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O sumiço do Buchudo

By | 10:49 5 comments
Carnaval

Sexta-feira, véspera de Carnaval, partíamos rumo a Calçado. Eu, Pedro Mello e Augusto, um amigo de Niterói. O ano era 1980 e seguíamos viagem no possante Doginho Polara do Augusto. Os três já um tanto quanto, digamos...calibrados! Durante a viagem um litro de conhaque nos servia de combustível, fora algumas paradas para comprar cerveja. Tudo ia nos conformes quando, depois de Rio Bonito, Pedrinho, que estava sentado atrás ( o carro só tinha duas portas), pede ao Augusto para parar no acostamento. Queria fazer xixi.

Saíram os dois pelo lado do motorista e eu fiquei no carro, pois estava cochilando no banco do carona. Abri os olhos, vi Augusto urinando na parte da frente do carro e resolvi descer para fazer o mesmo. Augusto termina, vira-se para mim e diz: " Zé, cadê o Pedrinho?" Olho para um lado, para o outro e... nada do Buchudo!

Augusto se abaixa, olha por sob o carro e ...nada! O Buchudo havia, como num passe de mágica, desaparecido.

Apavorados com o inaudito sumiço de nosso amigo começamos a gritar : Pedrinho!!! Pedro Mello !!! Buchudo!!!.... Nada! Silêncio total.... Continuamos chamando até que ouvimos um som gutural vindo do fundo do barranco : "Opa!  Tô aqui!"

- Tá fazendo o quê aí?!- pergunta Augusto.

- "Caí, porra!!! Vou subir!"

Bem amigos, foi uma cena impagável, nosso herói, já bastante calibrado, tentava subir o barranco- que devia ter uns dez metros de altura-  agarrando no capim e no mato que o circundava. Mas, invariavelmente, quando se aproximava do topo, os tufos de capim, ou mato, se soltavam e lá ia nosso Buchudo rolando barranco abaixo novamente. Augusto já estava até pensando em chamar um reboque para tirar o pobre do buraco, quando, num esforço heroico, nosso desastrado herói consegue retornar à estrada. Fora a sujeira e alguns arranhões de somenos importância, nada de mais grave aconteceu.

Depois de beber uma generosa dose de conhaque e se recompor do susto, Pedrinho, dedo em riste, vem em minha direção e, possesso, diz: "Você é um viado, devia é te dar umas porradas!!!"

- Ué, o que foi que eu fiz?!- indago espantado.

- Eu estava fazendo xixi encostado na porta do carona, você abriu a porra da porta sem olhar e me jogou lá embaixo. Olha o estado que estou, seu viado?! E a culpa é sua!

Antes do Buchudo terminar seu esporro, Augusto e eu começamos a rir... Rimos até a barriga doer! Curou até o porre! Em compensação levei tapa na nuca até chegarmos em Calçado.

Chegamos e fomos direto ao bar do Conrado, encontrar a turma. Quando Jilozinho viu o Pedrinho naquele estado deplorável, mandou: "Ô Pedro Mello, o bloco de sujos só sai amanhã e você já veio fantasiado de porco?! Ha! Ha! Ha!

Só deu tempo do Jilozinho se abaixar, pois a garrafa de conhaque passou zunindo por sobre sua cabeça.

Foi um grande carnaval.
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5 comentários:

  1. Ótima história. E eu que sempre achei que o Pedrinho fosse o mais equilibrado!

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  2. impagavel abertura de porta...heheheheheheeh o buchudo parou lá mebaixo...rs...se der apreça poer lá tb1 abs,Leandro

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  3. Anônimo5/14/2010

    ESSA É BEM SUA CARA MESMO!!!

    LI

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  4. Lecy Maria1/28/2012

    Adorei !!!! Boa demais !!!! Na minha opinião, você deveria escrever um livro (pra não dizer um LIVRÃO!), contando todas essas histórias envolvendo pessoas conhecidas nossas , em Calçado e fora de lá,tenho certeza que irá vender que nem água em dia quente ! Eu serei a primeira da lista em comprá-lo, pode apostar. Pra quem não conhece as pessoas envolvidas já é bom , agora pra quem conhece, é hilário !!! Conte mais, vou gostar e muito !

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  5. Obrigado, Lecy, vamos pensar n livro. Beijo!

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