Venho reparando há alguns dias o namoro de um casal aqui perto de casa. Pela manhã, desço, compro o jornal , me sento na porta do boteco e fico ali lendo e conversando fiado com o pessoal. Nos últimos dias, invariavelmente, um homem negro chega e vai se encontrar com sua namorada atrás da banca de jornal. Conversa, faz-lhe carinho, passando suavemente a mão por seu pescoço, depois no rosto, beija-a afetuosamente, afaga-lhe os belos cabelos negros, beija seus lábios carnudos, volta a conversar com ela, sempre fazendo algum carinho. É delicado e meigo, o homem, e apaixonado, vê-se logo pelo seu semblante. Fica ali com sua amada por uns vinte minutos em um namoro terno e suave, eivado de delicadeza e paixão. Depois dá um último beijo nos lábios da amada e se vai. Com os punhos fechados vibra como se tivesse feito um gol e some na esquina seguinte.
Na primeira vez que presenciei o namoro ri, riso debochado, afinal a amada do homem é um outdoor em que uma bela modelo faz propaganda de um shampoo. Ele, um mendigo aqui da área e tido como maluco-beleza, se apaixonou perdidamente pela bela morena da propaganda. Hoje fiquei triste, breve vão levar sua amada e ele voltará à sua solidão no mundo. Quantas solidões carregará aquele pobre homem?! Breve carregará mais uma...
12 de agosto de 2010
O bafômetro explodiu
Tumulto em Calçado, Jilózinho foi detido ontem na estrada entre Bom Jesus e Calçado. Nosso heroi voltava de uma festa na cidade vizinha quando foi abordado pela operação Lei Seca, estava a bordo de seu valoroso fusquinha 1961, amarelo-vistoso e tratado carinhosamente por ele de Menininho. Jilózinho se fazia acompanhar de sua atual ficante, a indefectível Ritinha Boca de Seda( não, não vou dizer o motivo da alcunha) e de Totó, que foi quem me ligou informando sobre o ocorrido.
Segundo Totó, ao serem parados o guarda pediu ao Jilózinho que fizesse o teste do bafômetro e foi aí que o imbróglio começou, Jilózinho, todo prosa, respirou fundo e assoprou com força, um desastre sem precedentes: o bafômetro explodiu!!!
Ritinha, também chegada a uma carraspana, foi rir da cena, perdeu o controle e sua dentadura voou, batendo com força na testa de um dos policiais. Foi o bastante, todo mundo detido. Após muita confusão na Delegacia, foram todos liberados, menos o Menininho e a dentadura da Ritinha, pois o policial, com os brios feridos e um galo na testa, abriu um processo por desacato e agressão contra Ritinha, e a postiça dentição ficou como prova material do fato. Jilózinho vai ter de ressascir os cofres públicos por destruição de bem do Estado, além da multa por dirigir embriagado.
Jilózinho virou heroi e é aplaudido de pé em todos os botecos da região, afinal era o único bafômetro disponível e levará algum tempo para ser reposto; e para compensar seu prejuízo financeiro uma rifa foi criada e vai correr em breve. As prendas são, um ganso, duas patas, uma porca e uma galinhola. Cada bilhete custa R$ 10.00 e fui obrigado a ficar com cinco. Rezando pra não ganhar...
Ritinha Boca de Seda(não falo, não adianta!) está inconsolável, pois está sem poder comer torresmo, seu tira-gosto preferido e quer porque quer sua dentadura de volta. Outra não quer, vocês sabem como é mulher quando encasqueta com alguma coisa. O advogado resolveu entrar com um Habeas-Dente para tentar reaver a bendita dentadura. Isso ainda vai render, ah, se vai...
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Segundo Totó, ao serem parados o guarda pediu ao Jilózinho que fizesse o teste do bafômetro e foi aí que o imbróglio começou, Jilózinho, todo prosa, respirou fundo e assoprou com força, um desastre sem precedentes: o bafômetro explodiu!!!
Ritinha, também chegada a uma carraspana, foi rir da cena, perdeu o controle e sua dentadura voou, batendo com força na testa de um dos policiais. Foi o bastante, todo mundo detido. Após muita confusão na Delegacia, foram todos liberados, menos o Menininho e a dentadura da Ritinha, pois o policial, com os brios feridos e um galo na testa, abriu um processo por desacato e agressão contra Ritinha, e a postiça dentição ficou como prova material do fato. Jilózinho vai ter de ressascir os cofres públicos por destruição de bem do Estado, além da multa por dirigir embriagado.
