19 de novembro de 2010

Lógica feminina

- Você não é meu namorado, que fique bem claro, e vamos parar com esse joguinho, já te falei que quero viver em paz.

- Tudo bem, parei, não vou mais te aporrinhar, se é isso que deseja, que assim seja, fique aí com seu namorado e faça bom proveito.

Passa-se um tempo, outro e-mail:

- Você é muito chaaaaaaaaaatooooooo....

- Ué...só me comprometi a fazer o quer, concordei com você e vou te deixar em paz, o que tem de chato nisso?! Perdi o joguinho, vou seguir em frente, conforme você mesma me aconselhou, estou perdendo oprotunidades por causa de meu sentimento por você, mas quando um não quer dois não se amam, tenho de seguir minha vida.

Passa-se mais um tempo, outro e-mail:

- Ai...ai...ai...

- Chega moça, perdi, cansei, desisto, vou fazer o que você quer...Stop!


- Não gosto de stop e você está dizendo que perdeu oportunidades por minha causa, não vou mais falar com você, nunca te prometi nada.

- Eu não disse que perdi oportunidades por sua causa, disse que perdi em respeito aos meus sentimentos por você, só isso, não te acusei de nada, nem poderia você não mentiu para mim, só vou seguir com minha vida, não há como viver sem esperança. Seja feliz!

Sem resposta...


                                                                                                                                                    

Sem medo de voar

hoje vi juriti
vi bem-te-vi
vi rolinha
e sanhaço

vi beija flor
beijando flor
vi pardal 
fazendo amor

vi sebinho
fazendo ninho
e tiziu dando
pulinho

vi coleiro cantador
e canário brigador

vi vida avoar
 e esperança
se acabar

mas há de renascer
em outro lugar
menos seco
e sem medo
de voar
passarinho...


                                                   

Caçador de dor

A ausência- que nunca foi presença
agora é distância que pensei poder
encurtar. Ledo e amargo engano.
A música que mais marcou minha
vida foi Caçador de Mim, de Luís
Carlos Sá e Sérgio Magrão, cantada
por Milton Nascimento; no pior momento
de minha vida, há 16 anos atrás fiquei um tempão
sem ouví-la, de tanto que me machucava, agora estou
aqui ouvindo, curando outra dor, e só me resta
repetir os versos belos e deixar a dor se esvair...

                     Nada a temer
                     Senão o calor da luta
                     Nada a fazer senão
                     Esquecer o medo
                     Abrir o peito à força
                     Numa procura
                     Fugir às armadilhas da mata escura...

Fim...

                                                                                                                           
                                                                                   
                                                              
                                                              

A certeza não tem valor

A dor que sinto
há de me libertar
pois aprendi a sentir.
A não fugir, a não
anestesiar, que doa
em cada poro, em cada
fio de cabelo, em cada
centímetro de meu corpo.
Fui fácil, e errei, o que é fácil
não tem valor, nem amor.
Ser autêntico, claro, transparente
é arrematada burrice. A dúvida,
a incerteza, a insegurança e a
dissimulação são armas que funcionam.
Prendem o outro, a certeza, não!, gera desprezo,
desimportância: " É meu, tenho a hora que quiser!"
Lição aprendida, resta seguir em frente, mas como se
fosse de lado. Não pode haver certeza no caminho, ao menos
no do amor. A dor passa, a cicatriz fica e vida que segue,
incerta e bela... um dia chuva, outro sol!


                                                                             

Sei que meu amor existe

E  todos me perguntam:

" Quem é Danielle?"

E lhes respondo:

É meu amor!

"E ela existe?"

Perguntem a ela...

Sei que meu amor existe

E anda triste

De ausência dela...

Obs:Último poema da série Danielle. Cansei...                                                                                               

18 de novembro de 2010

Primavera

E se não der certo...
o amor...
Que me importa...
já tenho a dor...
Quando muito
murchará a flor
Que cultivo
em meu coração
E seguirei jardim
sem flor
À espera de nova
primavera
Se restarem-me sonhos
de primavera...
                                                                                                           

Inventamos a isonomia da diferença

" Entre nós, não é o ato mas quem quem o pratica que condena. Se for pé-rapado, "teje preso". Se deputado, entra o recurso e chega veemente defesa porque " No caso de T., não! Esse é meu amigo! É dos nossos! A ele devo favores!"( Roberto da Matta).
Peguei a frase acima por ser brilhante ao definir o que somos: para os de cima a benevolência da lei; para os de baixo seu rigor, quando não justiça com as próprias mãos como estamos cansados de ver por aí. Somos tão benevolentes com os de cima que chamamos roubo de dinheiro público de desvio que são apurados em rigorosos inquéritos, tão rigorosos, mas tão rigorosos, que nunca terminam e fica tudo por isso mesmo, e quando prendem algum figurão o bandido tem direito a prisão especial por ser " dotô!"- inventamos a isonomia da diferença.
Essa lei da Ficha Limpa não entra na minha cabeça, é um absurdo completo, calma crianças, vou explicar: faz-se uma lei porque pessoas, em geral poderosas, que têm processos na justiça adiam, através de um sem fim de recursos e filigranas jurídicas o fim dos processos;  em vez de exigirmos uma reforma no judiciário- crimes contra o patrimônio e o erário- e o erário!- público, por envolverem o interesse de todos nós, deveriam ter prazos rigorosos para serem julgados, e roubar dinheiro do Estado( nosso, portanto) deveria passar a ser considerado crime hediondo e punido exemplarmente dentro dos prazos de lei. Mas não, inventamos uma nova lei apenas para impedir que ladrões não sejam candidatos a cargos públicos; mais recursos, mais burocracia, mais filigranas jurídicas e, pobre de nós!, o Supremo Tribunal Federal, acionado para determinar se a lei já entraria em vigor nessas eleições ou na próxima, não decidiu.... empatou...sim!... a votação empatou... e como se disputassem uma animada pelada de várzea, saíram os nobres ministros para discutir o resultado em um boteco qualquer de Brasília.
O Pimenta das Neves assassinou fria e covardemente sua ex-namorada e está solto, é filho de tradicional família paulistana;  Maluf não pode sair do Brasil pois tem ordem de prisão expedida pela Interpol- aqui, onde praticou sua rapinagem está solto e é deputado! Querem saber...somos todos putas de um Estado-cafetão, daqueles bem crueis com seus subordinados(as) e subserviente e covarde com os poderosos. Ah, o Medina, aquele ministro corrupto do STJ, foi punido exemplarmente por seus crimes: foi rigorosamente aposentado, recebendo sua rigorosa aposentadoria de cerca de R $ 25.000. 00 mês, paga rigorosamente em dia. E todo mundo acha um absurdo o Tiririca ser deputado federal. Eu não acho!