30 de novembro de 2010

A solidão não me incomoda

a solidão não me incomada
me incomada o medo
que as pessoas têm dela

até para rezar
se comprimem
em multidões amorfas
e berram sua infelicidade
rumo ao nada

prefiro seguir só...
                                                                 

                                                                            

Totó vai cometer "triglicerídeo"

A confusão está grande lá em Calçado, Totó está querendo matar Jilozinho novamente, tudo por causa de Menga, sua galinha de estimação, que foi devidamente sodomizada por Foguinho, o cachorro tarado e pinguço de Jilozinho. Mas vamos às lamúrias de Totó, que, como sempre, me liga antes das seis da manhã e a cobrar.

- Toinha, seu viado, dessa vez eu mato o Jilozinho, pode ter certeza, e se você, que é safado igual a ele, se meter, vai morrer também!

- O que foi Totó, por que tanta revolta e ódio no coração?

- Ódio é pouco estou é doido de raiva, e vê se não me interrompe quando estou falando, é falta de educação...O Foguinho, aquele vira-lata sem vergonha do Jilozinho, estrupou a Menga,  a pobrezinha botou uns ovos  e foi chocar, só vingou um, estou te mandando a foto do troço que nasceu, não sei se é um cachogalo ou galochorro, por azar o estrupício nasceu igualzinho ao Foguinho, só que com a cabeça de galo, pior, todo dia de manhã eu ouço o hino do Mengão, e o desgraçado do sei lá o quê fica me bicando e fazendo xixi na minha perna, entreguei a coisa pro Jilozinho, que batizou o troço de Loco Abreu!  Puxou tudo do Foguinho, gosta de goró e é tarado igual ao pai. Fui na delegacia para enquadrar o Jilozinho na Lei da Dona Penha do Osvaldo, mas o  delegado riu de mim e disse que a lei só vale para seres humanos, então meu ser vai fazer justiça por si próprio, vou matar todo mundo: o Jilozinho, o Foguinho , o Loco Abreu e você que é safado igual ao Jilozinho e fica dando cobertura às safadezas dele comigo.

- Mas Totó...

- Totó uma ova... Aristides, naõ quero mais intimidade com vocês, e quanto terminar a matança aqui vou aí...Toinha, antes de morrer me tira uma dúvida, por quê tinha um monte de gente fugindo da polícia lá no Morro do Alemão com a camisa do Mengão? Acho que eles estavam se disfarçando de torcedores nossos para não sempre presos...né não?!

- É provável To...Aristides...é provável...

-Vou lá cometer meu " triglicerídeo" e depois vou aí acabar com sua raça...não fuja...safado!

Loco Abreu, o galochorro ou cachogalo, sei lá...
                                                              

Não existe nada

Não houve começo
Nem haverá fim
O universo
É assim

Primeiro Big
Depois Bang

Não existe o nada
Nem na morte
Somos nada

A formiguinha
Passeia tranquila
Por sobre a mesa

O que fazer ?
Nada...
                                                              

29 de novembro de 2010

Sou burrinho

Quem puder me explique, sou meu burrinho: A gente não paga imposto para que o Estado nos forneça alguns serviços básicos, dentre eles segurança ? Se é isso, porquê essa palhaçada toda no combate ao tráfico ? Creio que não estão fazendo mais que sua obrigação, nós os pagamos para isso.
Parece que nos estão fazendo um grande favor ao cumprir suas obrigações constitucionais, o que não faziam antes. Por que não faziam?

                                                 


                                                    
Mas devo estar errado, sou burrinho, quem puder me explique, talvez eu entenda...

Sem saco

Hoje estou com vontade de mandar todo mundo à merda e ir junto. Sem saco, não aguento mais ligar a televisão e ver  a mídia tratando o combate ao tráfico como se fosse a Terceira Grande Guerra,e a invasão do Morro do Alemão como a maior das batalhas, maior que a invasão da Normandia na Segunda Grande Guerra. Saco!
E estou com preguiça de escrever. Saco! Não consigo pensar. Saco! Nem ficar sem pensar. Saco! Sem saco. Saco!
Acho que vou fazer um saco de pipoca. Mas estou sem saco de levantar. Saco! E estou com saudade da minha " hominha" morena e pirracenta. Saco!
Já sei o que estão pensando: essa cara, além de maluco, é um saco! Não sou um saco, estou um saco. Saco!
Estou sacalmente sem saco. Saco! O que que é?! Saco! Vocês não ficam sem saco? Que saco! Saco!
Boa tarde! Vou coçar o saco...Saco!

