9 de setembro de 2010

Uma Estrela


Eu conheci uma Estrela, uma Estrela linda, bela e meiga, uma Estrela em forma de mulher, que aos vinte e cinco anos está lutando pela vida, tem uma doença grave a doce estrela e ainda assim brilha em generosidade, em desprendimento, em amor à vida, a sua e de seus semelhantes.

Uma Estrela que luta sem cessar para manter seu brilho fulgurante e enfrenta seus dramas- um familiar de estarrecer que não posso e nem quero falar aqui- e o da doença insidiosa que tenta apagar seu brilho. E ainda assim ela luta para continuar brilhando, iluminando este mundo, que anda tão opaco em amor, em solidariedade, em ternura, em afeto.

Lute, Estrela, mantenha seu brilho por sobre nós, que andamos tão soturnos e insensíveis ao outro, aos outros, fechados em nossa mesquinharia diária; você, Estrela bela, nos faz humanos novamente, sua luta sem tréguas pra se manter brilhando, no viço de sua juventude, não nos deixa esquecer nossa dimensão frágil no mundo, mas ao mesmo tempo resgata nossos sentimentos de amor ao próximo, que sofre com grandeza e delicadeza no coração, como você.

Queria poder te dar um grande e afetuoso abraço em agradecimento por ter te conhecido, mas você está longe, muito longe e hoje quando meu filho, que tem a mesma idade que você, saiu, ele lhe dei um abraço e um beijo, e era você que estava ali naquele momento. Um dia lhe negaram amor, mas você é estrela, e estrelas vivem para esparramar luz e amor ao mundo e a vida que tem sido tão dura com você, há de reconhecer seu brilho e realizar seus sonhos.

Continue, Estrela...lute e mantenha-se generosa, doce e terna. Seu pai foi sábio quando te batizou: Estrela!...de fé e esperança. Obrigado, por tudo.

8 de setembro de 2010

Impagável

Tenho de rir, Lula conseguiu um feito que ainda não foi devidamente avaliado: acabou com o poder da grande mídia, notadamente das Organizações Globo, definirem os destinos do país. Brizola tentou e, à época, foi massacrado impiedosamente pela Globo, mas a semente ficou.
A Globo, que apoiou a finada ditadura militar até o fim, com motivos, foi através de seu apoio aos milicos que montou o império que é hoje; a Globo, que não denunciou o esquema Proconsult, que visava roubar votos de Brizola ao governo do Rio; a Globo que escondeu o movimento Diretas Já enquanto pode; a Globo que editou o último debate entre Collor e Lula, favorecendo o primeiro no Jornal Nacional; a Globo que defende o livre-mercado e dá ataques histéricos quando alguém ameaça seu monopólio televisivo no país, vide sua campanha permamente contra a Record, tão ruim quanto eles, diga-se de passagem; a Globo que monopoliza nosso futebol e bota jogo às 10 da noite; pois é, a Rede Globo, não elege  mais presidente neste país, e está histérica,  Ontem o inefável Merval Pereira, analista político(?) do Globo, com seu bigodinho ridículo, estava apoplético, e acusava os blogs- vejam vocês, BLOGS!- favoráveis ao governo de estarem destruindo a democracia no país...hahaha...O Globo defendendo democracia, desculpem, mas....hahaha...
A direita ainda não percebeu que o avanço do capitalismo- sim, do capitalismo- brasileiro, está mudando as estruturas de poder no país, inclusão não é só econômica e Lula, gostando-se ou não dele, deu às grandes massas uma percepção de pertencimento, de que fazem parte da nação e que podem e devem influir em seu destino. Veem Lula como um deles e que conseguiu o que lhes parecia impossível: chegar ao cargo máximo da nação. Ah, e aos elitistazinhos que adoram dizer que o povo não sabe votar, por que não disseram o mesmo quando este mesmo povo votou no Collor, figura grotesca, que foi incensado como salvador da pátria pela Globo e por nossas elites; porque não disseram o mesmo quando FHC venceu duas eleições contra Lula. Quem votou no Collor não pode acusar ninguém de não saber votar, e democracia pressupõe erros e acertos; o povo americano elegeu Bush, uma anta com orelhas de asno duas vezes; Berlusconi, um escroque de quinta categoria, é primeiro- ministro da Itália. E o mundo não acabou.
Mas que tá divertido ver a Globo histérica, lá isso tá...impagável!!!







7 de setembro de 2010

As lágrimas

Somos iguais
não por sermos humanos .
Mas por serem idênticas
as lágrimas que choramos.               

