Li um artigo excelente de Michel Blanco sobre preconceito, xenofobia e rascismo, que vieram à tona como nunca nas últimas eleições e expuseram as vísceras de nosso secular autoritarismo . O avanço de nosso capitalismo, aliado às políticas sociais do governo, incorporaram boa parte das classes C e D ao mercado de consumo, provocando horror, revolta e ódio em parte de nossa elite dita bem-pensante e de parte da classe média que se acha parte desta mesma elite, ou aspira ascender a ela e segue seus ditames. Temos um governo de esquerda que teve de se aliar a algumas oligarquias regionais e parte da burguesia nacional para poder governar. Só para lembrar: o vice-presidente José Alencar é um dos maiores empresários do país; o presidente do Banco Central é Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco de Boston, um dos ícones do capitalismo americano; Abílio Diniz dono do grupo Páo de Açucar e Eike Batista, talvez os dois maiores empresários do país, apoiaram Dilma. Não são burros, sabem que quanto mais gente no mercado de consumo, mais aumentarão seus lucros. Não são bonzinhos, são capitalistas. Os agiotas do sistema financeiro nunca ganharam tanto dinheiro. Pelo que me consta essa gente não tem nada de esquerdista.
O problema é que fomos acostumados a achar que pobre foi feito para nos servir e ficar com as sobras de nosso consumo- as roupas velhas para a empregada; a televisão usada para o porteiro; o garçom a nos chamar de doutor. Quando os de baixo começam a se mover, os de cima se assustam e- burramente- querem manter seus privilégios, não adianta, vão ter de se adaptar à nova realidade.
A era do cada qual em seu lugar acabou, somos tão autoritários e excludentes, que lá em São José do Calçado onde nasci, até pouco tempo atrás os clubes eram separados, o dos brancos e o dos negros, com um agravante, os brancos podiam ir no clube dos negros(por ironia denominado Clube dos Operários) e eles não podiam ir no " nosso". Andávamos juntos, brincávamos juntos, estudávamos juntos- mas cada qual no seu lugar. A senzala ainda nos ronda, tristemente.
Tenho uma amiga que não tem onde cair morta, mas é bem apessoada, se veste bem e se acha classe média, um poço de preconceitos, principalmente contra pobres, que na cabeça dela ou são serviçais submissos ou bandidos. Ah, é verdade!, odeia evangélicos, mas tem uma gurua... portuguesa! Ai...ai...como sou preconceituoso.
Não sou especialista, mas o avanço dos evangélicos está intrinsicamente ligado ao avanço do capitalismo brasileiro; Lutero, Calvino, et-caterva, são , grosso modo, crias do capitalismo que precisava romper com as estruturas arcaicas que o impediam de se expandir, o mesmo anda , com alguns séculos de atraso, ocorrendo por aqui.
7 de novembro de 2010
Depois da infância
Sol com chuva
Casamento de viúva
Chuva com sol
Casamento de espanhol
Isso na infância
Depois:
Sol com chuva
No enterro da viúva
Chuva com sol
No desquite do espanhol
Casamento de viúva
Chuva com sol
Casamento de espanhol
Isso na infância
Depois:
Sol com chuva
No enterro da viúva
Chuva com sol
No desquite do espanhol
Hora sol hora chuva
A chuva que caí lá fora
Limpa a terra
Levando consigo
Saudades, dores, desamores.
Depois vem o sol
Trazendo novos amores
Que com o tempo
Salpicarão a terra
De novas saudades, dores e desamores.
E assim caminhamos nós
Hora sol, hora chuva.
Não deixo nublar o tempo meu
Ou sou raios de sol
Ou sou lágrimas de chuva.
Não carrego nubladas dúvidas
Ou brilho como sol
Ou choro como chuva.
Ando mais chuva
É certo!
Mas breve serei
Sol !
Limpa a terra
Levando consigo
Saudades, dores, desamores.
Depois vem o sol
Trazendo novos amores
Que com o tempo
Salpicarão a terra
De novas saudades, dores e desamores.
E assim caminhamos nós
Hora sol, hora chuva.
Não deixo nublar o tempo meu
Ou sou raios de sol
Ou sou lágrimas de chuva.
Não carrego nubladas dúvidas
Ou brilho como sol
Ou choro como chuva.
Ando mais chuva
É certo!
Mas breve serei
Sol !
