Fui ver o jogo do Botafogo ontem no Engenhão, antes do jogo foi inaugurada uma estátua em homenagem ao grande Jairzinho, um dos maiores ídolos alvinegros. Ao vê-lo, cabelos já grisalhos uma barriguinha proeminente, minha mente voltou quarenta e dois anos atrás, quando fui pela primeira vez ao Maracanã, final do Campeonato Carioca de 1968, Botafogo e Vasco. Demos quatro tamancadas nos pobres lusos: 4 x 0. Cao, Moreira, Leonidas, Zé Carlos e Valtencir, Carlos Roberto e Gérson, Rogério, Roberto, Jairzinho e Paulo César. Um time inesquecível!
Vendo a homenagem, comecei a divagar sobre o Botafogo e suas esquisitices. Nélson Rodrigues, Tricolor doente, dizia que o Botafogo é o time mais calabrês do futebol brasileiro. E seus torcedores diferentes dos demais: somos místicos, sofremos de mania de perseguição( justa, justíssima!), trágicos, inconstantes, nostálgicos, superticiosos; mas somos também, orgulhosos, um tanto quanto cínicos, briguentos, insurpotáveis e adoramos ser do contra.
Para quem gosta de futebol tem um livro excelente: Footballmania( Uma História Social do Futebol no Rio de Janeiro, 1902-1938, Leonardo Affonso de Miranda Pereira, Nova Fronteira), ele reconstroi a época com maestria e diz que a primeira vez que se viu torcedores chorando em jogos de futebol no Rio, foi numa derrota do Botafogo, em 1908. Tá vendo! Os ladrões de preto já nos roubam há mais de um século!
Ah, e somos mais criativos e inteligentes, vejam só: nosso maior jogador foi Garrincha...A alegria do povo. Lindo, não?! O do pessoal lá da Gávea( pobre Gávea, um bairro tão bonito), foi Zico...O galinho de Quintino. Sem comentários, por desnecessários.
E as musiquinhas; eles lá da Gávea: Tu és time de tradição/ raça/ amor/ e paixão...bem, em verdade estão melhorando, já conseguem rimar ÃO com ÃO. Tá bão!
Vejam a diferença: E ninguém cala/ esse nosso amor/ e é por isso/ que eu canto assim/ é por ti Fogo...
Melhor parar por aqui, vou sofrer retaliações deles, principalmente vindas de Brasília...
22 de agosto de 2010
21 de agosto de 2010
Mais do mesmo
Ontem uma amiga me perguntou se sou petista. Já fui, quando jovem e lutávamos contra a ditadura que infelicitou o país por longos vinte e um anos. Quando mais velhos tendemos ao conservadorismo, a uma certa nostalgia, aquela do no meu tempo é que era bom. Eu não, a cada dia acredito menos em governos, em sistemas de poder. Os processos históricos, acredito eu, duram séculos e acho graça dos profetas do novo mundo quando anunciam o fim do capitalismo. Surge uma crise e lá vem eles brandindo seu marxismo tosco, anunciando o apocalipse capitalista e o advento do paraíso socialista. A primeira grande crítica à monumental obra de Marx e Engels veio dos Anarquistas; Bakunin, teórico anarquista e contemporâneo de Marx, admirava a análise marxista da História, mas advertia Marx e seus seguidores que suas propostas para o futuro eram equivocadas e gerariam um Estado burocrático e autoritário. A História parece lhe dar razão. A utopia anarquista me agrada, uma sociedade sem Estado, onde todos decidem juntos seu destino, o poder não é delegado à ninguém. Inconcebível e impraticável? Hoje, sem dúvida, mas a História tem um pouco de Deus: escreve certo por linhas tortas. Não dizem que o futuro a Deus pertence, pois é, e pertence à História também, o futuro nada mais é que o passado à frente.
Andei dando uma olhada nos debates. Patético! Serra mente; Dilma, reconstruída pelos marqueteiros à serviço do PT, mente; os que menos mentem sáo os que pouco têm à perder. Marina e, principalmente, Plínio de Arruda Sampaio.E eu que já perdi meus pais, estou para ganhar novos: Lula e Dilma. Me poupem...Lulinha, menos...por favor...menos...