Jilózinho virou heroi e é aplaudido de pé em todos os botecos da região, afinal era o único bafômetro disponível e levará algum tempo para ser reposto; e para compensar seu prejuízo financeiro uma rifa foi criada e vai correr em breve. As prendas são, um ganso, duas patas, uma porca e uma galinhola. Cada bilhete custa R$ 10.00 e fui obrigado a ficar com cinco. Rezando pra não ganhar...
Ritinha Boca de Seda(não falo, não adianta!) está inconsolável, pois está sem poder comer torresmo, seu tira-gosto preferido e quer porque quer sua dentadura de volta. Outra não quer, vocês sabem como é mulher quando encasqueta com alguma coisa. O advogado resolveu entrar com um Habeas-Dente para tentar reaver a bendita dentadura. Isso ainda vai render, ah, se vai...
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11 de agosto de 2010
Uma manhã
Entro no elevador, música; sento no consultório, televisão ligada; no ônibus, música, brega e alta; na rua carros passam com som na maior altura, pessoas falam ao celular, outras com fone no ouvido; no boteco, televisão ligada; no supermercado o locutor, aos urros, oferece um novo produto; na esquina o guardinha apita histericamente tentando fazer o trânsito fluir; o celular toca, é meu amigo Saint-Clair me convidando para bater-papo em um café próximo, vou ao seu encontro, pedimos água e café, começamos a conversar e apreciar- serena e comportadamente- as belas donzelas que passam em um vaie vai sem fim( nenhuma vem!)- quando chega um conhecido meu, chato...chatérrimo e dispara a falar, pior, o exgomungado é torcedor daquele time lá da Gávea- não é por isso que ele é chato, melhor, não é só por isso- e começa a falar das soluções para a desdita que vivem...quero é que se danem!
Ainda por cima é daqueles que falam e ao mesmo tempo cutucam os ombros da gente, levei uns trinta cutucões, olhei pro saint-Clair,como que pedindo desculpa e socorro, ele logo percebeu, pediu a conta e saimos. Sem ao menos poder curtir a vitória do Botafogo no sábado.
Volto pra casa e me deparo com a Norma- a empregada folgada e gente boa que tenho, aliás, aqui em casa o cachorro manda, a empregada manda, meu filho manda e eu desmando-, mas, voltando ao assunto, deparo com a Norma discutindo relação com o marido pelo celular, e sabem como é discutir relação com mulher: elas falam, a gente ouve e, quando muito, concorda; pois é, após esculhambar o infeliz por uns vinte minutos, vem até mim e diz: Por que vocês homens são tão safados?!! O almoço vai atrasar...
Uma bela manhã de segunda-feira, não ?
Obs: Danielle, calma, você apesar de torcer pro time lá da Gávea( pobre Gávea, um bairro tão bonito!), não é chata...é bonita e inteligente, gloriosa genética botafoguense de sua mãe.
Ainda por cima é daqueles que falam e ao mesmo tempo cutucam os ombros da gente, levei uns trinta cutucões, olhei pro saint-Clair,como que pedindo desculpa e socorro, ele logo percebeu, pediu a conta e saimos. Sem ao menos poder curtir a vitória do Botafogo no sábado.
Volto pra casa e me deparo com a Norma- a empregada folgada e gente boa que tenho, aliás, aqui em casa o cachorro manda, a empregada manda, meu filho manda e eu desmando-, mas, voltando ao assunto, deparo com a Norma discutindo relação com o marido pelo celular, e sabem como é discutir relação com mulher: elas falam, a gente ouve e, quando muito, concorda; pois é, após esculhambar o infeliz por uns vinte minutos, vem até mim e diz: Por que vocês homens são tão safados?!! O almoço vai atrasar...
Uma bela manhã de segunda-feira, não ?
Obs: Danielle, calma, você apesar de torcer pro time lá da Gávea( pobre Gávea, um bairro tão bonito!), não é chata...é bonita e inteligente, gloriosa genética botafoguense de sua mãe.
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Lágrima
desejei teu corpo
e te amei com loucura
um dia o desejou acabouteu corpo se foi
e eu sai por aí
a procura de novos corpos
novos desejos, que se vão
na contramão do tempo
e quando o tempo se for
nada restará
além da angústia da morte
que, com sorte
virá rápida, fria, indolor
e nada restará
apenas, talvez
a lembrança de um sorriso
o vagar da saudade
e uma lágrima a rolar
límpida e delicada
por seu rosto belo
e você se vai...
10 de agosto de 2010
Tem de pecar
Um carro em alta velocidade avança o sinal, atropela uma pessoa e desgovernado bate em um poste. O motorista e o transeunte(eita palavrinha feia!) são levados ao Hospital em estado grave. Desenganados, um padre é chamado para lhes dar a confissão e aplicar a extrema-unção. O motorista se confessa, chora copiosamente, implora o perdão divino e , logo após, morre. O outro não aceita a confissão, diz ser ateu e prefere morrer fiel a seus princípios, e morre logo em seguida.
