31 de agosto de 2010

Que sejam felizes

Na praça um casal namora, estão sentados no banco. Beijam-se, ora carinhosamente, ora com ardor. Param, o homem pega uma garrafa embrulhada em papel de jornal, serve uma dose no copo descartável e delicadamente o leva até à boca da mulher. Depois que ela bebe,  ele a beija e vira o que restou. Ela fala alguma coisa e os dois começam a rir. Quase não há dentes na boca de ambos. Estão sujos- sujíssimos-, cabelos desgrenhados, o homem com barba mal-cuidada, a mulher com pernas cabeludas, algumas feridas em braços e pernas.  Bebem mais um gole, o homem pega uns biscoitos na mochila rasgada e imunda, leva um à boca da amada, beija-a novamente, afaga seus cabelos duros de não ver água há tempos, depois ela se deita no colo dele, e fica ali deitada, ele acarinhando seu rosto com ternura. Passam-se alguns breves minutos quando dois guardas municipais se dirijem até eles e ordenam que se retirem da praça. Não esboçam qualquer reação, levantam-se, pegam seus maltrapilhos pertences e saem abraçados em direção à lugar nenhum. Que é seu lugar no mundo. São párias, bêbados, a escória da humanidade. Fico  olhando a cena e vejo que o amor é o único resquício de humanidade ali naquele vão momento. Foi o que lhes sobrou do mundo: o amor de um homem por uma mulher. Nada mais têm, a não ser a si mesmos. O quê, aparentemente, lhes basta. Que sejam felizes...



Um dia triste

Hoje é um dia triste, mais um símbolo do Rio deixa de existir: o Jornal do Brasil, o velho e bom JB deixa de circular, terá somente uma versão digital. Vinha definhando há tempos e agora o triste fim. Foi através das páginas do JB que comecei a tomar ciência do mundo; que havia uma ditadura no país; que os jovens se rebelevam no mundo todo; que o Vietnam resistia; que derramei lágrimas ao ver às fotos do Che morto- tinha apenas 12 anos, mas aquela figura entre o romântico e o mítico me despertava sonhos de um mundo novo; que me apaixonei ainda mais pelo Botafogo, não fosse o JB uma fortaleza de alvinegros geniais: Armando Nogueira, João Saldanha, Sandro Moreira, Oldemário Touguinhó e Paulo Mendes Campos.

Obrigado a Carlinhos Oliveira, cronista de uma geração; obrigado Alceu Amoroso Lima, pelos ensaios brilhantes e sua luta contra a ditadura; obrigado Carlos Castelo Branco, pelo belo texto; obrigado a todos que fizeram o  maior jornal que este país já viu. Foi com vocês que aprendi que a liberdade não tem preço; que o maior medo de ditadores é a inteligência; que canalhas que hoje andam por aí, posando de democratas, construíram suas carreiras lambendo  coturnos des milicos.  São piores que torturadores; foram omissos, coniventes, covardes. Querem nomes: Sarney, Maluf, Delfim Neto, Marco Maciel. É duro e triste ver o PT de braços dados com uma figura como Sarney, por mais que me expliquem, não consigo engolir. O sapo é grande demais, não passa pela garganta...


No fim o mundo é dos práticos, dos subservientes, dos canalhas...mas de quando em vez é sempre bom lembra-lhes o que são e que a História há de colocá-los em seus devidos lugares: o esgoto mais fétido, lugar de homens cujo caráter não vai além de um coturno. Os herois não se fazem lambendo botas, mas sendo pisados por elas.

