27 de setembro de 2010

Diário Oficial da Ditadura III

Editorial de O Globo, ex-Dário Oficial da Ditadura, deixou de sê-lo porque a ditadura acabou, publicado em 15 de dezembro de 1989:


As ideias de Collor (…) são modernas. Ele prega o restabelecimento da eficiência econômica, na razão direta de um Estado mais magro e mais ágil – como única via para alcançar justiça social. Quer abrir os portos, dinamizar as trocas, aumentar a produção e a produtividade com base na maior liberdade de empreender, e pretende encontrar a saída para os pontos de estrangulamento pela via do diálogo e da inserção dinâmica do País na comunidade das grandes potências. (…) Em Collor é possível depositar esperança, porque suas propostas estão em consonância com os procedimentos que, no resto do Mundo, têm propiciado bem-estar aos povos.


Acho desnecessário tecer qualquer comentário, a não ser o de que eles continuam sendo os mesmos reácionários que sempre foram. Vejam parte do editorial deles em 2 de abril de 64, apoiando o Golpe Militar:


Agora, o Congresso dará o remédio constitucional à situação existente, para que o País continue sua marcha em direção a seu grande destino, sem que os direitos individuais sejam afetados, sem que as liberdades públicas desapareçam, sem que o poder do Estado volte a ser usado em favor da desordem, da indisciplina e de tudo aquilo que nos estava a levar à anarquia e ao comunismo.
Poderemos, desde hoje, encarar o futuro confiantemente, certos, enfim, de que todos os nossos problemas terão soluções, pois os negócios públicos não mais serão geridos com má-fé, demagogia e insensatez.



Ficamos 21 anos em tratamento com os" remédios" deles: censura, cassações, tortura, assassinatos; foi ineficaz o tratamento: a democracia venceu, apesar do tratamento intensivo a que nos submeteram. É essa gente que diz defender a liberdade de imprensa. Canalhas!!!


                                                     
A democracia "deles"
                                                                

Ausência

ficou o desejo
mais nada
o coração que sangra
a vontade reprimida
angústia que dói
e mói o coração
resta-me fazer
uma oração
sem nexo
do que foi
sem ter sido
de amor ausente
seria grande
infinito até
mas não foi
não é
pode vir a ser
não sei dizer
nem maldizer
resta- me viver
sou livre
sou um
só de ti

fiquei ao léo
sem ponto
sem vírgula
sem  acento
sobrou-me um travessão
ponte para a saudade
de sua ausência
sem presença
um travessão
ponte sem destino
que estou
ou sou   




                                                                           

Um homem estranho

Sou estranho, um homem estranho, me disse uma pessoa de quem gosto muito, mais que deveria. A frase martela na minha cabeça: você é um homem estranho. Acho que ninguém nunca me definiu tão bem : um homem estranho é o que sou, passei a vida tentando descobrir o que sou e uma mulher definiu o que sou: um homem estranho...é verdade...sou estranho, emotivo demais, prefiro um bom livro a um belo carro, não acho que as coisas " são assim mesmo", perdi anos de minha vida em busca da tal felicidade, para descobrir que ela não existe, ao menos a que procurei, me afoguei em álcool, jogando fora, mais que dinheiro, sentimentos, sonhos, afetos. Fui ao inferno da alma partida, da solidão absoluta, da dor lancinante do espírito alquebrado. Um rastro de destruição, de desamor, de tudo- não sei definir. Câncer na alma, como disse a ela. Fui, muitas vezes, generoso com quem não merecia e mesquinho comigo e com  pessoas que definitivamente não mereciam. A elas peço perdão. É o mínimo que posso fazer.
Estranho...um homem estranho...lá fora chove...chuva triste...amor que não foi...pena, seguirei só, triste como a chuva, que há de passar, como a tristeza que sinto...homem estranho: verdade!

                                                                  

26 de setembro de 2010

Domingo

domingo
nublado
leve
tristeza
paira
no
ar

angústia
de
nada
talvez
de
ausência
ou
simples
penitência
de
alma
solitária


                                               

25 de setembro de 2010

Dani

Os cabelos são fartos e negros, boca carnuda e sensual de sorriso matreiro, a pele morena e lá vem ela, linda e faceira, vem aos poucos, negaceia, diz que não quer- querendo, o tom da bela voz, firme e doce, atrai e, ao mesmo tempo, a trai. Vem aos poucos, disfarça o desejo, tenta submeter o fogo que a consome, às vezes some- mas volta, negaceando, mas vem vindo, protege-se na distância, como se houvesse distância para o desejo;  a paixão arde tomando seu corpo esbelto, disfarça, muda de assunto,some, volta e provoca...mas vem vindo, o caminho se estreita, fica à cada dia mais curto, o fogo da paixão queima suas entranhas, incêndio incontrolável, ainda que diga não e tente fugir...vindo...devagar, com medo...da paixão, da entrega absoluta. Não adianta, não é desatino, nem destino...é atração, desejo. Na luta entre razão e paixão, o vencedor é sempre a segunda...é fogo...incontrolável de corpos que se unem... se fundem...o suor que escorre...o cheiro forte da paixão reprimida a perfumar o quarto... tempo que para...o beijo  suave nos lábios trêmulos de desejo realizado...uma lágrima de felicidade a escorrer dos olhos negros e densos...