Para alegria do motorista e surpresa do atropelado o céu existia e São Pedro estava na porta pra fazer o check-in dos desencarnados. Pergunta o nome do motorista e o digita no seu notebook de última geração( o céu está todo informatizado, tem até filial aqui na Terra, o Google, que tudo sabe e tudo vê), ao ver a ficha, melhor folha corrida do ex-cidadão, São Pedro toma um susto, o sacripanta havia praticado todos os sete pecados capitais e mais uns tantos por sua conta e risco.Passou a vida fazendo lambança o mais novo pretendente a viver na reino celeste. Mas, era católico fervoroso o devasso pecador, daqueles de ir à missa todos os domingos, pagar o dízimo e havia se arrependido de seus pecados pouco antes de " dar baixa". São Pedro, um tanto ou quanto contrariado foi obrigado a deixar a alma penada entrar.
O próximo da fila era o pobre do ateu, São Pedro pergunta seu nome, olha seu prontuário e abre um largo sorriso, era praticamente um santo, o ateu, bom pai, marido exemplar, excelente amigo, ajudava todo mundo, nunca sonegou imposto( não reclamem, o exagero faz parte da crônica), tinha todos os requisitos de um bom cristão; mas era ateu... São Pedro parou...pensou..pensou...puxou o quase anjo para perto de si e falou em seus ouvidos: - Vou fazer o seguinte, você vai entrar pela porta dos fundos, é um homem bom, embora burro, não é justo que o outro, que te matou e só fez merda( nem no céu merda é palavrão mais) entrou porque se arrependeu e você que viveu com dignidade e bondade vá pro inferno. Entra por lá, e cala a boca, se descobrirem que deixei você entrar tô lascado. E vê se aprende, o negócio não é não fazer merda como você; é fazer e se arrepender...se ninguém pecar nos vamos perdoar a quem?
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Para alegria do motorista e surpresa do atropelado o céu existia e São Pedro estava na porta pra fazer o check-in dos desencarnados. Pergunta o nome do motorista e o digita no seu notebook de última geração( o céu está todo informatizado, tem até filial aqui na Terra, o Google, que tudo sabe e tudo vê), ao ver a ficha, melhor folha corrida do ex-cidadão, São Pedro toma um susto, o sacripanta havia praticado todos os sete pecados capitais e mais uns tantos por sua conta e risco.Passou a vida fazendo lambança o mais novo pretendente a viver na reino celeste. Mas, era católico fervoroso o devasso pecador, daqueles de ir à missa todos os domingos, pagar o dízimo e havia se arrependido de seus pecados pouco antes de " dar baixa". São Pedro, um tanto ou quanto contrariado foi obrigado a deixar a alma penada entrar.
O próximo da fila era o pobre do ateu, São Pedro pergunta seu nome, olha seu prontuário e abre um largo sorriso, era praticamente um santo, o ateu, bom pai, marido exemplar, excelente amigo, ajudava todo mundo, nunca sonegou imposto( não reclamem, o exagero faz parte da crônica), tinha todos os requisitos de um bom cristão; mas era ateu... São Pedro parou...pensou..pensou...puxou o quase anjo para perto de si e falou em seus ouvidos: - Vou fazer o seguinte, você vai entrar pela porta dos fundos, é um homem bom, embora burro, não é justo que o outro, que te matou e só fez merda( nem no céu merda é palavrão mais) entrou porque se arrependeu e você que viveu com dignidade e bondade vá pro inferno. Entra por lá, e cala a boca, se descobrirem que deixei você entrar tô lascado. E vê se aprende, o negócio não é não fazer merda como você; é fazer e se arrepender...se ninguém pecar nos vamos perdoar a quem?
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O jogo do século
Desprezo
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| Criança com fome |
Ah, adoro cachorros, até tenho um, e o trato muitíssimo bem, somos grandes amigos, mas ele é cachorro; e cachorros não precisam de escolas de qualidades, não precisam de hospitais públicos, não precisam de roupas, nem de famílias estruturadas. Boa comida, carinho e veterinário é o bastante. E uma cadelinha, de quando em vez. Até nisso levam vantagem, os cachorros, não têm de discutir relação, lembrar do primeiro beijo, da data do aniversário da sogra, de elogiar o sapato novo, idêntico ao do dia anterior mas com fivela diferente...Calma meninas, é só brincadeirinha, o mundo não teria a menor graça sem vocês...seria mais calmo, sem dúvida, mas infinitamente mais feio e triste. Ufa, acho que me salvei...
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