8 de novembro de 2010

Casando comigo mesmo

Chen Wei-Yi uma moça taiunesa( é quem nasce em Taiwan suas antas- eu era até há pouco), resolveu casar consigo mesma, teve festa e tudo. Estou aqui encafifado com algumas dúvidas sobre esse " casal" de um só que, como tudo, tem um lado bom e outro ruim.

A sua sogra, por exemplo, passa a ser a sua mãe, que deixará de ser a coisa que mais ama na vida, para virar a peste que vai atazanar o " outro" você que casou com você. Isso quando estiver em sua casa, quando for na casa dela deixe bem claro que é você que está indo, não aquela coisa imprestável com quem você se casou.

Fico imaginando eu casado comigo mesmo, aí estou vendo um jogo do Botafogo( timezinho safado!), e  resolvo discutir a relação exatamente quando estamos quase empatando o jogo, entro na frente da televisão e digo: " Temos de conversar agora, você não me dá mais atenção, me troca por um monte de homens correndo atrás de uma bola!" Ah, ia ser bom demais: " Porque você não vai encher o saco da puta que o pariu...ou vai enxugar gelo ou pilotar um fogão ou lavar uma roupa, me deixa ver a porra do jogo em paz!"
- " Mas você xingando a mamãe, que é sua sogra, está xingando sua mãe também!"
- " Estou xingando só sua mãe, que é minha sogra, e quer saber, vou resolver isso agora, não aguento mais você me aporrinhando!"

Me levando do sofá pego em meu "outro" pescoço, aperto com bastante força, me arrasto até a janela( moramos, eu e eu, no trigésimo andar) e jogo meu cônjuge lá de cima. Pronto estou viúvo de mim mesmo. Volto me deito e o Botafogo acaba de levar outro gol, me levanto e me atiro da janela também. Manchete nos jornais no dia seguinte: " Casal de um só se suicida desesperado com o Botafogo."

Agora, minha vida sexual comigo mesmo ia ser um desastre, não tenho o menor desejo por mim, ia me cornear muito; é... melhor deixar esse negócio de casamento individual para a taiunesa( aprenderam?!) maluca. Eu vou ficar por aqui enchendo a paciência da Danielle, que é muito mais bonita, cheirosa e gostosa que euzinho aqui.


 A noiva sua mãe e sogra
                                                         



                                                                    

Um até breve

Ao amor nunca direi
Adeus...
Quando muito
Um até breve
Danielle!!!                                                                                      

7 de novembro de 2010

O capitalismo brasileiro avança

Li um artigo excelente de Michel Blanco sobre preconceito, xenofobia e rascismo, que vieram à tona como nunca nas últimas eleições e expuseram as vísceras de nosso secular autoritarismo . O avanço de nosso capitalismo, aliado  às políticas sociais do governo, incorporaram boa parte das classes C e D ao mercado de consumo, provocando horror, revolta e ódio em parte de nossa elite dita bem-pensante e de parte da classe média que se acha parte desta mesma elite, ou aspira ascender a ela e segue seus ditames. Temos um governo  de esquerda que teve de se aliar a algumas oligarquias regionais e parte da burguesia nacional para poder governar. Só para lembrar: o vice-presidente José Alencar é um dos maiores empresários do país; o presidente do Banco Central é Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco de Boston, um dos ícones do capitalismo americano; Abílio Diniz dono do grupo Páo de Açucar e Eike Batista, talvez os dois maiores empresários do país, apoiaram Dilma. Não são burros, sabem que quanto mais gente no mercado de consumo, mais aumentarão seus lucros. Não são bonzinhos, são capitalistas. Os agiotas do sistema financeiro nunca ganharam tanto dinheiro. Pelo que me consta essa gente não tem nada de esquerdista.

O problema é que fomos acostumados a achar que pobre foi feito para nos servir e ficar com as sobras de nosso consumo- as roupas velhas para a empregada; a televisão usada para o porteiro; o garçom a nos chamar de doutor. Quando os de baixo começam a se mover, os de cima se assustam e- burramente- querem manter seus privilégios, não adianta, vão ter de se adaptar à nova realidade.

