18 de agosto de 2010

O tempo

Um dia, ainda que seja nunca, te encontrarei, e serás minha minha, nem que seja somente uma breve eternidade. E marcarei tua alma com minha paixão, e carregarás contigo a presença minha, em cada dia do resto de tua vida. Aquele momento, breve que seja, te fará escrava da saudade, minha. Que fujas, que se entregue a outros homens, lembrarás sempre a eternidade ínfima daquela instante . Vá, pode ir, estou indelevelmente dentro ti. E o tempo, carrasco de nossas desventuras, te dirá: Não, agora não há mais tempo. Perdeste-me, a mim, seu tempo, só te permitirei que leve contigo a dor da saudade daquele amor que abandonaste, faz tempo. E eu, seu tempo, tanto te avisei: Estou passando, depois não haverá mais tempo...Agora, é tempo de outro tempo. O tempo da dor, o tempo do arrenpendimento, o tempo da angústia, o tempo da saudade. E terás toda a eternidade para viver seu novo tempo. Adeus...


17 de agosto de 2010

Enforcada

Pois é, a Sakineh não vai mais morrer apedrejada, vai ser enforcada. Como são magnânimos, os tiranos. Estou quase chorando de emoção ao ver tanto desprendimento dos canalhas que a condenaram à morte. Pior que isso é ver que tem gente que se diz progressista, defender tal atrocidade sob o pseudo-argumento que devemos respeitar a identidade cultural de cada nação. Aliás, o Lula veio com essa conversa mole e ultrajante, só depois de pressionado resolveu oferecer asilo para Sakineh.É o tal multiculturalismo, baboseira inventada por certos intelectuais que serve de guarda-chuva para seu cinismo atávico. O capitalismo se espraiou pelo mundo todo e entre tantos defeitos, permitiu à humanidade algumas conquistas importantes, dentre elas a separação entre religião e Estado. O Irã é um país capitalista, dos maiores exportadores de petróleo para o mundo, tem uma classe média educada e ocidentalizada e não pode ficar sujeito a absurdas leis religiosas, nem o Irã, nem país nenhum. Que rezem, se virem para Meca quantas vezes quiserem, mas não imponham seus preceitos religiosos para oprimir seus cidadãos. Não dá para aceitar barbaridades em nome de uma suposta identidade cultural. Se assim for, Hitler estava tão somente querendo uma Alemanha ariana, resgatando a identidade de seu povo. Não esqueçamos do apoio que ele tinha não só na Alemanha, mas em boa parte do mundo. Ah, antes que esqueça, boa parte da cúpula da Santa Madre Igreja Apostólica Romana, apoiou seus intentos e, mesmo depois da derrota alemã, vários nazistas foram protegidos por parte do clero e enviados à América do Sul; Argentina, principalmente.

Às vezes fico divagando e me pergunto: Será que essa gente acredita mesmo em Deus, ou só o usa para conquistar poder e prestígio? Será que Jesus concordaria com o fausto que é o Vaticano? Ou expulsaria os vendilhões do templo, mais uma vez!

Aceitar e respeitar diferenças, não quer dizer ser indiferente aos direitos humanos. De todos!





16 de agosto de 2010

Grosso


Quando vi a charge acima, dei-me conta de como as coisas mudam, quando era garoto vivia na rua brincando com os amigos e ficava adiando o momento de ir pra casa. Hoje os pais têm de insistir com os filhos para que saiam de casa. É televisão, vídeogame, internet, uma parafernália eletrônica que fascina à molecada. Sem falar na violência, que prende mais nossos filhos em casa. Festas, os pais levam e depois buscam, passeio quase sempre em Shopping-Center, futebol em escolinhas. Têm muito mais bens materiais, mais informação e menos liberdade e vivência, nossos filhos. A infância encurtou, perdem a inocência mais cedo, a pressão por sucesso,qualquer sucesso, aumentou. Os padrões de moralidade mudaram, vencer, ser o melhor, é o que vale, e vale tudo para conseguí-lo. E mais pressionados e mais presos, ficam, quase sempre, mais agressivos, intolerantes e infelizes. Sem falar na maior ausência dos pais, tão pressionados quanto eles, e muitas das vezes, separados, sobrando quase sempre para as mães o papel de educar sozinhas sua prole.
E tomede drogas, consumismo exacerbado, problemas psicológicos, individualismo extremo, enfim, um sem número de mazelas provocadas por um sistema que privilegia os vencedores. Nada mais darwnista que o capitalismo. A coisa é tão cruel que outro dia li um artigo muito interessante( esqueci o autor e onde li, mas vou encontrar) em que o autor falava sobre os doutores- analfabetos, ou seja, as pessoas se especializam tanto em um assunto, que são incapazes de ter um mínimo de cultura geral, verdadeiros anafalbetos com diploma. E acham que ter dinheiro compra tudo, inclusive cultura e amor. Ledo engano, cultura não se compra, nem amor, sexo sim...
Me impressiona a capacidade do capitalismo fazer tudo virar um grande negócio. Deus, hoje, talvez seja o maior ativo de nossa sociedade, investe-se na palavra e montam-se impérios financeiros vendendo pedaços do céu para homens ávidos de um pouco de paz. Sexo, vende-se em quaquer lugar. Tratam-se cachorros como gente, podem ser até melhor,mas são cachorros. Sábado saí com o meu e tinha uma mulher passeando com o dela, os dois começaram a se cheirar( os cachorros, bem entendido, a madame era um bucho!) e ela se virou pra mim e perguntou: Homem? Não, cachorro!- respondi. Bem, aí veio o tradicional e indefectível adjetivo com o qual elas adoram nos homenagear: - Grosso!!!
Saí rindo e vim pra casa ver o Fogão dar mais um show de bola!
É como me disse o Saint-Clair,outro dia, tratamos os cachorros como gente e gente como cachorros. E assim caminha a humanidade. Breve estaremos latindo!