6 de novembro de 2010
E dela serão todos os beijos meus
O colibri beija suavemente
a flor do bouganville
Eu beijarei suavemente
os lábios de danielle
o colibri voa de flor em flor
e vai beijando uma a uma
eu voo em direção a só uma
e dela serão todos os beijos meus
a flor do bouganville
Eu beijarei suavemente
os lábios de danielle
o colibri voa de flor em flor
e vai beijando uma a uma
eu voo em direção a só uma
e dela serão todos os beijos meus
5 de novembro de 2010
Meus neurônios estão em greve
Estou com uma preguiça inaudita, meus parcos neurônios se recusam terminantemente a pensar. Fazer o quê? Nunca me respeitaram muito mesmo. Mas ao mesmo tempo que não querem pensar, são irriquietos, os danadinhos. Na verdade, eles não querem pensar o que eu quero que pensem, querem pensar por si mesmos, comandados pelo Ludovico, o neurônio chefe e meio anarquista, que vive querendo fazer revolução em meu- ou deles, já nem sei- cérebro. Se deixar o Ludovico provoca uma verdadeira balbúrdia em minha mioleira, como resisto, ele arranja logo uma greve e aí se recusam a pensar e fico eu aqui numa preguiça paulista( baiana não pode, é preconceito), querendo escrever e eles lá, se recusando a pensar. Só estou escrevendo porque tem uma parcela deles, pequena é verdade, que é mais à direita e se recusam a seguir o Ludovico, são organizados, sérios, castos, conservadores e vivem em guerra com a vasta legião ludovicana que comanda ou descomanda, sei lá!, meu cerébro. Só duas palavras são capazes de unir as duas facções neuroniais de minha bagunçada caixa craniana: Botafogo e, ultimamente, Danielle- é só lembrar que se assanham todos, unidos, os safados.
E não venham encher o saco dizendo que fiquei maluco, o grande Carlos Drumnond de Andrade escreveu um poema mais ou menos assim: no meio do caminho tinha uma pedra/ tinha uma pedra no meio do caminho...e ele foi repetindo isso sem tirar a pedra do caminho, nem passar por ela, e foi chamado, e é!, de gênio. Uma vez dei o poema para o Jilozinho ler, ele leu, releu, virou-se para mim e deu seu veredicto: " Jarrão, se eu tô lá pegava a pedra e "rrumava" na cabeça dele, e na sua, que fica me dando essas bobices para ler." Acho melhor parar, parece que Ludovico e seus neurônios rebeldes já voltaram a ativa.
E não venham encher o saco dizendo que fiquei maluco, o grande Carlos Drumnond de Andrade escreveu um poema mais ou menos assim: no meio do caminho tinha uma pedra/ tinha uma pedra no meio do caminho...e ele foi repetindo isso sem tirar a pedra do caminho, nem passar por ela, e foi chamado, e é!, de gênio. Uma vez dei o poema para o Jilozinho ler, ele leu, releu, virou-se para mim e deu seu veredicto: " Jarrão, se eu tô lá pegava a pedra e "rrumava" na cabeça dele, e na sua, que fica me dando essas bobices para ler." Acho melhor parar, parece que Ludovico e seus neurônios rebeldes já voltaram a ativa.
Tem vaga sobrando no céu
Vaidade tenho muita, não.
Vou para o céu!
Inveja quase nehuma, tenho.
Estou conversando com São Pedro!
Ira, tenho muita, sim!
O inferno me espera.
Preguiça é uma delícia.
Já estou queimando!
Avareza, gosto não.
Livrei-me do cramunhão!
Gula me enlouquece.
O fogo me aquece!
Luxúria sou mestre.
O capeta agradece!
Não farás imagens quaisquer, para adorar. Sei não, mas a turma do Vaticano não há de escapar do fogo do inferno.
Não pronunciarás em vão o nome de Deus. A Dilma e o Serra já reservaram lugar ao lado do Chifrudo, estão brigando para ver quem fica do lado esquerdo.
Terás um dia, na semana, para descanso e recollhimento. Tenho um amigo que é prevenido e cumpre à risca o mandamento: fica em recolhimento de domingo a domingo.
Honrarás pai e mãe. Coitados de nossos políticos, ou melhor, de seus pais e mães.
Não matarás. E mandar matar, pode? Se não puder como ficará a turma da pena de morte?
Não cometerás adultério. Até aqui, pelas minhas contas, não haviam mil pessoas no céu, deve ter caído pra umas vinte.
Não furtarás. Fecharam o congresso?!
Não darás falso testemunho. Quero um advogado!
Não desejarás o que é do teu próximo. É por isso que construíram Brasília, roubam de longe, os espertos.
Duvido que se o céu existir tenha mais de dez pessoas lá. Já o inferno...tá botando gente pelo ladrão.
Vou para o céu!
Inveja quase nehuma, tenho.
Estou conversando com São Pedro!
Ira, tenho muita, sim!
