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| Patrícia. Eu não disse: é linda! |
Viví ainda há pouco um momento sublime, que não sei se saberei descrever com exatidão, mas vou tentar. Fui cortar o cabelo e fazer a barba, entro no Salão, pequeno, trabalham só dois profissionais, na parte de cima fica a ala da mulherada. Ao entrar cumprimento o Léo, ao meu lado uma manicure faz as unhas de uma moça sentada em uma cadeira de rodas. Cumprimento-a e vejo que suas unhas estão pintadas de azul, olho seu rosto e tomo um susto: é linda!, pele alva e suave, traços finos, cabelos negros e brilhantes até a altura da nuca, olhos azuis, do azul mais cristalino que possa haver, e de um brilho que não sei definir, usem todos os adjetivos que quiserem: fulgurantes; extasiantes; infinitos em sua beleza; escolham, qualquer um será insuficiente para descrever tamanha beleza. E transpirava alegria, o pequeno ambiente, tomado por uma energia doce, suave, de ternura delicada; energia emanada por você, Patrícia!
Sua voz forte, seu sorriso alegre, como que nos encantava.
Em certo momento ela diz: " Mato um leão por dia, tenho 31 anos e vocês não sabem o que é passar a vida nessa cadeira, ter paralisia cerebral, a vida é muito dura e é por isso que passo ela rindo". E continuou implicando com o Léo. um breve momento de tristeza. Algumas lágrimas me assaltaram os olhos. Disse que iria fazer uma crônica para ela, me desculpe Paty, não tenho talento suficiente para descrever a grandeza de sua alma; a generosidade de sua risada; o brilho de seus olhos. Perdoe-me!
Na saída dei-lhe um beijo e vim para casa pensando: por quê, nós, que somos perfeitos de físico, somos tão imperfeitos de espírito e precisamos de uma Patrícia para nos mostrar o quão grandes podemos ser. Não em arrogância, soberba, orgulho, nisso somos bons; mas em sabedoria: " Avida é muito dura, e é por isso que passo ela sorrindo!"
Obrigado, Patrícia, por ter te conhecido. Foi uma grande honra!
Estou escrevendo e ouço lá no fundo da alma Ivan Lins cantando Vitoriosa, que é seu verdadeiro nome, Patrícia.