Não adianta, não consigo engolir Lula abraçado à Sarney, Collor, Renan Calheiros e quejandos, o futuro que sonhávamos, de braços dados com o passado contra o qual lutamos e tantos morreram. A História,é cheia de ironias, mas no Brasil é muito mais cínica que irônica.
Mas não há de ser nada, mais uma vez o mundo se curva perante nós, inventamos o banqueiro-socialista. Vocês viram o lucro dos bancos no primeiro semestre? Dizem que no último encontro da Febraban a reunião foi aberta com todos cantando a Internacional socialista e fechada com todos gritando: Banqueiro unido jamais será vencido!
E assim caminhamos nós...bem faz meu filho, que está estudando feito um condenado para fazer concurso público e entrar pra casta-burocrática que controla o país. Quem tiver um tempinho, procure ler Os Donos do Poder, de Raimundo Faoro, talvez entendam o por quê do Brasil ser o paraíso dos burocratas. Na minha modestíssima opinião é um dos livros mais importantes já escritos nestes " tristes trópicos". Só mais um detalhezinho pra deixar o sábado de vocês mais alegre; Brasília, criadouro de burocratas é a cidade com o maior poder aquisitivo do país. O que se produz lá? Leis; portaria; decretos; impostos, mais impostos; corrupção, mais corrupção...
Andei dando uma olhada nos debates. Patético! Serra mente; Dilma, reconstruída pelos marqueteiros à serviço do PT, mente; os que menos mentem sáo os que pouco têm à perder. Marina e, principalmente, Plínio de Arruda Sampaio.E eu que já perdi meus pais, estou para ganhar novos: Lula e Dilma. Me poupem...Lulinha, menos...por favor...menos...
Não adianta, não consigo engolir Lula abraçado à Sarney, Collor, Renan Calheiros e quejandos, o futuro que sonhávamos, de braços dados com o passado contra o qual lutamos e tantos morreram. A História,é cheia de ironias, mas no Brasil é muito mais cínica que irônica.
Mas não há de ser nada, mais uma vez o mundo se curva perante nós, inventamos o banqueiro-socialista. Vocês viram o lucro dos bancos no primeiro semestre? Dizem que no último encontro da Febraban a reunião foi aberta com todos cantando a Internacional socialista e fechada com todos gritando: Banqueiro unido jamais será vencido!
E assim caminhamos nós...bem faz meu filho, que está estudando feito um condenado para fazer concurso público e entrar pra casta-burocrática que controla o país. Quem tiver um tempinho, procure ler Os Donos do Poder, de Raimundo Faoro, talvez entendam o por quê do Brasil ser o paraíso dos burocratas. Na minha modestíssima opinião é um dos livros mais importantes já escritos nestes " tristes trópicos". Só mais um detalhezinho pra deixar o sábado de vocês mais alegre; Brasília, criadouro de burocratas é a cidade com o maior poder aquisitivo do país. O que se produz lá? Leis; portaria; decretos; impostos, mais impostos; corrupção, mais corrupção...
20 de agosto de 2010
Horizonte
Meus olhos seguem o infinito do oceano...lá, bem longe, talvez seja lá que esteja a paz...talvez...no horizonte, onde meus olhos se perdem na angústia de te saber longe, muito longe...Angústia...de ti, longe...por quê?, diga-me...tens medo, sei...não tenhas, quero só que sejas minha...por um dia ou dois...três... mil...não importa, só a chama virulenta da paixão, importa...diga...venha...e irei até ti...farei-te fogo...ardente em meus braços fortes e mergulharei em ti com a delicadeza da ternura...e a força da paixão...tremerás sobre meu corpo...de prazer infinito...sublime...e lágrimas escorrerão em tua face...de felicidade...de entrega absoluta...e te beijarei...com sensualidade...lascívia...e serás mulher...a mais feliz delas...não...não há depois...talvez amanhã...que importa?...ao longe...no horizonte...vejo seu corpo...nu...de beleza morena...os longos cabelos negros...esvoaçantes ao vento...foges...correndo...em direção a mim...