E só

Solidão não é estar sozinho- não!-, é estar abandonado, de si, do outro, do mundo.  Solidão paralisa, machuca a alma, é não-opção; estar sozinho é reflexão, estar em acordo com seus sentimentos: é ver, sentir, pensar, é opção. Vivi anos em solidão acompanhada e descobri que o caminho, o meu, era outro. E não passa pelo outro, qualquer outro, passa por mim e " minhas circunstâncias"( Sartre, acho...se não for corrijam-me). O outro pode  completar parte de mim, mas não pode ser muleta, controle, conflito; solidão acompanhada, mal!
Paz é a chave, não ser feliz, uma impossibilidade existencial: ninguém é feliz completamente sabendo que a morte lhe espera na esquina, se não na próxima, na seguinte. Paz é aceitação de nossa finitude, de nossas impotências, da impermanência das coisas e da vida e ainda assim ser grato a ela. Grato por ler um belo poema; grato pelos amores que passaram; grato por poder ouvir Beethoven; grato pelo amor que virá, se não vier, chore, e seja grato às lágrimas por expelirem sua dor.

Já tive diversas mulheres e estava sozinho; vivi anos rodeado de amigos nos bares da vida e estava sozinho; comprei todos os prazeres que o dinheiro pode( supostamente!) comprar e es tava sozinho. Acabei-me em solidão. Hoje não estou mais sozinho, descobri que sou uma excelente companhia,  ao menos para mim. O que no momento anda me bastando.

"...e só quando estamos em nós/ estamos em paz./ Mesmo que estejamos a sós". Paulo Leminski.




6 de setembro de 2010

A pátria minha

Não tenho pátria; muito menos pátria amada; sou pátria nada; não-pátria, a minha, onde não desfilam homens armados; não há nem generais nem coronéis; minha pátria é solitária, desfilo sozinho na amplitude da avenida vazia. Um bêbado me saúda em continência; da outra calçada uma prostituta, desgrenhada da noite de trabalho me manda um beijo. Mais à frente, um homem de muletas se une às minhas fileiras, os três vira-latas que o acompanham formam a comissão de frente. Seguimos desfilando, quando um grupo de mendigos, com uma bandeira do Brasil, rasgada e suja, tremulando presa a um cabo de vassoura se une a nós. No quarteirão seguinte um bando de bêbados, acompanhados de algumas prostitutas e travestis, bebem em um trailer decadente, ao verem a tropa que desfila, aplaudem com entusiasmo e se unem a nós. Continuamos marchando, pouco mais um grupo de músicos saindo de uma boate vê a trupe que marcha imponente, pegam seus instrumentos e se postam atrás de nós, tocam Aquarela do Brasil, nos prédios algumas janelas se abrem e gritos de vivas começam a surgir, alguns jogam papel picado; na esquina seguinte um grupo de estudantes, carregando um poster do Che, nos aplaude com entusiasmo e cerram fileiras conosco. O céu começa a ficar branco de papéis esvoaçantes, o sol brilha fulgurante; seguimos, um grupo de soldados em sua fardas engalanadas, estão reunidos à espera do desfile oficial. Ao fundo a música muda, todos cantam O Bêbado e o Equilibrista, alguns soldados cantam junto conosco, aos poucos colocam suas armas no chão, vão saindo de suas fileiras e se unindo a nós. O povo desce das arquibancadas e passa a nos seguir, somos milhares.  O som aumenta, os músicos militares agora reforçam nosso desfile. Chegamos em frente ao palanque das autoridades, alguém no meio de nossa multidão sobe no palanque, pega o microfone e começa a cantar o Hino Nacional. Todos cantam em comunhão, as autoridades descem do palanque e se vão, todos se confraternizam. Ao longe ouço o tropel de cavalos...  Nos dispersamos. A pátria minha, morreu.




