28 de novembro de 2010

É assim mesmo

eu já perdi um amigo
achado por uma bala perdida

perdidas não são as balas
perdidos somos nós
em nosso conformismo
em nosso " é assim mesmo"
em nosso " isso não tem jeito"
em nosso " político é tudo igual"

e as balas perdidas continuarão
achando nossos amigos
nossos vizinhos
nossas mulheres
nossos filhos
até sermos por uma
achados

é assim mesmo...

                                                                                       

27 de novembro de 2010

Em uma semana tudo volta ao " normal"

Vocês sabem qual é a droga que, de longe, causa mais problemas sociais e mortes, mais que todas as outras juntas:  ÁLCOOL!
Segundo o último levantamento feito pelo governo temos cerca de 17 milhões de alcoólatras no país. E tem mais, a esmagadora maioria dos jovens que passam a consumir drogas ilícitas, se iniciam no álcool, droga glamourizada e de consumo estimulado pela poderosa indústria que a envolve. Alguém aí já tomou um porre e acordou com uma daquelas louras ou morenas maravilhosas das propagandas de cerveja? Eu até já sai com algumas no tempo em que bebia, dormia com  uma deusa, e acordava, via de regra, com uma isca de pegar capeta, numa ressaca de dar dó e com a desgraçada me chamando de amorzinho. Ai...ai...

Temos mania de ser contra ou a favor de alguma coisa e o problema está resolvido. Besteira, problemas sociais graves como o do consumo de drogas, do aborto e outros mais têm de ser discutidos até a exaustão pela sociedade. Já está mais que provado que só repressão não resolve problema algum, e aí fico aqui vendo o governador do Rio, em quem votei, fazendo discurso demagógico e ufanista sobre o combate ao tráfico, como se não fossem eles, os políticos, com sua omissão e conivência, os maiores responsáveis pelo caos que a cidade vive nos últimos dias. Deviam era pedir desculpa por sua incompetência!

Mas a mídia e a classe média adoram o estáculo dantesco que está nos sendo oferecido nos últimos dias. Mais uns dias e tudo volta ao normal: corrupção, violência, assaltos...O crime organizado não é organizado nas favelas ou comunidades, ali é a ponta, onde poderosos se utlizam da mão de obra farta e barata para faturarem milhões e corromperem parte( boa parte!) da burocracia estatal que lhes dá proteção. Não existe crime organizado sem a anuência e conivência do Estado. O resto é demagogia barata e espetáculo midiático. Em uma semana tudo voltara a ser como dantes ....Querem apostar?

                                                                  
Obs: O Ibope diz que a torcida do time lá da Gávea( pobre Gávea, um bairro tão bonito!) é a maior do Brasil, o BOPE diz que em breve não será mais...não entendi...hihihi...

                                                          
                                                           

26 de novembro de 2010

Jilozinho: de Calçado para o espaço sideral

Vocês não sabem mas lá em São José do Calçado foi onde houve o primeiro voo espacial realizado no Brasil e o nosso primeiro astronauta, não esse que viajou ao espaço pela Nasa, e como lá é terra de macho, nosso astronauta viajou ao espaço sem nave usando como combustível única e exclusivamente fartas doses de Matinhos, cachaça de boa cepa produzida no município vizinho de Bom Jesus do Itabapoana, terra de meu amigo Saint-Clair. Mas vamos aos fatos.
Início dos anos oitenta do século passado, pleno verão, estava eu de férias em Calçado, programação das férias: cachaçada no bar do Crissaf, banho de rio no poço do Chicão, à noite mais goró e mais tarde, zona em Bom Jesus, ou seja, quase igual a passar férias em Paris, Nova York, Cancún e outros locais menos votados. No meio dessa programação me aparece uma tourada em Calçado, daquelas bem fuleiras, com touros que não pegavam nem suas vacas, toureiros famélicos e movidos a álcool, um quadro patético, mas na falta do que fazer, ou de fazer a mesma coisa todo dia, resolvemos ir à bendita tourada, cuja principal atração era um desafio ao público: tinha uma mula lá, e quem conseguisse ficar 1 minuto no lombo dela ganhava um prêmio em dinheiro. Na hora o mestre de cerimônia começou a desafiar os presentes, ninguém se apresentava para o desafio, lá pelas tantas, depois de muito insistir ele apela: " Cumé qui é, não tem homi aqui nessa cidade não?!"
Não prestou, Jilozinho pegou a garrafa de Matinhos, deu uma bela beiçada,se levantou e educadamente disparou em alto e bom som: " Tem homem pra montar na mula e na sua mãe se você quiser... traz a mula e depois a véia!"
A plateia veio abaixo de tanto rir, o cidadão foi retirado pelo dono da tourada e Jilozinho, depois de mais uma generosa beiçada na Matinhos, se encaminha para a arena sob aplausos e tendo seu nome gritado em júbilo pela plateia:-" Ei...ei...ei... Jilozinho é nosso rei...ei...ei...ei...Jilozinho é nosso rei..."
Tá difícil escrever, não consigo parar de rir...mas vamos lá... depois de agradecer seus súditos, Jilozinho tenta subir na mula, mete o pé direito no estribo e joga o farto corpo para cima, cai do outro lado da mula, que era segura por dois toureiros. Com o auxílio de mais dois, finalmente Jilozinho conseguiu se assentar na mula, segurou firme no cabresto, bebeu mais uma talagada e ordenou: " Soltem a desgraçada!"