Algumas questões

Nossas grandes empresas de comunicação andam histéricas com algumas propostas de democratização da mídia que vêm sendo discutidas por movimentos sociais e pelo governo . Falam em preservar a democracia, e cairam de pau no projeto. Comandados, é claro, pela democrática Rede Globo, de relevantes serviços prestados à finada, espero que para sempre, Ditadura Militar. Alguns detalhes que nossos valorosos " democratas" se esqueceram de citar: Na democrática França, todos, eu disse todos!,  os canais de TV aberta são estatais, só um é privado. Na democrática Itália, a maior rede televisiva é a RAI, estatal; em Portugal a RTP; e na Inglaterra temos a BBC, exemplo de isenção e democracia, não por acaso, estatal. Atenção: são do Estado, públicas, independentes do governo de plantão. Precisamos aprender a separar Estado de governo. Infelizmente temos um longo caminho à percorrer, mas estamos caminhando, para desgosto de nossas elites que ainda acham que têm o direito de governar o país por direito divino e ficam dando ataques histéricos com qualquer iniciativa do governo que vá de encontro aos interesses da população.

O Brasil foi o último país a abolir a escravidão e somos o único que nunca fizemos uma Reforma Agrária, digna desse nome. Ela é tão necessária que o Incra- Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, não foi criado por nenhum esquerdista radical, antes ao contrário, foi criado em junho de 1970 pelo mais sanguinário dos generais à serviço da ditadura: Emílio Garrastazu Médici. Isso a nossa grande e democrática grande mídia não diz; nem diz que grande parte das terras ocupadas por latifundiários são terras devolutas, ou seja, do Estado, invadidas por particulares, quase sempre com escrituras forjadas. Já falei aqui, mas vou repetir: O termo grilagem de terras, se originou no início do século passado no Pontal do Paranapanema, São Paulo. Os fazendeiros falsificavam  escrituras de terras  e as colocavam dentro de gavetões, naquelas cômodas antigas, e enchiam de grilos vivos, as fezes ( merda, cocô, bosta, entenderam?!) dos bichinhos faziam com que os papéis parecessem muito mais antigos que realmente eram. Depois dizem que merda não dá dinheiro...

Na última crise mundial os governos dos países ricos injetaram bilhões de dólares para salvar suas empresas e ativar à economia; aqui, vinha o FMI, e tome recessão e desemprego, tudo sob o aplauso entusiasmado da grande mídia. Hipócritas!!!

Ah, sem falar nos nosso çabios( çabidíççimos!) economistas conservadores que diziam que o país não tinha como crescer mais de 3% ao ano,e apostam no caos para encherem o rabo de dinheiro com especulação e às custas da miséria de nossa gente. Canalhas!!!

E o Serra, ao se aliar à essa gente, vai, com cada vez mais velocidade, descendo a serra. Sei não, mas vai ser um derrota vergonhosa para um homem que tem uma bela Història de vida. Pena...


