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Vocação para o atraso

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VOCAÇÃO PARA O ATRASO
André Luiz Davila
O Brasil caminha a passos largos em direção ao passado e a prova disso são os dois candidatos mais bem colocados na corrida presencial. Os dois representam um Brasil que não deu certo, mas que continua preso nas suas convicções. Um Brasil que estacionou nos séculos XIX e XX e é uma espécie Jano, cujos olhos que miram para frente estão vendados.
O Brasil desperdiça suas oportunidades e continua até hoje como grande exportador de matéria prima e commodities de uma forma geral. Temos uma indústria automobilística instalada no país e não temos uma indústria nacional, diferentemente da Coréia, China, Índia... O modelo da indústria já está mudando e nós apenas “montamos” carros.
Idem para produtos de tecnologia, onde Coréia e China despontam com indústrias sólidas e de Classe mundial. Mais uma vez a nossa economia fechada não desenvolveu tecnologia e continuamos nos minérios, no boi e na soja...
Se já havíamos perdido o “bonde da história”, hoje estamos a perder o “trem bala” da história. E, mesmo assim, tentam nos vender a utopia socialista de um lado e a barbárie do discurso nacionalista e truculento do outro. Engana-se quem imagina que a escolha é entre socialismo ou barbárie. O embate é entre a distopia, que desmoronou com o muro de Berlim e da URSS, e o niilismo, que se manifesta na descrença do eleitor com a prática da política, da democracia, da justiça e das demais instituições.
As forças que orbitam em torno das candidaturas dos dois melhores colocados são a cara do retrocesso: de um lado uma elite de funcionários públicos, burocratas, sindicalistas, intelectuais descolados da realidade do Brasil e do Mundo e coronéis da política tradicional. Do outro lado, grandes produtores rurais, lobistas da indústria de armas, pastores neopentecostais, falsos liberais, misóginos, homofóbicos, racistas e apoiadores da tortura, da ditadura e que revelam um profundo desprezo pela história e pelas minorias.
Vivemos um momento de transformações profundas no Mundo. A disrupção tecnológica irá, num primeiro momento, causar uma onda de desemprego em massa. O modelo educacional precisa ser modificado radicalmente e o investimento na educação básica precisa ser vista como política de Estado e não de governo. A expectativa de vida aumenta (no nosso país de dimensões continentais há uma grande variação por região e atividade) e a previdência necessita ser reformada, pois a conta realmente não irá fechar. O Brasil precisa abrir sua economia para o mundo, facilitar a vida do Cidadão, diminuir o tamanho e a fome do Estado, cortar na carne os privilégios dos três poderes (abrir a caixa preta do judiciário), recolocar a República em ordem e reequilibrar os três poderes, promover o empreendedorismo e destravar os processos que impedem a geração e circulação de riquezas. Além disso, precisa ter os olhos voltados para aqueles que já não acompanham tais mudanças, criando uma rede de proteção social para que injustiças não se perpetuem.
Os desafios são enormes e é triste ver que as opções que temos hoje são a distopia e o niilismo. 
André Luiz Davila é filósofo.
Blog do Barão- Brasil atrasado

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