O Grito

Não sei se vou me fazer entender, mas ando assuntando cá com meus botões sobre a "virtualidade&...

Não sei se vou me fazer entender, mas ando assuntando cá com meus botões sobre a "virtualidade" do mundo. Estou aqui sentado e tenho o mundo à minha frente. A rapidez da integração, o excesso de informação. Não temos como processar tudo. Não há mais passado, nem futuro. Nem presente. Só instante. Estamos mais rápidos que a História. Quem de minha geração não ficou embasbacado com o futuro nos livros de Júlio Verne? Qualquer criança de hoje daria risadas daquilo. A Copa do Mundo, terminou há pouco. Tenho a impressão que foi há décadas atrás. Não sei vocês, mas sinto assim. Uma sensação de impermanência, de volatilidade. De excesso...de ...nada! Sei lá...

Divagando e asneirando um pouco, creio que é dessa impermanência das coisas que vão ressurgindo, com força, os fanatismos religiosos. Ali oferecem um futuro seguro e plausível. Um norte, nesse mundo desnorteado pelo excesso de conhecimento. A razão anda sem razão. Não sei, mas nós- herdeiros da racionalidade iluminista, estamos cegos pelo excesso de luz.

Nossa relação com o tempo está mudando-e rápido. Sinto falta do vagar das coisas, de poder digerir com calma os acontecimentos. Da boa e velha conversa fiada sobre os acontecimentos da semana. Hoje, a notícia da manhã já é velha à tarde. O tempo histórico- das grandes e lentas transformações, já não dá conta da velocidade atemporal com que a sociedade atual trabalha. O avanço tecnológico é mais rápido qu o passado, do que o futuro, do que o presente. Uma revolução sem armas; sem povo; sem sonhos.
Não há mais os " velhos tempos, nem " novos tempos", muito menos os"tempos mudaram", não, estamos comprimindo tudo- e cada vez mais, numa coisa só. Uma revolução, sim! Mas um novo tipo de revolução que ainda não compreendemos bem. Angústia...
Tem um quadro do pintor noruguês Edvard Munchen, que sempre me impressionou profundamente-O Grito. Toda a angústia da humanidade está retratada ali. Mais que nunca, agora. Ou ontem, ou amanhã...se houver algum.
Zatônio, mas conhecido como Zé

Sou Botafogo e cético, o resto não sei...
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  1. É isso mesmo, Zatonio! As coisas estão a mil por hora! As pessoas não têm mais tempo pra coisa alguma! Parece que o dia ficou com menos horas e o ano com menos meses. A gente corre, dorme pouco, trabalha muito, engole a comida ao invés de mastigar e se parar pra pensar, não está vivendo; apenas seguindo em frente em ritmo frenético. Parece que as pessoas correm para chegar no futuro e ao mesmo tempo não querem envelhecer. Controvérsia interessante... E deprimente.

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  2. O tempo sempre gastando nossas preocupações. Já tinha pensado coisas semelhantes, por outras palavras (um dia vou postá-las no blog), e não cheguei a conclusão alguma. Como sói acontecer! O tal tempo psicológico - que compreendi bem quando estudava Literatura - é o verdadeiro tempo. E dele não escapamos.

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  3. Tenho a mesma sensação. Desde que me aventurei neste oceano digital, começo deste ano, tenho me sentido cada vez mais apenas fragmento. Porisso penso que a resposta do Saint-Clair é chave: vivemos cada vez mais como ficção.

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