15 de agosto de 2010

Sem creme

Mulheres e cremes são uma combinação perfeita. Tempos atrás quase quebrei o pescoço devido ao excesso de cremosidade de uma namorada. Na primeira vez que fui dormir em sua casa entro no banheiro da suíte e vejo uma coleção de cremes espalhados por todos os lados, uns trinta, sem exagero: tinha creme para passar no lado esquerdo das nádegas( bunda, seus ignorantes), no lado direito; creme pra tornozelo; joelho; cotovelo...Uma parafernália cremosa sem tamanho. Saí do banheiro, ainda meio tímido, sabe como é, primeira vez, e me deitei na espaçosa cama americana dela. Fiquei vendo televisão e ela foi pro banheiro. Ficou lá uns quarenta minutos e quando saiu estava lindíssima, provocante...Chega, já estão querendo saber demais,  isso aqui não é BBB! Levantei-me e fui ao seu encontro, beijei-a com sofreguidão e entre beijos e abraços tirei a pouca roupa que ela vestia, deite-a na cama e fui por cima dela. Um desastre... Devido ao excesso de creme com que ela havia se lambuzado, sua pele estava lisa e escorregadia e o trouxa aqui deslizou suavemente sobre a bela e cheirosa superfície feminina e foi cair de cabeça no chão, do outro lado da cama. Depois do susto rimos por um bom tempo. Após ela tomar um banho e tirar o excesso de creme, retomamos, gloriosamente, nossa noite de amor. Mas fiquei uns bons dias com o pescoço dolorido, lá isso fiquei! E desse dia em diante, creme só após os trabalhos devidamente encerrados. Saco!


14 de agosto de 2010

Totó imortal

Cinco e dez da manhã toca o telefone, como sempre Totó, como desde sempre, a cobrar, um frio de lascar e sou obrigado a ouvir, pacientemente, o relato de meu amigo, que agora é poeta, arrumação do Saint-Clair. Mas vamos ao papo- monólogo- com Totó.

- Toinha, Jilózinho está uma fera comigo, falei que ele também arrumou uma mulher fruta, não tem mulher melancia, jaca, pera, morango, pois é, a Ritinha Boca de Seda( não insistam, não direi o motivo do apelido) é a mulher-maracujá de gaveta, nunca vi tanta ruga; quando falei ele partiu em cima de mim junto com o Foguinho, cachorro nojento, não é à toa que tem esse nome, é nojento igual ao time de vocês. Mas tô ligando pra dizer que resolvi escrever um livro de poemas e soube que o meu maior fã, o Saint-Clair, tá aqui em Bom Jesus, mais tarde vou lá dar um autógrafo a ele. E vou convidá-lo pra escrever o " prefácil" de meu livro, o Edson vai escrever o " posfácil", assim ninguém fica com ciúme. E vou homenagear o meu coleguinha, Carlos Drummond de Andrade, gostei muito do livro dele, Amar se Aprende Amando, e o título do meu será parecido: Trepar se Aprende Trepando, adorei o nome, sutil e delicado, como devem ser os livros de grandes poetas. Tô até pensando em inovar e além do " prefácil" e do " posfácil", vai ter o "meiofácil", no meio do livro vou convidar o Paulo Laurindo e o Ricardo Novais para escreverem uma análise da obra. Você vai ver, vou entrar pelos anais da literatura brasileira adentro. Tava até pensando em me candidatar a imortal lá na Academia Brasileira de Letras, mas acho aquilo lá muito esquisito, o imortal morre, aí entra outro imortal e logo morre também...não entendo...o único que acho que é imortal de verdade lá é o Sarney, e se tiver que conviver com ele muito tempo o imortal aqui vai pras cucuias rapidinho. De desgosto!!! Fiz um poeminha pro Mengão, bota aí no blog. Sem reclamar!


Mengão do meu coração,
time de raça e paixão,
mulher lá não tem vez não,
se aporrinhar vira papá de cão.


Bem, agora vou desligar, estou escrevendo um poema em homenagem a mim mesmo. Depois te mando. Abraço! - E desliga o telefone.

13 de agosto de 2010

A felicidade do silêncio

O silêncio...prefiro a felicidade do silêncio que a alegria da algazarra. Escutar o canto da sabiá, folhear, displicente, um bom livro, sentir sua textura, o quanto de beleza, de sentimento se acumula ali dentro. A alegria é fugaz, se esvai...depende do outro ou de outros. O silêncio, não, é meu companheiro de viagem, escuta minhas dores, partilha minhas tristezas e acalenta minhas saudades. Às vezes o abandono e saio por aí em busca de alegria e felicidade, até encontro, mas são fugazes e retorno ao encontro do silêncio- de sua sabedoria, de sua paciência infinita.
Silêncio é amor terno, leve, constante; alegria é paixão efervescente, adrenalina, inconstância...impermanência. Vivi muitas e descobri que prefiro a paz do silêncio, é ele quem cura minhas dores causadas pelas alegrias que se foram, é ele que recolhe minhas lágrimas e me conforta e é com ele, no fim das contas, que " viverei" a eternidade do nada que um dia serei.