9 de dezembro de 2012

"Tá pensando que sou bobo, eu conheço Itaperuna"

Zé Luzia era um neguinho afrodescendente, humilde, simpático e prestativo, que foi adotado pela família Raggi. De São José do Calçado. Com a morte de seu Aristides Raggi e sua esposa, o Zé ficou encarregado de tomar conta do grande casarão da família, já que os filhos moravam todos fora.
Luis Raggi, professor da Universidade Federal de Viçosa, e grande figura, toda vez que ia a Calçado pegava o Zé e o levava até a venda do João Salim, na cidade vizinha de Bom Jesus do Itabapoana, para renovar seu guarda-roupa. Não era fácil. Luzia experimentava uma calça. No corpo, se a calça ficasse muita larga ou apertada, e não tivesse outras de tamanhos diferentes, mas nosso bom Zé gostasse da cor, danou-se! Embirrava que queria aquela. João Salim ainda tentava argumentar: -"Mas Zé, essa calça tá muito larga, dá dois de você dentro dela, não tá vendo?" Luzia olhava com ar de desdém e respondia: -"Cê tá pensando qu'ieu sô bobo, Jão, conheço Tapiruna, tá!?"
E, sob as risadas do Luis, Zé escolhia suas roupas pela cor que mais o agradasse, jamais pelo tamanho. Tinha personalidade e conhecia Itaperuna. A maior cidade que seus doces e humildes olhos já haviam visto.

Foto de um carnaval em Calçado, onde o casarão dos Raggi virava a República dos Pinguços. O de chapéu e sem camisa, sou eu.
                                                                                     

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