4 de novembro de 2010

Eleição, preconceito e xenofobia

Agora que os ânimos começam a serenar, vou dizer algo que me deixou espantado e triste nas eleições: o tamanho dos preconceitos existentes em nossa sociedade, mormente por uma parte das elites e da classe média, um coisa absurda e inconcebível em pleno século XXI, nossas entranhas foram mostradas como nunca no último pleito, preconceitos para todos os gostos: contra mulheres; contra nordestinos; contra a sexualidade alheia- recebi diversos e-mails dizendo que Dilma era lésbica e fui ver a constituiçao, ainda que fosse, isso não é impeditivo para que fosse candidata; contra pobres em geral; contra ateus. Mais triste fiquei foi ver que Serra renegou tudo em que acredita ao aceitar passivamente ser envolvido por essa direita reacionária, que não tendo coragem de mostrar sua cara pérfida e xenófoba, se escondeu atrás de sua candidatura. Um homem que foi cassado, perseguido e exilado não tinha o direito de descer tanto em busca do poder. Perdeu a eleição e a dignidade. E, espero estar enganado, transpirava ódio e ressentimento em sua fala logo após o resultado final.

A canalhice dessa gente não tem limite, o casalzinho global, William e Fátima, após a vitória de Dilma, fizeram uma entrevista com ela, e quiseram parecer bonzinhos e amiguinhos de longa data  dela. Eita gentinha hipócrita!

E são tão canalhas, os preconceituosos e xenófabos, que querem fazer crer que foram os nordestinos que deram a vitória a Dilma, mais uma mentira, mesmo sem os votos do nordeste ela venceria, eis aí o link com a votação, região por região: Resultado por regiões   

 Só mais uma coisinha, a turma da chamada Grande Mídia, que diz defender a liberdade de imprensa, deveria defender é a liberdade de expressão, conceito muito mais amplo e democrático, mas isso não interessa a eles, que incitaram o ódio nas eleiçoes. Perderam tanto a vergonha, quanto a dignidade. Mas estão à espreita, todo cuidado é pouco.

Fiquei, em muitos momentos, com vergonha de ser brasileiro. Nossa cordialidade só é cordial quando submete o outro Triste!!!


                                                                          

Estranho é estarmos separados

Diz-me que sou estranho,
E fico a perguntar-me:
Estranho porque te quero?!
Estranho porque digo que te amo?!
Estranho porque quero te apertar, te beijar, te ninar?!
Estranho porque sinto saudade de ti, que nunca vi?!
E daí?!
Daí minha linda, você vem aqui,
Ou eu vou aí,
E nada mais será estranho,
Amor não estranha,
Amor reconhece
O outro que ama
Sem distância

Não sabes,
Danielle,
Mas está noite dormi contigo,
Acordei e não estavas,
Mas estava seu cheiro,
A entorpecer minh'alma

Prometi não fazer mais poemas para ti,
Mas como posso se estás sempre aqui,
Estranho é estares aí com o coração aqui,
Estranho é nossos almas estarem juntas e os corpos separados,


Mas há de chegar a hora,
Da ausência virar presença,
E estranho será descobrir,
Como pude ficar uma vida longe de ti!


                                                             

2 de novembro de 2010

Recado para Danielle ( escrito às pressas)

e quem sabe
verei um dia
brotar
" do impossível
            chão"
a mais  bela flor
que ornará de amor
 o solitário jardim
que é meu coração!
                                                               

Na vastidão do oceano

E serei veleiro
a singrar sem rumo
todos os mares do mundo

Velejarei em solidão
serei eu e meus fantasmas
[ são eles: desencanto
                                     frustração
                                                    saudade]

E na praia mais deserta
recolherei a mais bela flor


E a carregarei comigo
morrendo devagar
como o amor que tento
matar em mim

Mas não sou assassino
sou apenas um homem
com alma de menino

E deixarei que o amor viva
ele não tem culpa do tormento
de min'alma exangue

E na vastidão do oceano
olharei o infinito
que é o exato tamanho
da saudade que sinto


                                                                                                                                                                                       

1 de novembro de 2010

Solidão acompanhada

de hoje a doravante
resta-me seguir adiante
e amar amores que não quero
cansei de ser sincero.

de hoje a doravante
em vez de dor
serei um grande fingidor

fingirei até ter um
grande amor
um aqui
outro acolá

de hoje a doravante
voltarei a ser amante
da mulher qualquer
que me quiser

de hoje a doravante
serei sempre
solidão acompanhada

Melhor que nada!

Com alegria

procuro lembrar
meus mortos
queridos
com alegria

a tristeza
é só pela
falta
pela saudade
que deles
sinto

eu
que
sou
metade
falta
metade
saudade

com
o que
sobra
tento
ser
feliz

                                                                                      
                                                                                

Tiririca, o homem certo no lugar certo

Me orgulho do Brasil, somos deverás criativos,
só nós conseguímos inventar o capitalismo de Estado
e o socialismo de mercado. Eita país complicado!

Não cumprimos nossas leis e inventamos novas
leis para fazer cumprir as que não são cumpridas.
Se não entenderam, tudo bem, a ideia é essa mesmo.
Tome uma cachaça e coma um torresmo.

Somos tão ajeitados que roubar do Estado
é até desculpado, nem roubo é, é apenas
dinheiro desviado do público para o privado.

Reinventamos o comunismo, que aqui não é
comum a todos, é comum aos nossos,
que não são tolos.

Um vem e privatiza, outro vem e desprivatiza
e vira tudo uma grande privada. Cheia de nós,
os merdas, que os sustentamos.

Misturamos alhos com bugalhos
e geramos os otários. E nossos bugalhos
veem mas não enxergam.

Juntamos um grupo de políticos, de preferência
bem larápios, e chamamos de coalizão. Coalizão
para desvio(?!) de verbas públicas sem punição.

Eu te chamo de ladrão, tu me chamas de ladrão,
quando acaba a eleição estamos juntos a nos dar às mãos.

É a festa da democracia, políticos entram com o bônus e o povo arreganha o ônus...

E de titica a tiririca " nóis vai si fufendô!"

Tiririca: erva daninha difícil de ser erradicada; punguista, batedor de carteira( gíria usada no sul); Tiririca, deputado federal, o homem certo no lugar certo!