2 de novembro de 2010

Na vastidão do oceano

E serei veleiro
a singrar sem rumo
todos os mares do mundo

Velejarei em solidão
serei eu e meus fantasmas
[ são eles: desencanto
                                     frustração
                                                    saudade]

E na praia mais deserta
recolherei a mais bela flor


E a carregarei comigo
morrendo devagar
como o amor que tento
matar em mim

Mas não sou assassino
sou apenas um homem
com alma de menino

E deixarei que o amor viva
ele não tem culpa do tormento
de min'alma exangue

E na vastidão do oceano
olharei o infinito
que é o exato tamanho
da saudade que sinto


                                                                                                                                                                                       

1 de novembro de 2010

Solidão acompanhada

de hoje a doravante
resta-me seguir adiante
e amar amores que não quero
cansei de ser sincero.

de hoje a doravante
em vez de dor
serei um grande fingidor

fingirei até ter um
grande amor
um aqui
outro acolá

de hoje a doravante
voltarei a ser amante
da mulher qualquer
que me quiser

de hoje a doravante
serei sempre
solidão acompanhada

Melhor que nada!

Com alegria

procuro lembrar
meus mortos
queridos
com alegria

a tristeza
é só pela
falta
pela saudade
que deles
sinto

eu
que
sou
metade
falta
metade
saudade

com
o que
sobra
tento
ser
feliz

                                                                                      
                                                                                

Tiririca, o homem certo no lugar certo

Me orgulho do Brasil, somos deverás criativos,
só nós conseguímos inventar o capitalismo de Estado
e o socialismo de mercado. Eita país complicado!

Não cumprimos nossas leis e inventamos novas
leis para fazer cumprir as que não são cumpridas.
Se não entenderam, tudo bem, a ideia é essa mesmo.
Tome uma cachaça e coma um torresmo.

Somos tão ajeitados que roubar do Estado
é até desculpado, nem roubo é, é apenas
dinheiro desviado do público para o privado.

Reinventamos o comunismo, que aqui não é
comum a todos, é comum aos nossos,
que não são tolos.

Um vem e privatiza, outro vem e desprivatiza
e vira tudo uma grande privada. Cheia de nós,
os merdas, que os sustentamos.

Misturamos alhos com bugalhos
e geramos os otários. E nossos bugalhos
veem mas não enxergam.

Juntamos um grupo de políticos, de preferência
bem larápios, e chamamos de coalizão. Coalizão
para desvio(?!) de verbas públicas sem punição.

Eu te chamo de ladrão, tu me chamas de ladrão,
quando acaba a eleição estamos juntos a nos dar às mãos.

É a festa da democracia, políticos entram com o bônus e o povo arreganha o ônus...

E de titica a tiririca " nóis vai si fufendô!"

Tiririca: erva daninha difícil de ser erradicada; punguista, batedor de carteira( gíria usada no sul); Tiririca, deputado federal, o homem certo no lugar certo!

                                                                                                                                          

Um eterno nada há

Viver
é
mais
ou
menos
como
morrer

que
em
vida

e
morrer
tem
suas
vantagens

não

mais
contas
a
pagar

ex
mulher
a
te
aporrinhar

Não

danielle
para
me
apaixonar

é
um
eterno
nada

                                                                                                  

31 de outubro de 2010

A liberdade do povo

Estranhos somos nós,
                                      Povo!

Brigamos para escolher

Quem vai nos mandar

E podemos matarmo-nos nós,
                                                   Povo!

Pela liberdade de entregar

Nossa liberdade a outrem

Pobre de nós parvo,
                                  Povo!
                                                                   
                                                           

30 de outubro de 2010

Um bolero para Danielle

...e ela foi se achegando devagar...bem tímida e desconfiada...anda lentamente em direção a mim...em seus olhos lindos de negritude ofuscante...desejo e medo se contradizem em cada piscar...o corpo moreno e bem torneado...apenas uma  leve camisola branca....de sensual delicadeza o recobre...vem se chegando devagar...um leve tremor envolve seus lábios...quando mais perto mais sinto seu odor...embriagante  desejo meu...está de pé em minha frente...eu...sentado na cama...estou sublimado de beleza dela...levanto-me...toco suavemente seu rosto...sinto seu corpo tomado por arrepio...a tensão aumenta...beijo seus lábios vagarosamente...ela vai se entregando...seus braços torneiam meu pescoço...aumenta a força do beijo...a respiração começa a ficar ofegante...solto o laço que prende a camisola ao seu corpo...ela escorre ao chão...o rádio toca Bolero de Ravel... a intensidade da música vai aumentando...a intensidade do desejo a segue...o beijo já é quase selvagem...a música vai explodindo aos poucos...nos jogamos sobre a cama...somos um só corpo agora... a orquestra explode em apoteose...nós explodimos em paixão...corpos suados...eternos...a música cessa...nós abraçados em silêncio sublime... a morte não me importa mais...