A era do cada qual em seu lugar acabou, somos tão autoritários e excludentes, que lá em São José do Calçado onde nasci, até pouco tempo atrás os clubes eram separados, o dos brancos e o dos negros, com um agravante, os brancos podiam ir no clube dos negros(por ironia denominado Clube dos Operários) e eles não podiam ir no " nosso". Andávamos juntos, brincávamos juntos, estudávamos juntos- mas cada qual no seu lugar. A senzala ainda nos ronda, tristemente.

Tenho uma amiga que não tem onde cair morta, mas é bem apessoada, se veste bem e se acha classe média, um poço de preconceitos, principalmente contra pobres, que na cabeça dela ou são serviçais submissos ou bandidos. Ah, é verdade!, odeia evangélicos, mas tem uma gurua... portuguesa! Ai...ai...como sou preconceituoso.

Não sou especialista, mas o avanço dos evangélicos está intrinsicamente ligado ao avanço do capitalismo brasileiro; Lutero, Calvino, et-caterva, são , grosso modo, crias do capitalismo que precisava romper com as estruturas arcaicas que o impediam de se expandir, o mesmo anda , com alguns séculos de atraso, ocorrendo por aqui.



                                                                   

Depois da infância

Sol com chuva
Casamento de viúva

Chuva com sol
Casamento de espanhol

Isso na infância
Depois:

Sol com chuva
No enterro da viúva

Chuva com sol
No desquite do espanhol

                                                                                  

Hora sol hora chuva

A chuva que caí lá fora
Limpa a terra
Levando consigo
Saudades, dores, desamores.

Depois vem o sol
Trazendo novos amores
Que com o tempo
Salpicarão a terra
De novas saudades, dores e desamores.

E assim caminhamos nós
Hora sol, hora chuva.

Não deixo nublar o tempo meu
Ou sou raios de sol
Ou sou lágrimas de chuva.

Não carrego nubladas dúvidas
Ou brilho como sol
Ou choro como chuva.

Ando mais chuva
É certo!
Mas breve serei
Sol !

                                                                                                                

6 de novembro de 2010

E dela serão todos os beijos meus

O colibri beija suavemente
a flor do bouganville
Eu beijarei suavemente
os lábios de danielle

o colibri voa de flor em flor
e vai beijando uma a uma
eu voo em direção a só uma
e dela serão todos os beijos meus

                                                                

5 de novembro de 2010

Meus neurônios estão em greve

Estou com uma preguiça inaudita, meus parcos neurônios se recusam terminantemente a pensar. Fazer o quê? Nunca me respeitaram muito mesmo. Mas ao mesmo tempo que não querem pensar, são irriquietos, os danadinhos. Na verdade, eles não querem pensar o que eu quero que pensem, querem pensar por si mesmos, comandados pelo Ludovico, o neurônio chefe e meio anarquista, que vive querendo fazer revolução em meu- ou deles, já nem sei- cérebro. Se deixar o Ludovico provoca uma verdadeira balbúrdia em minha mioleira, como resisto, ele arranja logo uma greve e aí se recusam a pensar e fico eu aqui numa preguiça paulista( baiana não pode, é preconceito), querendo escrever e eles lá, se recusando a pensar. Só estou escrevendo porque tem uma parcela deles, pequena é verdade, que é mais à direita e se recusam a seguir o Ludovico, são organizados, sérios, castos, conservadores e vivem em guerra com a vasta legião ludovicana que comanda ou descomanda, sei lá!, meu cerébro. Só  duas palavras  são capazes de unir as duas facções neuroniais de minha bagunçada caixa craniana: Botafogo e, ultimamente, Danielle- é só  lembrar que se assanham todos, unidos, os safados.

E não venham encher o saco dizendo que fiquei maluco, o grande Carlos Drumnond de Andrade escreveu um poema mais ou menos assim: no meio do caminho tinha uma pedra/ tinha uma pedra no meio do caminho...e ele foi repetindo isso sem tirar a pedra do caminho, nem passar por ela, e foi chamado, e é!, de gênio. Uma vez dei o poema para o Jilozinho ler, ele leu, releu, virou-se para mim e deu seu veredicto: " Jarrão, se eu tô lá pegava a pedra e "rrumava" na cabeça dele, e na sua, que fica me dando essas bobices para ler." Acho melhor parar, parece que Ludovico e seus neurônios rebeldes já voltaram a ativa.