1 de novembro de 2010

Um eterno nada há

Viver
é
mais
ou
menos
como
morrer

que
em
vida

e
morrer
tem
suas
vantagens

não

mais
contas
a
pagar

ex
mulher
a
te
aporrinhar

Não

danielle
para
me
apaixonar

é
um
eterno
nada

                                                                                                  

31 de outubro de 2010

A liberdade do povo

Estranhos somos nós,
                                      Povo!

Brigamos para escolher

Quem vai nos mandar

E podemos matarmo-nos nós,
                                                   Povo!

Pela liberdade de entregar

Nossa liberdade a outrem

Pobre de nós parvo,
                                  Povo!
                                                                   
                                                           

30 de outubro de 2010

Um bolero para Danielle

...e ela foi se achegando devagar...bem tímida e desconfiada...anda lentamente em direção a mim...em seus olhos lindos de negritude ofuscante...desejo e medo se contradizem em cada piscar...o corpo moreno e bem torneado...apenas uma  leve camisola branca....de sensual delicadeza o recobre...vem se chegando devagar...um leve tremor envolve seus lábios...quando mais perto mais sinto seu odor...embriagante  desejo meu...está de pé em minha frente...eu...sentado na cama...estou sublimado de beleza dela...levanto-me...toco suavemente seu rosto...sinto seu corpo tomado por arrepio...a tensão aumenta...beijo seus lábios vagarosamente...ela vai se entregando...seus braços torneiam meu pescoço...aumenta a força do beijo...a respiração começa a ficar ofegante...solto o laço que prende a camisola ao seu corpo...ela escorre ao chão...o rádio toca Bolero de Ravel... a intensidade da música vai aumentando...a intensidade do desejo a segue...o beijo já é quase selvagem...a música vai explodindo aos poucos...nos jogamos sobre a cama...somos um só corpo agora... a orquestra explode em apoteose...nós explodimos em paixão...corpos suados...eternos...a música cessa...nós abraçados em silêncio sublime... a morte não me importa mais...


                                                      
                                                                   

A foto do ano: Maria Gargarejo nadando na praia " Afrodescendente"

Noite mal dormida, só consegui pregar os olhos depois das quatro da manhã, por volta das seis toca o telefone, o de sempre, ou Totó ou Jilózinho, desta feita o segundo; os dois estão novamente em guerra desde que Totó tomou Ritinha Boca de Seda do amigo. Após retomar a intrépida Boca de Seda de Totó, que disse que foi ele quem devolveu Ritinha, após ter conhecido e se apaixonado por Maria Gargarejo( não, não vou dizer o motivo do apelido, isso aqui é um blog rigorosamente familiar e devotado aos bons costumes; bem, mais ou menos...), não importa, o que importa é que Jilózinho estava esperando o momento certo para se vingar do amigo, o que ocorreu no fim de semana passado quando a bordo de Menininho, seu valoroso fusquinha 1962, Jilózinho e Totó, com suas respectivas consortes( tenho minhas dúvidas, mas no caso melhor seria usar "conazar"!) foram passar o fim de semana em Guarapari e Jilózinho tirou  uma foto de Maria Gargarejo nadando placidamente na praia Afrodescedente- antiga praia da Areia Preta, nome racista segundo Totó, que rebatizou a mesma de Afrodescedente, já que agora é adepto fervoroso do politicamente correto-, Jilózinho recomenda aos nossos leitores que prestem bastante atenção na foto, pois lá na praia várias pessoas confundiram a esbelta Gargarejo com uma baleia jubarte, soltando aqueles jatos d'água rumo ao infinito. Abaixo a foto exclusiva de Gargarejo, para deleite de nossos milhões de leitores espalhados por todo o universo.


Maria Gargarejo: uma sereia na praia " Afrodescendente"
                                                          

29 de outubro de 2010

Só quero cheiro de pele

não quero sentir nada
nem tristeza nem alegria
nem frio nem calor
não quero sentir saudade
não quero sentir dor

a única coisa que quero
é sentir cheiro de pele
ao beijar todo o corpo
de danielle...         


                                                                                                                        

Mente o que chamamos de mente

A mente mente solenemente, toda mente mente, mente o demente, mente o paciente, mente o ocidente, mente o oriente, mente desbragadamente,  mente quem tem mente, mente quem desmente, mente toda gente, mente verdadeiramente, mente mentirosamente, mente placidamente, mente displicentemente, somente não mente quem não tem mente, mente tanto a nossa mente que a chamamos de mente, só não mente quem não tem mais mente, a criança mente precocemente, o adulto mente atualmente, o velho mente tardiamente, mente e não contente desmente o que mente, a mulher mente suavemente, o homem mente convictamente, o político somente mente, a mente é a semente daquele que mente corajosamente ou covardemente...mente a mente da gente...qualquer mente mente...só o coração não mente...só sente...
 


                                                                                                                                                                             

Aborto, hipocrisia e pena morte

Já que acordei com o papa e sem papas na língua, vamos falar da questão do aborto, hipocritamente utilizado por grupos conservadores- conservar o quê? A miséria?! O absurdo abismo social entre pobres e ricos neste país?!- como mote na campanha presidencial.
Não vou discutir o assunto em si, por demais complexo para ser usado irresponsavelmente e de maneira solerte como o fazem certos grupos que se dizem defensores " da vida". Esquecem- se , propositalmente, claro!, os paladinos da moral(falsa!) e da vida que cerca de três milhões de abortos são realizados de forma clandestina no país por ano,  grande parte por "açougueiros" sem escrúpulos ocasionando grande número de mortes e de mulheres que depois recorrem ao SUS com infecções graves, onerando o sistem de saúde e comprometendo um boa parcela de verbas que poderiam ser utlizadas para salvar outras vidas- essas eles não defendem; depois os defensores da "vida" exigem pena de morte para os milhares de jovens despossuídos que perambulam por nossas cidades sem perspectivas de futuro, mão de obra farta para todo tipo de crime. Não entendo, sou meio burrinho, como diz o Totó, primeiro dizem defender a vida, ainda que muitas mulheres, geralmente pobres, morram praticando abortos clandestinos- as ricas fazem em locais mais...digamos... assépticos... depois exigem pena de morte para os mesmos fetos que defendem com tanto denodo, não consigo entender...sou burrinho mesmo!