Foi soltar, a mula corcovear violentamente e nosso heroi viajar rumo ao espaço sideral, com a garrafa de Matinhos presa por sob o braço esquerdo. Silêncio na plateia, todos acompanham a órbita de Jilozinho, que após eclipsar a bela lua cheia que ornamentava a noite, começa a retornar à Terra, a aterrisagem foi perfeita: caiu de barriga no meio da arena, que era forrada com uma grossa camada de palha de arroz seca, ouvimos um barulho seco, o da queda, e um estrondo- é que, devido ao excesso de Matinhos, misturada com variados tipos de tira-gosto, a barriga de nosso heroi estava repleta de gases, que foram devidamente expelidos com a força da aterrisagem. Enfrentando o mau-cheiro corremos todos para socorrer nosso amigo, Totó na frente, o levantamos, ainda grogue, Totó aperta sua testa junto a do amigo e nervoso pergunta: " Cé tá bem, meu irmãozinho...cê tá bem?!"

Jilozinho, tonto da viagem espacial e do excesso de  Matinhos, responde: " Tôoooooooo....ao mesmo tempo que solta uma golfada de vômito bem na cara do Totó. Calma...deixa eu me recuperar...foi outro pandemônio, Totó queria matar o Jilozinho, que gritava: " A Matinhos eu salvei... a Matinhos eu salvei!"
Depois dos ânimos serenados , pazes feitas, banho tomado, fomos todos pra Guacha em Bom Jesus, comemorar a primeira viagem de um brasileiro ao espaço: o grande Jilozinho, primeiro, único e inenarrável, como diria Nélson Rodrigues.

Ai..ai...estou passando mal de tanto rir!
                                                    
                                                                                             
Totó, eu e jilozinho, o astronauta
                                                                                                                                              

A paz da utopia

Eu vi pessoas pedindo paz
Não a paz do marginal
Não a paz da violência policial
Querem a paz de viverem em paz

Dizem que somos iguais perante à lei
Mas para aquela gente só existem foras da lei
É o traficante que os oprime
É a polícia que os reprime

Temos que dar-lhes o direito do Direito
Aos bandidos os rigores da lei
Aos cidadãos os rigores da proteção
O direito de ir e vir
Não o de vir e não saber se volta

Ou construimos a paz da cidadania
Ou viveremos sobre a infeliz paz da tirania
Das balas perdidas que acham nossos filhos
De vivermos entre grades dentro de casa
E sobressaltados fora dela

A paz... não é a minha paz
Nem a sua
Nem a dele
É a nossa paz


Não a paz do fuzil
Mas a paz da nação
A paz do Brasil

E para isso não podemos deixar
Nossos governantes em paz
Protestemos contra a corrupção
Protestemos contra a omissão

Que nossos deputados
Não vendam nossa dignidade
Como putas vendem seus corpos

São nossos representantes
Não nossos cafetões

O poder democrático
Emana do povo
E em seu nome
Deve ser exercido

E não corrompido
Aviltado por canalhas
Que em vez de representarem o povo
Representam seu bolso

É lá nos salões perfumados de Brasília
Que se organiza o crime
Nos mensalões
No nepotismo
Na burocracia pérfida
Na partilha de cargos
Temos que lembrar a essa gente
Que pirataria se faz no mar
Não no planalto...


Não queremos a paz dos cemitérios
Já a temos
Queremos a paz da vida
Do amor
Da verdade
Da justiça
Da solidariedade


Da utopia...a paz
Da utopia...

                                                                            

25 de novembro de 2010

Corrupção e omissão geram violência

O que está ocorrendo no Rio é simplesmente o resultado de anos e anos de corrupção, falta de políticas sociais, de ausência do Estado nos bairros mais pobres, descaso administrativo, políticos canalhas e inconsequentes, etc...etc... e não adianta, passa-se a crise, mata-se alguns bandidos, os políticos vão para a televisão prometer o paraíso e depois volta-se tudo ao normal: corrupção, conluio entre parte da polícia, políticos e parcela do judiciário com o crime organizado, que é organizado em salões mais nobres que barracos de favela. É preciso ir fundo, rasgar as entranhas da corrupção no Estado, se quisermos, algum dia, vivermos em uma sociedade realmente mais democrática e justa. Não existe crime organizado sem conivência e omissão do Estado, o resto é conversa fiada e demagogia barata. Que se combata os bandidos armados, mas que se chegue aos que os financiam e protegem, caso contrário, continuaremos a viver nossa Guerra Civil, que só não é ideológica.

Vergonha e omissão
                                                                                         

Um bom advogado

Prefiro a ignorância lúdica da possibilidade de procurar saber, do que o conformismo de saber que nunca saberei. De onde viemos; não sei; para onde vamos; não sei; o que somos; não sei; por quê?; não sei. Só sei que sou incerteza; dúvida; questionamento; não procuro certezas; procuro dúvidas; aí está a verdade; se quisesse certezas decoraria a Bíblia e sairia por aí berrando a descoberta da verdade, e trataria de impô-la a todos; ou a Torá; ou o Alcorão; ou os livros sagrados do hinduismo; ou os ensinamentos de Buda; não existe A Verdade; não existe A Felicidade; existem saberes; e quanto mais sei mais ignorante sou; mais dúvidas tenho...que me importa!...resta- me o prazer da procura.

E se Deus existir?!

Bom, aí vou procurar um bom advogado!


                                                                                 

Te quero dia e noite

Das metades que sou
Uma está apaixonada por você
A outra também


A metade direita
é ternura
é afeto
é carinho
é delicadeza

A metade esquerda
é paixão
é luxúria
é sexo
é profusão

A metade direita
é dia
A metade esquerda
é noite

Por isso
te quero
dia
para ser doce

Por isso
te quero
noite
para ser fogo
e arder
em teu corpo
moreno.

p3nsam3ntos.blogspot.com