                                                                            

Vencemos a República Democrática do Morro do Alemão

Ando aqui matutando,e quando começo a matutar podem esperar, alguma besteira sairá. Depois de ver o governador aqui do Rio, comemorar  a conquista do Morro do Alemão como se tivesse vencido a Terceira Guerra Mundial, só me resta matutar. Alemão, terceira guerra, é!, tá certo o governador. Eu só não sabia é que haviam tantos alemães negros e pobres. Coisas da modernidade. Teve até hasteamento da bandeira nacional no território conquistado aos afroalemães, uma cena entre o patético e o ridículo. Melhor ficar quieto, afinal vencemos uma batalha de trinta anos contra o poderoso exército do Morro do Alemão, herdeiros diretos do militarismo germânico e da rigorosa disciplina prussiana, tão cultuada pelos alemães, tanto os de além mar, quanto seus genéricos da ex-República Democrática do Morro do Alemão, agora incorporada ao Estado do Rio de Janeiro.
Marx disse que a " História ocorre a primeira vez como tragédia, a segunda como farsa"; nós desmoralizamos o pobre do Marx: primeiro tivemos a Batalha de Itararé, uma farsa, já que a batalha não ocorreu, e agora a Batalha do Morro do Alemão, a farsa da farsa, dialeticamente falando.
Mas me impressionou profundamente a disciplina militar e a organização do poderoso exército do Morro do Alemão, todos fardados, e batendo em retirada com altivez e organização  de dar inveja aos alemães originais. A tática de fuga foi baseada na lei de Murici: cada um cuida de si!
Guerra é conosco mesmo, lembram da Guerra do Paraguai? Nós, o maior país da América do Sul, nos aliamos à Argentina, o segundo maior país do continente, para vencer uma guerra contra o poderoso Paraguai, e ainda éramos apoiados pela Inglaterra, maior potência da época. Levamos cinco- CINCO!- anos para vencer...e nos orgulhamos disso.
Chega, já matutei demais, agora vou decorar o hino do Estado do Rio, ano que vem vai ser feriado estadual e vai ter desfile comemorativo do primeiro aniversário de nosso vitória contra o poderoso exército do Morro do Alemão. Ai...ai...somos patéticos!

                                                                                

28 de novembro de 2010

Sem matança

A turma da pena de morte deve estar desapontada, a polícia do Rio, pela primeira vez sem realizar matanças, que, mais das vezes,  matavam inocentes e bandidos, sem invadir casa de ninguém- como se ser pobre significasse, de antemão, ser suspeito- realiza a maior operação já levada a cabo contra o tráfico de drogas e consegue resultados nunca alcançados anteriormente, o principal: o respeito das populações onde as intervenções policiais estão sendo realizadas.
Que continue assim e agora que se combata às milícias, hoje o verdadeiro poder paralelo no Rio, em geral controladas por policiais. Aí é onde está o verdadeiro crime organizado. Aguardemos!

Vem cá, aquele bando de gente mais perdidos que cego em tiroteio é o tal temível crime organizado que durante anos controlou os morros do Rio?! Nem a fuga deles é organizada e nossos governos levaram esses anos todos para vencer aquilo? Tá...vou fazer de conta que acredito e tenho certeza( hahaha!) que ninguém levava grana para deixar que tomassem conta dos morros. Aliás, as próprias milícias já os haviam expulsado de várias comunidades anteriormente. É só ligar as pontas  e ver como somos governados.

Mas ao menos começaram a agir com decência, que prossiga assim, há um longo e tortuoso caminho pela frente. Mas o primeiro passo foi dado, com competência nunca vista antes.
Deveríamos ter uma Copa do Mundo e uma Olimpíada todo ano. Em 5 anos seríamos a cidade mais segura do mundo. Um paraíso!
(Foto: Felipe Dana)