi uma mulher que era cunhada da mulher do vizinho( não entendi bem, mas acho que o vizinho é dele, Totó), liguei pra ele e disse que não iria pois estava com diarréia. Diarréia nada, está é de caganeira de tanto beber cahaça, agora não compra mais bujãozinho é litro mesmo, quando vou zangar com ele, desliga o telefone na minha cara.
- Mas Totó, você conhecia a finada?- pergunto.
- Conhecer...conhecer...conhecia não, mas sou amigo do vizinho e fui ao enterro ver o movimento e encontrar os conhecidos. Até que tava bem animadinho o velório, aqui em Calçado anda tão parado que até velório dá audiência. Só faltou mesmo o cagão do Jilózinho...hahahah!
- Totó, quando vai aparecer aqui em Niterói?- indago.
- Só quando morrer e virar assombração, quem aparece é assombração seu burrinho, meu ser está querendo ir aí em novembro, de corpo presente e não aparecendo. E você vai pagar minha passagem, sem reclamar!, saí de uma prestação e entrei em outra e estou numa pindaíba danada. E vê se não me liga mais à tarde, estava tirando minha soneca e você me acordou, aliás, não me liga, eu ligo pra você, assim é melhor. Toinha me manda uns R$ 100.00, estou devendo um dinheirinho à minha lavadeira, mas só a parte do extra que ela faz. Antes que pergunte vou logo explicando: cada vez que vem lavar minhas roupas pago R$ 20.00, agora lavar e trepar é R$ 40.00, e estou em débito na segunda parte. Tô devendo R$ 60.00, você manda R$ 100.00, pago os atrasados e adianto duas, aí consigo uma de lambuja, entendeu seu burrinho. Bota amanhã na Banco do Brasil, ela vem sábado, e sábado passado ela já falou que se não pagar, meu crédito acabou e vou ter de me virar na mão mesmo. E vê se liga pro Jilózinho e zanga com ele, estou preocupado, é safado igual a você, mas adoro ele. Agora vou desligar, tenho de terminar minha soneca. Abraço!
E desliga o telefone na minha cara, como sempre!
- Mas Totó, você conhecia a finada?- pergunto.
- Conhecer...conhecer...conhecia não, mas sou amigo do vizinho e fui ao enterro ver o movimento e encontrar os conhecidos. Até que tava bem animadinho o velório, aqui em Calçado anda tão parado que até velório dá audiência. Só faltou mesmo o cagão do Jilózinho...hahahah!
- Totó, quando vai aparecer aqui em Niterói?- indago.
- Só quando morrer e virar assombração, quem aparece é assombração seu burrinho, meu ser está querendo ir aí em novembro, de corpo presente e não aparecendo. E você vai pagar minha passagem, sem reclamar!, saí de uma prestação e entrei em outra e estou numa pindaíba danada. E vê se não me liga mais à tarde, estava tirando minha soneca e você me acordou, aliás, não me liga, eu ligo pra você, assim é melhor. Toinha me manda uns R$ 100.00, estou devendo um dinheirinho à minha lavadeira, mas só a parte do extra que ela faz. Antes que pergunte vou logo explicando: cada vez que vem lavar minhas roupas pago R$ 20.00, agora lavar e trepar é R$ 40.00, e estou em débito na segunda parte. Tô devendo R$ 60.00, você manda R$ 100.00, pago os atrasados e adianto duas, aí consigo uma de lambuja, entendeu seu burrinho. Bota amanhã na Banco do Brasil, ela vem sábado, e sábado passado ela já falou que se não pagar, meu crédito acabou e vou ter de me virar na mão mesmo. E vê se liga pro Jilózinho e zanga com ele, estou preocupado, é safado igual a você, mas adoro ele. Agora vou desligar, tenho de terminar minha soneca. Abraço!
E desliga o telefone na minha cara, como sempre!
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