Mais confusão
A JTWN- Jilózinho And Totó World News, agência de notícias aqui do blog, está acéfala; Jilózinho e Totó estão em pé de guerra novamente. O motivo agora é sério: MULHER! Ritinha Boca de Seda(não insistam, não direi o por quê do apelido), ficante do Jilózinho, agora é ficante do Totó. Uma situação nada edificante( hoje eu tô, a culpa vem de Brasília), tá um fuzuê dos diabos lá nas belas montanhas de São José do Calçado. Ritinha flagrou Jilózinho com Regininha Hannal( belo sobrenome, herdou da mãe) em uma cálida esbórnia e, revoltada com a situação, resolveu se vingar de Jilózinho, seduzindo Totó. As duas são primas e rivais, não se toleram, trabalharam juntas em uma casa de massagem( antigamente era puteiro, mas agora é politicamente incorreto usar termos pejorativos; puta agora é modelo, massagista. Resumindo, continua puta, mas com nome diferente), onde disputavam pau a pau(hihihi...) a preferência da clientela. Cada qual em sua especialidade.
Jilózinho ainda tentou argumentar com Ritinha que ela não deveria ter ciúmes dele, pois ele não reclama do trabalho dela. Piorou, Ritinha disse que não mistura trabalho com prazer e que foi traída por ele com sua pior inimiga e iria se vingar. Fiquei até meio espantado, pois mulher não é um ser vingativo. Alguém aí concorda?
Resumindo, Ritinha se mudou de mala e cuia pra casa do Totó, que está apaixonado por ela. Jilózinho perdeu a boca e tem de se contentar com Hannal. Estou tentando apaziguar os ânimos e procurando uma forma de reconciliar os dois. Tá difícil, mas logo mais ou amanhã, digo a vocês como terminou o imbróglio.
Jilózinho ainda tentou argumentar com Ritinha que ela não deveria ter ciúmes dele, pois ele não reclama do trabalho dela. Piorou, Ritinha disse que não mistura trabalho com prazer e que foi traída por ele com sua pior inimiga e iria se vingar. Fiquei até meio espantado, pois mulher não é um ser vingativo. Alguém aí concorda?
Resumindo, Ritinha se mudou de mala e cuia pra casa do Totó, que está apaixonado por ela. Jilózinho perdeu a boca e tem de se contentar com Hannal. Estou tentando apaziguar os ânimos e procurando uma forma de reconciliar os dois. Tá difícil, mas logo mais ou amanhã, digo a vocês como terminou o imbróglio.
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| Padaria erótica |
Impunidade
Hoje está completando dez anos que uma mulher foi brutal e covardemente assassinada em São Paulo por um jornalista famoso, filho de tradicional família paulistana. Pimenta Neves é o nome do desgraçado; Sandra Gomide o nome da moça, ex-namorada do assassino, que incorfomado com o fim do romance, matou friamente a ex-mulher. Condenado a 19 anos de prisão em 2006, está livre, leve e solto. Um retrato de nosso país, onde o Estado é condescendente com os poderosos e descarrega sua mão pesada sobre os mais fracos.
Há poucos dias um ministro do STJ e um desembargador, foram condenados pelo CNJ( Conselho Nacional de Justiça,????) por venderem sentenças. Punição: aposentadoria com salários de R$ 25.000.00,é VINTE E CINCO MIL REAIS, pagos com os escorchantes impostos que somos obrigados a pagar ao nosso obeso e corrupto Leviatã. Querem mais: o inefável Paulo Salim Maluf, procurado pela Interpol em todo o mundo, aqui, onde cometeu as falcatruas e bandalheiras, também está livre, leve, solto, e é deputado federal. E ainda temos coragem de contar piada de português. Nós somos uma piada. Triste piada!
Não vou nem falar mais na vergonheira dos milhares de " cargos de confiança", criados para dar empregos aos vagabundos apaniguados de políticos, mais vagabundos ainda. Cansei...