                                                              

Glorioso

Glorioso, sempre!




Hoje é um dia importantíssimo, está fazendo cem anos que o Botafogo ganhou seu primeiro título de campeão carioca e devido à gloriosa campanha passou a ser chamado de Glorioso.  Como em  nosso Glorioso tudo é diferente e complicado, nosso primeiro título foi na verdade o segundo.
Já sei que não entenderam, vou explicar, se tiverem paciência, se não, azar o de vocês, vão continuar um pouco mais ignorantes. Em 1907 Botafogo e  FluminenC disputavam o título, faltava ao Botafogo realizar uma última partida, contra um time fraquíssimo, vencendo empataria com os tricolores( troço muito colorido é coisa de gay, né não?!) e os superaria no saldo de gols, sendo campeão. Numa manobra ardilosa os tricolores entraram em acordo($$$$) com o tal clube, que não apareceu para jogar, com a desistência dos canalhas o Botafogo venceu por W.O e não pode fazer os gols que necessitava e o FluminenC seria campeão- vejam vocês, estamos sendou roubados há mais de um século, andei dando uma pesquisada e nos cerca de 110 campeonatos cariocas que disputamos , ganhamos 19, e fomos miserável e escandalosamente roubados em outros 84. Os outros sete perdemos honestamente, sou justo e reconheço quando merecemos perder-, fomos à justiça , que rapidamente julgou o caso- na década de 90 do século passada- quase 90 anos depois, e fomos declarados campeões junto com FluminenC.Péssima companhia para se dividir um título. Temos um pouco de vergonha do título de 1907, não pelo título, mas pela " alegre" companhia dos Pó de Arroz.

Detalhe interessante é que no time campeão de 1910 jogava Dinorah de Assis, irmão de Dilermando de Assis, que andava corneando o grande Euclides da Cunha( dizem que ele era torcedor do time lá da Gávea, pobre Gávea um bairro tão bonito!),  revoltado Euclides foi matar Dilermando, Dinorah entrou na frente do irmão e foi ferido por Euclides, que em seguida foi morto por Dilermando.  Corno e morto, triste o fim de Euclides.

Dinorah De Assis, Heleno de Freitas, Garrincha, eis porque vamos da glória à tragédia em um átimo de segundo, o Botafogo não é bafejado pela sorte. Azar dela, nós nos bastamos.





Prestem atenção na emoção do garotinho.

24 de setembro de 2010

Diário Oficial da Ditadura II

Ia falar de outro assunto, mas não dá, ontem saiu a notícia que o mercado de trabalho brasileiro está em seu melhor momento nos últimos oito anos, a taxa de desemprego caiu, a informalidade recuou e os ganhos dos trabalhadores foram recordes: alta de 1,4% em relação a julho e de 5,5% em relação a agosto de 2009. Sabem  onde li a notícia, em O Globo, na seção de Economia, na primeira página nem uma linha. Em qualquer jornal do mundo com um mínimo de isenção, tal notícia seria manchete. No novo paladino da "democracia"- ex-Diário Oficial da Ditadura- nada; com boa vontade, podemos chamar de má-fé, mas não é: é canalhice pura e simples, desfaçatez desmedida. Outro dia, o Merval Pereira( aquele dos dentinho ridículos, encobertos por um bigode mais ridículo ainda), em sua coluna lá no Grobo- desculpem, é que sou anafalbeto e faço parte da massa amorfa, manipulada pelo governo- disse que o país só está crescendo graças " aos bons ventos da ecomonia mundial", ué, pelo que leio e vejo a economia mundial, mormente os países ricos, está enfrentando uma das maiores crises econômicas desde 1929. Disse mais, o bigodentuço, que os blogs " chapas- brancas", ou seja, os que são favoráveis ao governo, estão destruindo a democracia no país.É verdade, a " democracia deles"- conservadora, elitista, preconceituosa- acabou, por isso estão histéricos e no jornal Extra, do mesmo grupo, na edição de hoje, fazem uma matéria pseudo-irônica com Lula: Lula é bonito, é a manchete principal, acima dela: Essa é a manchete para quem acha que o papel da imprensa é bajular os donos do poder(...).
Bem...vou começar: as Organizações Globo, não só bajularam, como foram subservientes à ditadura militar que infelicitou o pais durante longos 21 anos, a tal ponto que o jornal O Globo era chamado, à época, de Diário Oficial da Ditadura,  construiram o império que tem hoje lambendo os coturnos dos militares, são covardes, enquanto milhares foram presos, exilados e mortos,  as Organizações Globo cresciam à sombra dos generais-ditadores que estivessem de plantão, se hoje vocês têm liberdade de falar mal do governo deve-se à luta e ao sangue de muitos que lutaram contra a ditadura que vocês tão galhardamente serviram, até o fim. A grandeza de vocês é manchada pelo sangue dos que foram torturados e mortos pela ditadura, que vocês apoiaram com denodo, competência, submissão e covardia.

A imprensa é livre, e nós somos livres para discordar dela, defenderei sempre o direito de cada um dizer o que quiser, quem se sentir ofendido que procure a justiça. Agora me calar perante falsos democratas, jamais, não tenho esse direito. Quando nada pela memória dos que morreram lutando contra a ditadura, da qual o jornal O Globo era porta-voz, quase que oficial.


                                                            "os democratas"