O inferno me espera.
Preguiça é uma delícia.
Já estou queimando!
Avareza, gosto não.
Livrei-me do cramunhão!
Gula me enlouquece.
O fogo me aquece!
Luxúria sou mestre.
O capeta agradece!
Não farás imagens quaisquer, para adorar. Sei não, mas a turma do Vaticano não há de escapar do fogo do inferno.
Não pronunciarás em vão o nome de Deus. A Dilma e o Serra já reservaram lugar ao lado do Chifrudo, estão brigando para ver quem fica do lado esquerdo.
Terás um dia, na semana, para descanso e recollhimento. Tenho um amigo que é prevenido e cumpre à risca o mandamento: fica em recolhimento de domingo a domingo.
Honrarás pai e mãe. Coitados de nossos políticos, ou melhor, de seus pais e mães.
Não matarás. E mandar matar, pode? Se não puder como ficará a turma da pena de morte?
Não cometerás adultério. Até aqui, pelas minhas contas, não haviam mil pessoas no céu, deve ter caído pra umas vinte.
Não furtarás. Fecharam o congresso?!
Não darás falso testemunho. Quero um advogado!
Não desejarás o que é do teu próximo. É por isso que construíram Brasília, roubam de longe, os espertos.
Duvido que se o céu existir tenha mais de dez pessoas lá. Já o inferno...tá botando gente pelo ladrão.
4 de novembro de 2010
Eleição, preconceito e xenofobia
Agora que os ânimos começam a serenar, vou dizer algo que me deixou espantado e triste nas eleições: o tamanho dos preconceitos existentes em nossa sociedade, mormente por uma parte das elites e da classe média, um coisa absurda e inconcebível em pleno século XXI, nossas entranhas foram mostradas como nunca no último pleito, preconceitos para todos os gostos: contra mulheres; contra nordestinos; contra a sexualidade alheia- recebi diversos e-mails dizendo que Dilma era lésbica e fui ver a constituiçao, ainda que fosse, isso não é impeditivo para que fosse candidata; contra pobres em geral; contra ateus. Mais triste fiquei foi ver que Serra renegou tudo em que acredita ao aceitar passivamente ser envolvido por essa direita reacionária, que não tendo coragem de mostrar sua cara pérfida e xenófoba, se escondeu atrás de sua candidatura. Um homem que foi cassado, perseguido e exilado não tinha o direito de descer tanto em busca do poder. Perdeu a eleição e a dignidade. E, espero estar enganado, transpirava ódio e ressentimento em sua fala logo após o resultado final.
A canalhice dessa gente não tem limite, o casalzinho global, William e Fátima, após a vitória de Dilma, fizeram uma entrevista com ela, e quiseram parecer bonzinhos e amiguinhos de longa data dela. Eita gentinha hipócrita!
E são tão canalhas, os preconceituosos e xenófabos, que querem fazer crer que foram os nordestinos que deram a vitória a Dilma, mais uma mentira, mesmo sem os votos do nordeste ela venceria, eis aí o link com a votação, região por região: Resultado por regiões
Só mais uma coisinha, a turma da chamada Grande Mídia, que diz defender a liberdade de imprensa, deveria defender é a liberdade de expressão, conceito muito mais amplo e democrático, mas isso não interessa a eles, que incitaram o ódio nas eleiçoes. Perderam tanto a vergonha, quanto a dignidade. Mas estão à espreita, todo cuidado é pouco.
Fiquei, em muitos momentos, com vergonha de ser brasileiro. Nossa cordialidade só é cordial quando submete o outro Triste!!!
A canalhice dessa gente não tem limite, o casalzinho global, William e Fátima, após a vitória de Dilma, fizeram uma entrevista com ela, e quiseram parecer bonzinhos e amiguinhos de longa data dela. Eita gentinha hipócrita!
E são tão canalhas, os preconceituosos e xenófabos, que querem fazer crer que foram os nordestinos que deram a vitória a Dilma, mais uma mentira, mesmo sem os votos do nordeste ela venceria, eis aí o link com a votação, região por região: Resultado por regiões
Só mais uma coisinha, a turma da chamada Grande Mídia, que diz defender a liberdade de imprensa, deveria defender é a liberdade de expressão, conceito muito mais amplo e democrático, mas isso não interessa a eles, que incitaram o ódio nas eleiçoes. Perderam tanto a vergonha, quanto a dignidade. Mas estão à espreita, todo cuidado é pouco.
Fiquei, em muitos momentos, com vergonha de ser brasileiro. Nossa cordialidade só é cordial quando submete o outro Triste!!!
Assinar:
Postagens (Atom)