5 de setembro de 2010

De saco cheio

Estou feliz por um motivo muito singelo, porque ontem à noite estava triste, e não precisei tomar Prozac; não precisei me embriagar, nem me drogar; não precisei ligar desesperado pro
meu psicológo( que não tenho!); apenas deixei que a a tristeza entrasse e fui ouvir música, aquelas que marcam o coração da gente. E foi bom ficar triste, é apenas um sentimento dos muitos que temos. Não tenho, não quero e não vou me submeter à busca da felicidade que nos vendem todos os dias. Não tenho obrigação de ser feliz, tenho obrigação de viver meus sentimentos, quaisquer que sejam eles. Vivemos tempos de mudanças, de fascismo social, ou segue- se os canônes que nos são impostos ou somos preconceituosos. Vão à merda!, meus caminhos escolho eu. Não sou o homem mais bonito do mundo( quase! quase!), nem o mais rico, nem o mais inteligente( por pouco!), nem mais nada; sou apenas mais " um ser vivente", como diz o Totó.
E de saco cheio com babaquices politicamente corretas. Outro dia li  artigo de um cientista dizendo que as flatulências( peido, porra!) das vacas eram responsáveis pelo Efeito Estufa, ora vão peidar n'água pra ver se faz borbolha- faz!-; temos uma Constituição que diz que todos são iguais perante à lei. É cláusula pétrea, e criamos um monte de estatutos, decretos, portarias e sei lá mais o quê, para defender o óbvio. Se os gays querem se casar é direito deles, ao menos no civil, o Estado não pode interferir em uma decisão individual, de foro íntimo de cada um ; se as igrejas católicas e evangélicas não aceitam, também é direito delas; fundem uma igreja: Gays do Senhor, por exemplo, e se casem à vontade e não fiquem enchendo o saco. Têm milhões de pessoas passando fome no mundo e esses deserdados são vítimas de toda sorte de preconceito, humilhações , falta de direitos e pouca gente se lembra deles. Outro dia estava passeando com o Toy, o york mais folgado da face da Terra e duas senhorinhas, muito das gostosinhas, por sinal, pararam e ficaram alisando o safado, que se deitou de barriga pra cima e se entregou aos cafunés das madames; ao lado havia dois garotos- menores de rua viciados em cola e crack-, as duas passam por eles, viram a cara e uma diz: " Uma vergonha, como a prefeitura deixa esses lixos na rua!"
Muito provalvemente defendem o direito dos gays, são ecologicamente corretas, detestam fumantes( pobre de mim!), são " espiritualizadas" e estão " conectadas" ao Universo. Hahaha!

Adoramos chamar os políticos de corruptos, e nós?, que nos corrompemos todos os dias em busca de uma intangível felicidade, eivada de superficialidades e discursozinhos politicamente corretos que nos impõem e saimos repetindo sem questionar, modermos que somos. Ridiculamente modernos!




4 de setembro de 2010

Zé Mané (I)

José Manoel, de batismo, Zé Mané, na vida, é um questionador revoltado com o mundo e suas incongruências. Detesta o nome: " Somos milhões de zé manés no Brasil e eu tenho de carregar o fardo deste nome maldito, não é justo...não mesmo!"- protesta ele. Já cheio de umas e outras- já está nas outras- seu esporte predileto é falar mal do governo. Final de tarde, boteco cheio, a turma exige de Zé Mané um discurso. Dirige-se ao centro do salão, entorna mais uma dose de conhaque e inícia sua peroração, rodeado de pinguços de todas às estirpes. A voz potente, um tanto quanto pastosa( por motivos óbvios) retumba pelo boteco.
" Zés, como eu, manés como " vozes", é preciso dar um basta na canalhada que tomou conta de nosso Brasil, outrora varonil, agora feminil, reajamos irmãos em fé e cana, vejam vocês hirsutos contribuintes, o governo federal, sustentado com o  suor e o sangue de nossa labuta incessante, dispõe de quarenta e sete mil cargos de confiança para distribuir entre seus apaniguados e asseclas...um descalabro! Ora meus nobres colegas de altercações álcool- filosóficas, funcionário do Estado, qualquer um- do presidente ao mais humilde faxineiro é empregado nosso...do povo, que unido ou desunido sempre é vencido. E vejam meus nobres ouvintes, os dados que vos passo nessa sagrada hora de comunhão álcool- afetiva, se referem somente ao governo federal, imaginem vocês o que não ocorre nos estados, mormente os mais carentes, quase sempre dominados por oligarquias vorazes, como um cardume de piranhas, em abocanhar os suados reais que tiram de nossos esturricados bolsos. E " vozes", meus inauditos e ignaros companheiros de doces aventuras botiquinescas, me chamam de Zé Mané, o sou por imposição batismal e cartorial, pior sois "vozes", que o são por serem pobres anacolutos desta pátria, que antes de mãe gentil, é madrasta...a mais vil! Agora vosso vigintivirato orador vai sorver um nobre Jorginho( conhaque Georges Albert) no intuito de alimentar os neurônios de vigor energético advindo das nobres vinhas que produzem tão extasiante néctar. E tenho dito!