Ah, querem proibir os humoristas de fazerem piadas com os nossos políticos, não querem ter suas imagens denegridas. Denegridos somos nós, obrigados a sustentar suas mordomias e bandalheiras. E ainda sujeitos a sermos processados por dano moral por quem não tem nenhuma. E condenados.Desculpem o trocadilho, mas o slogan do atual governo é: Brasil um país de todos. Melhor seria : Brasil um país de tolos, nós!
Há poucos dias um ministro do STJ e um desembargador, foram condenados pelo CNJ( Conselho Nacional de Justiça,????) por venderem sentenças. Punição: aposentadoria com salários de R$ 25.000.00,é VINTE E CINCO MIL REAIS, pagos com os escorchantes impostos que somos obrigados a pagar ao nosso obeso e corrupto Leviatã. Querem mais: o inefável Paulo Salim Maluf, procurado pela Interpol em todo o mundo, aqui, onde cometeu as falcatruas e bandalheiras, também está livre, leve, solto, e é deputado federal. E ainda temos coragem de contar piada de português. Nós somos uma piada. Triste piada!
Não vou nem falar mais na vergonheira dos milhares de " cargos de confiança", criados para dar empregos aos vagabundos apaniguados de políticos, mais vagabundos ainda. Cansei...
Ah, querem proibir os humoristas de fazerem piadas com os nossos políticos, não querem ter suas imagens denegridas. Denegridos somos nós, obrigados a sustentar suas mordomias e bandalheiras. E ainda sujeitos a sermos processados por dano moral por quem não tem nenhuma. E condenados.Desculpem o trocadilho, mas o slogan do atual governo é: Brasil um país de todos. Melhor seria : Brasil um país de tolos, nós!
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| O assassino e sua vítima |
19 de agosto de 2010
Chumbo grosso
Totó está impossível desde que virou poeta, com o beneplácito do Saint-Clair e do Paulo Laurindo. Me ligou e disse que está fazendo um longo poema baseado na Odisséia de Homero, ainda está escrevendo, mas já me adiantou o nome: Laudicéia de Totó, sei não, mas vem chumbo grosso por aí. Ah, e não que ler Estrela da Vida Inteira de Manoel Bandeira pois se recusa a ler livros escritos em louvor ao Botafogo, vai ler O Vermelho e o Negro, de Sthendal, que é em homenagem ao time lá da Gávea( pobre Gávea, um bairro tão bonito!), mas vai escrever uma carta ao autor sugerindo a mudança de nome do livro para O Vermelho e o Afro, que é politicamente correto; me pediu o endereço do Sthendal, disse que não tinha, mas com certeza o Saint-Clair e o Paulo Laurindo sabem, pois são amigos dele. Escreveu, inclusive, uma carta aos dirigentes de seu time, exigindo que não o chamem mais de Rubronegro e sim de Rubroafro, é...tem lógica o raciocínio do Totó. E quer porque quer saber as origens de sua família, me disse que vai mandar fazer uma árvore "ginecológica" de seus antepassados, suspeita que é descendente direto de Castro Alves e me garantiu que se for verdade passará a usar o sobrenome do famoso antepassado: Totó de Castro Alves. E pra terminar diz que vai homenagear Ferreira Gullar que acaba de completar oitenta anos e vai escrever O Poema Limpo, versão sua para o obra -prima do Gullar: Poema Sujo.
Por sorte a ligação caiu...
Por sorte a ligação caiu...
Solidões
Na capela do cemitério, bem no meio dela, havia um corpo dentro de um caixão barato. Na cabeceira do caixão, uma mulher velava o falecido. Rezava em voz baixa e passava suavemente a mão no rosto do cadáver enrijecido. Não havia mais ninguém...só o corpo inerte e a mulher, roupa extremamente humilde, de uma magreza profunda e mórbida. A solidão da morte aliada à solidão da vida. Um silêncio triste rondava a capela; a pobre mulher lá, acarinhando seu morto com suavidade; lágrima, nenhuma, apenas um olhar terno e profundamente consternado emanava daqueles olhos sofridos de vida castigada. Pouco mais, se abaixa, beija com delicadeza e ternura os lábios gélidos do morto, afaga seus cabelos com carinho e vai-se...levando consigo a solidão da vida e deixando para trás o corpo frio, tomado pela solidão da morte.
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