O fim de uma era

30 de agosto de 2010

Gigabytes de menos

Travou...meio cérebro travou, como o mais reles computador. Ideias atravessam como raios, não dá tempo...está tudo desconectado...uma balbúrdia sem igual.  Uma mistura desconcertante de pensamentos desconexos; excesso de neurônios destrambelhados, cada qual querendo impor sua vontade ao outro. Uma guerra mental sem tréguas, e eu no meio querendo controlar a confusão. Difícil, afinal a confusão sou eu, acho que nasci com pensamentos demasiados e gigabytes de menos. Sempre, desde a mais tenra idade( viram, estou ficando educado e besta!), gosto de ler, tudo e qualquer coisa. Adoro ler dicionário. Qual o problema, tão achando que sou maluco?!?! Estou ouvindo Para Elisa de Beethoven- posso ser maluco, mas tenho bom gosto, não acham? Como pode um povo que produz um Beethoven, um Mozart, um Goethe, entre tantos gênios da humanidade, se deixar levar por uma figura grotesca como Hitler?! Não estou falando de ideologia, estou falando daquela personalidade histérica, com um bigodinho ridículo, cheio de tiques e uma mente ordinária, conseguir levar um povo brilhante além das raias da loucura coletiva. Inexplicável! Outra coisa que sempre me intrigou foi a enorme quantidade de judeus-alemães que exerceram um papel fundamental em nossa maneira de ver o mundo: Marx, Einstein, Freud, Hannah Arendt, Norbert Elias,  Walter Benjamim e mais uma gama deles. É intrigante...
Já estou começando a ficar preocupado, o Botafogo estava há oito jogos sem derrota, e perdeu sábado, o Jobson, nosso melhor jogador, se machucou...o Botafogo é tão destrambelhado quanto eu, quando começa a fazer lambança, hã!, vai até o limite. Pior, vai além...muito além...e ainda por cima o próximo jogo é contra um time que se chama Grêmio Prudente, exatamente o que não somos, eu e o Botafogo...prudentes...ao contrário, somos confusão e emoção. Nossa estrela vai do brilho mais intenso no firmamento ao mais profundo buraco negro num átimo de segundo.  Mas sempre saímos, machucados, chamuscados, tontos, mas sempre mais fortes. Cansa...


Cara de tacho

Ontem à noite estava na padaria aqui perto quando entra dona Celinha, uma simpática senhorinha de 88 anos, em perfeito estado de saúde, conversadeira e torcedora fanática do...do...bem...daquele time lá da Gávea( pobre Gávea, um bairro tão bonito!). Moramos no mesmo prédio durante três anos, depois me mudei e já não a encontro com tanta frequência, mas, invariavelmente, toda vez que nos encontramos, ela diz: - Você é Botafogo, né?!
- Sou!
- Detesto o Botafogo, tenho horror...mas de você eu gosto, não gosto do meu cunhado que é Botafogo doente, aquele nojento!
Ontem me cumprimentou e não disse nada, pensei que estava envergonhada com a derrota vexaminosa de seu time para o Guarani e perguntei- provocando-, se tinha visto o jogo. Para minha surpresa ela me respondeu assim: - Não torço mais para aquele time, sou fã do Bruno e eles abandonaram ele. Não posso nem ver a cara daquela mulher que agora manda lá...
- Ah, então vai virar Botafogo- provoquei, rindo.
- Nunca!!! Tenho horror ao Botafogo, enquanto aquele estrupício for presidente eu sou Fluminense.
Saí rindo e achando interessante como não sabemos separar sentimentos: ela não gosta do cunhado que é Botafogo, por extensão, não gosta do Botafogo; é fã do goleiro Bruno que, na sua visão, foi abandonado pela presidenta do...bem...vocês sabem, por extensão mudou de time...provisoriamente. Tenho uma amiga que também é assim, no sábado me passou mensagem debochando da derrota do Botafogo- miseravelmente roubado, mais uma vez, diga-se de passsagem- e desde ontem à noite...me ignora solenemente...hihihi...Mas, baixinho aqui, só pra nós...vocês viram a cara de tacho deles...impagável!!!


Bugre depena Urubu

Mundo da lua

Dizem
que 
os
poetas
vivem     
no
mundo
da
lua



Deve
ser
belo
doce
fraterno


o
lunático
mundo                       
da
lua


Quero
morar
 lá!

29 de agosto de 2010

Eternamente

Não quero amor eterno,
é ilusão,
Quero amor terno,
A quietude de teu colo
Teu cheiro embriagante
A meiguice de um beijo
suave e delicado

Eis a eternidade
Que quero
De ti
De nós

E depois a paixão
O desejo, o suor
O êxtase, meu
no corpo, teu

Serei tu
Serás eu
Seremos nós
Um só

Eternamente...


Filhos do inferno

E somos...
tristemente...
humanos...


nós?!?!
Tenham todos um bom domingo e rezem por nós...por eles não é preciso. São filhos do inferno...de nossa humanidade, nenhuma!